25/07/2020 às 20h45min - Atualizada em 25/07/2020 às 20h06min

As telefonistas: protagonismo feminino e a conquista de direitos

Adna Priscila - Revisado por Renata Rodrigues
Reprodução Netflix
Las Chicas Del Cable, ou As Telefonistas, é uma serie da televisão espanhola, produzida pela Netflix, que retrata a vida de quatro mulheres de personalidades bem diferentes vivendo conflitos e tendo que lidar com questões como: sexualidade, gênero, lutas sociais e patriarcado. A produção é uma ficção, mas se baseiam em aspectos sociais verdadeiros da sociedade espanhola do século XX, incluindo o modo de vida que muitas mulheres eram tratadas em relação ao trabalho, posição social e direitos civis.
 
O contexto histórico da trama é em 1928, na empresa Telefonia, uma empresa pioneira em telecomunicação criada por uma família muito rica da época, daquelas que o empreendimento passa pai para filho, sustentando assim o patriarcado e o machismo. Um aspecto que chama atenção é que a maioria das mulheres operam os telefones. Elas são as protagonistas da empresa, mas não ocupam outros espaços a não ser o de telefonistas. As operadoras dos telefones eram alfabetizadas e passavam por cursos de capacitação somente para esse papel.

De acordo com diretor do Museu da Comunicação em Frankfurt, Helmut Gold, o trabalho das primeiras telefonistas era: "tinha um painel à frente da telefonista onde havia uma tomada para cada aparelho telefônico instalado. Elas recebiam o telefonema e perguntavam a quem deviam chamar. Elas podiam conectar qualquer telefone, enfiando o pino na tomada correspondente. Feito isto, avisavam a pessoa sobre a chamada e transferiam a ligação". As exigências para a aceitação no emprego eram uma boa formação escolar, fineza de trato e, se possível, conhecimento de idiomas estrangeiros.  Características da personagem Carlota, de Ana Fernández, que falava vários idiomas. Além disso, as moças deviam ser jovens e de "boa família".

Durante as temporadas de As Telefonistas, a trama gira em torno das personagens e juntas elas vivem situações que caracterizam e que ambientam a luta das mulheres no mercado de trabalho e na sociedade. A obra acaba trabalhando não apenas na representação da realidade do passado, mas também produz reflexões sobre a realidade da desigualdade atual, principalmente em relação a salário, direitos civis e sociais, jornada de trabalho e educação. Por mais que as relações de gênero tenham mudado entre 1928 e 2020, a luta feminista é eterna.

A ultima temporada da série, já disponível na Netflix, mostra o desfecho da história de lutas das personagens e revela para a realidade que a conquista feminina por direitos ainda não terminou. Se muitas mulheres tem direitos hoje, é porque muitas foram mártires dessa luta por igualdade e respeito.
 
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