15/04/2019 às 18h25min - Atualizada em 15/04/2019 às 18h25min

Depredação no transporte coletivo de Belo Horizonte

Um ônibus convencional queimado significa um prejuízo de R$ 400 mil reais, nesse valor se incluem todas as tecnologias nele embarcadas.

- Ronerson Pinheiro
Foto: Reprodução/ Arquivo Pessoal

DEPREDAÇÃO NO TRANSPORTE COLETIVO

Moradores do bairro Betânia, na região Oeste de Belo Horizonte, reclamam do vandalismo constante na linha 208 (Betânia/Barreiro – via Novo das Indústrias) no trajeto diário da estação até o bairro).

Usuário da linha, Carlos Pires, relata com tristeza os ataques “O vandalismo é grande”. Morador do bairro, Carlos  diz ter presenciado diversos atos de depredação contra os ônibus que fazem o itinerário. “A maioria das quebradeiras acontecem no período da manhã e à noite”, acrescenta.

Jorge Pinheiro, 55, motorista da linha, ressalta que esse tipo de ato contra o transporte coletivo tem aumentado. “O vandalismo nos últimos anos vem crescendo de tal maneira que assusta. Há alguns meses a prefeitura de Belo Horizonte tinha um projeto que colocaria guardas municipais dentro dos ônibus, mas não surtiu efeito algum”, conta. O motorista também relata que as rondas diárias eram feitas em linhas que não demandavam tal necessidade “As fiscalizações eram feitas em linhas que não tinham vandalismo. Tem que se colocadas em linhas mais problemáticas”, afirma Jorge.

Além do vandalismo constante, usuários reclamam do mau comportamento de jovens que também utilizam o transporte na região. Pulam a roleta e não pagam passagem, entram   e descem pela porta dianteira dos ônibus, pulam as cercas de proteção das estações além de ameaçar os demais passageiros e os motoristas”, disse a usuária, Fiuza Pereira.

De acordo com o artigo 176 do Código Penal Brasileiro “utilizar-se do meio de transporte sem dispor de recursos para efetuar o pagamento” é crime com pena de detenção, de quinze dias a dois meses, ou multa.

O mais prejudicado nesses casos é o passageiro que paga a passagem. Segundo o Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros de Belo Horizonte (Setra-BH), os custos do sistema entram no cálculo da tarifa, ou seja, o número de usuários que pagam não corresponde a realidade transportada. Ainda segundo o sindicato, entre Janeiro e Dezembro de 2018, dezessete ônibus foram totalmente queimados.

Sobre a atuação dos guardas municipais nas estações, a nossa equipe tentou contato com assessoria de comunicação da BHTrans mas não tivemos retorno.

DESEQUILÍBRIO FINANCEIRO

A reposição dos ônibus retirados de circulação em decorrência dos incêndios criminosos criou uma situação no transporte coletivo da capital, de total desequilíbrio financeiro em razão dos constantes aumentos nos custos do sistema registrado entre os anos de 2017 e 2018, sem qualquer contrapartida nas receitas. Um ônibus convencional queimado significa um prejuízo de R$ 400 mil reais, nesse valor se incluem todas as tecnologias nele, embarcadas.
 
MAIS SEGURANÇA PARA TODOS

Segundo Wesley Figueiredo, assessor do Setra-BH, ações para evitar evasões do tipo estão sendo implantadas nos ônibus da capital. Chamada de “roleta segura”, a nova ferramenta está sendo testada atualmente em Belo Horizonte. “Onde ela foi instalada, notou-se uma redução na evasão e assaltos aumentando a segurança para operadores e usuários do sistema. Antes, motoristas e cobradores eram ameaçados e até agredidos e lesionados durante a tentativa de inibir a ação de evasores”, explica Figueiredo. Os operadores que testaram a nova ferramenta, aprovaram e demonstraram preferência em trabalhar em veículos com a roleta segura.  
 

Editor(a): Ronerson Pinheiro
Editora-Chefe: Lavínia Carvalho 









 
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