12/04/2019 às 08h30min - Atualizada em 12/04/2019 às 08h30min

Crônica: Psicanálise não é loucura

É apenas um ato de conversa, de entendimento e de evolução para a espécie humana.

Rafael Campos
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Quinta-feira, quatro de abril.

Ainda sentindo os resquícios do sono devido seu sagrado cochilo da tarde, o garoto de vinte e dois anos, senta em uma cadeira de acrílico de cor azul, em um habitat todo floral, cercado de flores, samambaias e copos de leite.

O lugar silencioso, cujo o portão é anil e se localiza ao lado do bosque dos pássaros, busca dar serenidade ao se preocupar em compor plantas sobre a área, de todas as variedades e espécies já vistas. Com uma certa segurança, mesmo por estar em um bairro nobre, a casa parece querer te abraçar, só para que você esqueça o tempo lá fora e dê lugar ao que você tem de mais importante, você.

O local que me refiro é uma instituição, onde há consultas de psicanálise todos os dias, com um certo número de profissionais para atender toda a demanda, inclusive do nosso garoto que chamaremos de W.R.

Ele, que acorda todos os dias com uma cara fechada, nem parece que é o menino de riso frouxo e de muitas palavras quando está com seus melhores amigos. Sua rotina é aquela velha história de sempre, comum de qualquer adulto e para qualquer adulto, só não pra ele. Logo porque, o garoto se baseou em mundos perfeitos e hoje luta com a cruel realidade. Mas que felizmente, de um tempo para cá, quando se perdeu nos seus achismos, descobriu a psicanálise a fim de entender sua complexidade. E parece ter feito certo... parece não, fez.

Hoje, estando já quase há cinco meses em tratamento, W.R busca por evolução e desconstruir tudo aquilo que um dia te prejudicou. Ele não é louco, nunca foi. O fato de estar em terapia virou algo tão normal, talvez diria até evoluído e corajoso de sua parte, por querer se mergulhar de cabeça diante de toda sua subjetividade.

Em uma conversa por aplicativo, perguntei a uma estudante de Psicologia se há esse preconceito ainda, de que atendimentos psicológicos têm a ver com a loucura. Ela me respondeu que sim, mas que felizmente está mudando, pois a saúde mental está sendo um fator preocupante para essa geração Y de hoje.

Muitas pessoas, assim de quem eu conto esta história, estão em uma rotina movimentada, promovida de estresse, obrigações, responsabilidades e agrados alheios, esquecendo muitas das vezes, do seu próprio eu. Chegando alguns ao ponto de se afundar em abismos problemáticos, que dão sinônimo a ansiedade ou depressão.

Devido ao tempo do acompanhamento, W.R já começa se entender um pouco no meio da sociedade. O ato que ele faz às quintas-feiras, sobre desabafar em uma sala climatizada diante de um rapaz cujo prometeu em te ajudar, faz dele dar um passo à frente de todos. Faz dele ser melhor em tudo.

A psicanálise ou a terapia feita com o profissional faz você conhecer assim mesmo e desvendar os tantos motivos daquilo que você passa hoje. Psicanálise nunca foi loucura, é apenas uma simples conversa contínua. Psicanálise te ajuda, meu rapaz. W.R prova isso, pode apostar.

"Vamos?" – aparece o profissional na porta, chamando o nosso protagonista, que deixa o ambiente todo floral da área para se consultar na sala pequena climatizada.

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