24/04/2019 às 15h29min - Atualizada em 24/04/2019 às 15h29min

Depressão: vivendo à beira do abismo

Adrieli Fátima Bonini - Editado por: Millena Brito
Durante anos ela se despedaçou, arrancou os seus pedaços, os perdeu, os perfurou, ela removeu pouco a pouco, a cada crise, todas as suas pétalas. Ela se torturou. Se manipulou. Se maltratou. Se sabotou. Tudo isso através da depressão. Agora, ela está deitada em uma cama de um hospital psiquiátrico. Pois já havia deixado de viver há tempos e seu sofrimento era tão profundo, que ela não enxergava uma luz ao fim do túnel. A depressão faz isso, faz com que perdemos a nossa autonomia, faz com que perdemos o sentido de continuar a existir, a viver. Exatamente como fez com ela. Mergulhamos em um emaranhando de sentimentos mal resolvidos, de confusões, de desespero, de mínima vontade de viver. A depressão extingue toda a vontade de continuar fazendo o que antes era prazeroso. Consequentemente, você passa o resto dos dias dormindo, porque a depressão faz com que o sono seja algo desejável, para fugir dessa realidade fútil e dolorida, a realidade de um deprimido.

Com o passar do tempo, vivendo em um mundo escuro, um mundo preto e branco, você passa a “viver” em câmera lenta, desempenhando as suas tarefas minimamente e sem ânimo e motivação alguma. Existir passa a ser uma obrigação e você permanece a todo momento inventando uma desculpa, um motivo, mesmo eles sequer existindo, para desistir, e dessa maneira voltar a sua zona de conforto.

As relações com as pessoas se tornam pesarosas, elas não entendem seus motivos, mesmo não havendo motivo algum, elas não lhe entendem, e não procuram entender o porquê de você ser tão negativo, então você se isola, começa a viver numa bolha, onde apenas a sua dor angustiante lhe faz companhia. Você continua a destruir os relacionamentos, mesmo sem querer. Sua família, seus amigos próximos e parentes, todos, se eles não lhe entendem, por que continuar a manter contato?

Sua vida se transforma em um ruído branco, as coisas que anteriormente lhe animavam e eram prazerosas não fazem sentido algum. A sua falta de autoestima e motivação se tornam insuportáveis. Você não enxerga perspectiva alguma para sua vida. Tudo se assemelha a um amontoado de coisas indecifráveis, uma massa amorfa. Você deseja mais que tudo sair disso. Mas você já não possui mais forças, então, permanecer na cama não é mais uma opção, mas sim uma certeza.

Então, depois de tanto sofrer, depois de se isolar e acabar com todas as relações, você se sente mais sozinho do que nunca, a dor da alma já o consumiu completamente, e você tem dois caminhos para seguir: ou você procura ajuda, ou você pode vir a tentar suicídio. E posso lhe dizer, caro leitor, a morte não é a solução. Pois a depressão tem cura, é um problema temporário. Procure ajuda profissional, assim como ela procurou, faça esse bem a você mesmo, sua saúde mental e sua vida valem muito. Você é importante. Você é suficiente. Você vai ficar bem.

Precisamos falar sobre a depressão, sobre o suicídio, sobre a vontade constante de morrer. Precisamos fazer com que as pessoas se sintam encorajadas a buscar auxílio profissional, para que, pelo menos, consigam viver com essa angústia diária.

Procure ajuda profissional!
Disque 188: Centro de Valorização da Vida - CVV
 
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