30/01/2020 às 11h30min - Atualizada em 30/01/2020 às 11h29min

A educação de Sex Education

Uma série que ensina mais que a escola

Luhê Ramos - Editado por Letícia Agata
cartaz da série Sex Education
Sex Education é uma série adolescente britânica. Diferente das demais, o foco do seriado é a ‘educação sexual’. Foi criado pela roteirista australiana, Laurie Nunn, com o intuito de desmistificar os tabus eventualmente inseridos no assunto e mostrar que, na verdade, é necessário que falemos sobre as tais temáticas “proibidas”. 
 
O seriado do gênero comédia dramática é mais um original Netflix, que caiu na boca do povo e virou fenômeno. “Eu achei a série muito boa. Aborda, de uma forma leve e engraçada, assuntos que são tabus e que ninguém fala com frequência”, afirmou Maria Luiza, estudante,19. A primeira temporada teve estreia em 11 de janeiro de 2019, na plataforma de streaming, Netflix. O original trata sobre adolescentes e sua relação com o sexo. 
 
Depois do sucesso que teve, o original Netflix ganhou sua segunda temporada no dia 17 de janeiro de 2020. Dessa vez a série abordou um pouco mais sobre os desejos, ambientes sexuais e seus tabus, como por exemplo os fetiches. Outro assunto importante tratado de forma cautelosa foi o assédio sexual e a empatia que mulheres devem manter entre si. “Essa temporada veio com assuntos e temas que deveriam ser mais abordados”, declarou a estudante Maria Eduarda Abade Gomes. 
 
Filho de Jean, uma terapeuta sexual, e cursando o Ensino Médio, Otis se vê cercado de jovens sem conhecimentos fundamentais sobre sexualidade. Alguns desses colegas, mesmo com medo de tocar em tais temáticas por serem considerados tabu, têm vidas sexualmente ativas. “Acho que a série trata sobre assuntos muito importantes, não só da perspectiva de adolescentes, mas também dos pais. É o tipo de seriado que não tem idade para ver", afirmou a espectadora Mariana Fartura Reis. 
 
Sex Education trata de assuntos que seriam resolvidos da melhor forma fora da série, caso não tivéssemos uma censura ao redor da palavra “sexo” em nossa sociedade. A falta de conhecimento, como por exemplo o que diz respeito à orientação sexual, pode gerar preconceitos e supressão a uma pessoa que está no caminho de sua descoberta ou que já se entendeu como ser humano.  
 
Vivendo e aprendendo com sua mãe, Otis, com incentivo de seus amigos Meave e Eric, utiliza desse conhecimento adiquirido e dá conselhos sexuais na escola para seus colegas, mesmo sem experiência ou formação profissional na área. Já que não tem alguém para tirar suas dúvidas, eles veem Otis como uma fonte. Os assuntos abordados na série vão desde ISTs e gravidez precoce até o entendimento sobre as diferentes orientações sexuais, mutualidade e conhecimentos anatômicos. 
 
A série de streaming é uma grande iniciativa para uma conversa aprofundada sobre educação sexual, seus prós e contras. A estudante Gabriela Magalhães, 22, afirmou já ter tido aulas de educação sexual na escola e comentou: “Me esclareceu muitas coisas e sei que assim também foi para os meus amigos.” Hoje em dia, com o imediatismo e popularização do uso pelos jovens da internet como fonte de conhecimento, ela se torna ainda mais necessária. 
 
No mundo atual, a população (principalmente a parcela jovem) é propensa a ter de lidar com problemas de paternidade imatura e doenças apenas pela falta de conversa consequente da permanente censura sobre o assunto. Retirar a venda dos olhos de quem não vê que existe um problema e dos que já constataram sua existência, mas ignoram, assim como acontece na série, seria crucial para que houvesse uma melhora acerca de tal questão. 
 
Com uma perspectiva em nosso país, seria importante que tivessem nas escolas brasileiras esses cuidados. A socióloga, Jacqueline Pitanguy, afirma que o problema do Brasil, que, segundo o portal Estadão, tem os piores índices de educação sexual na América Latina, é legislativo. Segundo ela, são necessárias aulas específicas para tratar do assunto, mas tudo o que temos são as matérias de biologia. A estudante Gabriela respondeu que, na sua opinião, “seria difícil no início” iniciar tal área na grade escolar, “pois com muitos jovens pode haver relutância. Mas acho extremamente necessário e benéfico para todo mundo.” 
 
Esses ensinamentos e aprendizados deveriam ser considerados básicos. A estudante, Luísa Walkertambém, comentou sobre o assunto: “Tenho certeza de que para muitos amigos que se descobriram melhor agora (já adultos trabalhando) teria sido muito melhor para tomar melhores decisões sobre o que gostam ou não, sobre como funcionam seus corpos. Eu vi muita gente passar por certas coisas na “hora H”, sem saber o que realmente estava fazendo ou como seria a melhor forma.” 
 
“Acho importante que tenhamos alguém como a mãe do Otis nas escolas. É importante quebrar esse tipo de tabu de que sexo na adolescência não é correto, quando isso acontece. Então, o ideal seria conscientizar”, disse Maria Eduarda Abade. É importante iniciar uma discussão sobre o assunto e não mais censurá-lo. É preciso cuidar de nossos jovens agora. 

https://www.youtube.com/watch?v=TredCsEaBFM
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