25/09/2020 às 18h11min - Atualizada em 25/09/2020 às 18h09min

​Setembro amarelo motiva discussões a respeito das Políticas Públicas no Brasil

Fernanda Silva - Editado por Camilla Soares
Vanusa Ribeiro, psicóloga clinica e palestrante
foto: reprodução/internet

Setembro amarelo é o mês de combate ao suicídio, nos últimos dias, a pauta tomou as redes sociais e foi notado a importância das políticas públicas acerca da causa, se tornando um alerta para criar medidas a fim de prevenir suicídios no Brasil.

Segundo a OMS (Organização mundial da saúde), apenas 38 países têm programas nacionais de saúde eficiente capaz de prevenir o suicídio. O Uruguai pais de fronteira com o Brasil é um exemplo, o país já chegou a realizar um apelo a imprensa para que o tema fosse mais abordado na mídia, para que o assunto não fosse mais um tabu.

A psicóloga Vanusa Ribeiro diz que as politicas publicas de saúde são um pouco escassas no Brasil: “Em relação a depressão e saúde mental, algumas das principais ações são as das campanhas janeiro branco e setembro amarelo que têm como principal objetivo conscientizar a população sobre a importância de falar e cuidar da saúde mental, além de prevenir a depressão e os casos de suicídio. No entanto, apesar desses temas ainda serem considerados tabus, deve-se falar deles o ano todo” aponta a psicóloga.  

Poucas políticas públicas em relação a saúde mental no Brasil, explica o fato do país ser o primeiro do ranking latino-americano e quinto na posição global, de números de pessoas deprimidas, aponta dados de 2017 em relatório global sobre transtornos mentais publicado pela OMS (Organização Mundial da Saúde).

Vanusa ressalta a importância de investimento nessa área a fim de melhorar essa questão: “acredito que um ponto a ser melhorado é o apoio e investimento de governos para a criação de políticas públicas eficazes e o fortalecimento de políticas publicas existentes".

“Mas além disso, existe o meio comunitário que também deve ser aprimorado fortalecendo os sistemas de informações sobre esses temas, sempre com foco em prevenção.” Continuou ela.

No Brasil, também contamos com o CVV (Centro de Valorização a Vida), sistema que atua com o SUS, e que recebe mais de 20 mil ligações por dia segundo a voluntária Adriana Costa. "O saber ouvir é fundamental, pois falar é a melhor solução para quem passa por depressão”. Alerta.

A psicóloga clínica, Vanusa Ribeiro, também ressaltou a importância do CVV. “Acredito que a maior importância dessa ONG, é oferecer esse apoio gratuito como nem todos tem condições de ir a um psicólogo ou psiquiatra o CVV é uma alternativa fundamental”. Mas ainda ressalta que nada substitui a ida física ao psicólogo e psiquiatra.
Vanusa ainda explica que o psicólogo tem papel fundamental na prevenção da saúde da população, sendo assim reforça ainda mais   a necessidade e importância de ter suporte psicológico no sistema único de saúde (SUS) além das escolas CAPS e CRAS a fim de criar e implementar estratégias e promoções e prevenções de saúde, o que na realidade muitas cidades brasileiras não tem.

“Além de oferecer atendimento capacitado para os diferentes casos relacionados a saúde mental, o psicólogo no SUS pode elaborar e implementar ações e campanhas para a intervenção adequada nessa área realizando atividades para melhorar a qualidade e expectativas de vidas das pessoas” explica.

Vanusa finaliza lembrando do que nós podemos fazer por aqueles que estão em situação de depressão, o primeiro caso é busca uma ajuda qualificada, mas é sempre possível fazer algo por uma pessoa. “O primeiro ponto é não menosprezar essa doença, levar ela a sério e principalmente não diminuir o que a pessoa está sentindo. Lembre-se um sentimento pode ser pequeno para você, mas pode ter um peso enorme para outra pessoa. Ter empatia é primordial.”

Ela ainda acrescenta que “Aproximar-se dessa pessoa e fazer com que ela não se sinta sozinha também é fundamental. Além disso incentivar aos poucos a pessoa a fazer atividades que ela tinha prazer de fazer para que ela se sinta útil e produtiva.
 
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