16/10/2020 às 18h19min - Atualizada em 16/10/2020 às 18h10min

Algoritmos e o fenômeno da bolha informacional

A atuação dos algoritmos é de grande importância no meio cibernético, porém a automatização de informações pode trazer malefícios, tais como o efeito bolha

Larissa Campos - Editado por Ana Paula Cardoso
Tela de celular com ícones de redes sociais - Imagem por: Pixelkult/Pixabay
Ao longo dos anos, o meio digital vem se tornando um dos principais veículos usados pela população para busca de informações, onde, de acordo com a Pesquisa Brasileira de Mídia 2016, realizada pela Secretaria de Comunicação Social do governo, 26% dos entrevistados a citaram como principal fonte noticiosa. Nesse contexto, os algoritmos, ferramenta que rege o funcionamento das redes, está intrinsecamente ligado ao conteúdo que chega aos usuários, filtrando e restringindo a diversificação de temas.

Segundo Natan José Trevizan, formado em análise e desenvolvimento de sistemas, os algoritmos são processos lógicos finitos, nos quais os dados de entrada são processados, através de padrões especificados, para que se tenha o resultado esperado. “Funciona como uma receita, no qual o programador define os ingredientes, modo de preparo e resultado esperado, para que outros usuários possam utilizá-la diversas vezes. Mas assim como uma receita, a qualidade dos ingredientes [os dados enviados pelo usuário] irão influenciar no resultado final” explica.

Somado a isso, a lógica de funcionamento dos algoritmos, de acordo com Natan, nem sempre é transparente com os usuários, já que enquanto alguns sistemas definem em seus termos de uso quais dados são coletados, até mesmo permitindo os usuários escolher se o mesmo deseja recomendações personalizadas, outros coletam dados confidenciais sem o consentimento do usuário. Portanto, é necessário atenção aos termos de uso, e apenas disponibilizar informações sensíveis à sites seguros, aos quais possuem um ícone de cadeado ao lado do endereço.

Para Mariana Bello Marques, social media, de certa forma as pessoas se encontram em uma bolha informacional, no entanto, os algoritmos não são os únicos culpados. “Se eu não quiser saber o que está acontecendo nos Estados Unidos, eu não vejo notícias de lá, por exemplo, porque eu seleciono o que eu quero ver e ler. Então, de certa forma, estamos em uma bolha de informações, mas muitas vezes nós mesmos criamos essa bolha” declara.

Mariana destaca que para uma maior diversificação de conteúdo, é necessário que os usuários tenham “mente aberta” para o novo, não se prendendo apenas ao que pesquisa habitualmente.

Outra forma de variar as informações, nas palavras de Natan, é efetuando a limpeza de todos os dados salvos na conta do usuário, removendo recomendações pouco relevantes e abrindo espaço para novas. Alguns sistemas também permitem personalizar os temas de interesse do usuário.

Redes sociais e informações falsas

Além da bolha informacional, os algoritmos e as redes sociais podem trazer outro problema: a propagação de informações falsas. Segundo o Relatório de Notícias Digitais 2020, produzido pelo Instituto Reuters, O Facebook e o WhatsApp são as redes sociais mais utilizadas para a disseminação de Fake News.

Mariana explica que ao buscar por notícias, o usuário pode se prender apenas a conteúdos falsos. Quanto mais ele pesquisa e interage com essas informações, mais notícias falsas irão surgir devido aos algoritmos.

“Pesquisar a veracidade dos fatos antes de compartilhar é essencial”, afirma.


A disseminação de Fake News está sendo, inclusive, muito frequente durante a pandemia da Covid-19. Uma pesquisa da Avaaz aponta que sete em cada dez internautas brasileiros, cerca de 100 milhões de pessoas, acreditam em ao menos uma notícia falsa a respeito da pandemia do coronavírus. De acordo com o levantamento, 6 em cada 10 internautas receberam as fakes news pelo WhatsApp e 5 em cada 10 receberam pelo Facebook.

Em contrapartida, redes como o Facebook, Instagram, Twitter e Tik Tok vêm procurando soluções para essa epidemia de informações falsas. Alguns dos recursos criados são a remoção automática de notícias falsas, direcionamento a informações oficiais, investimento em checagem e até mesmo a criação de uma página dentro do aplicativo, que fornece acesso a informações confiáveis.



REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:
 Avaaz. O Brasil está sofrendo uma infodemia de Covid-19. 2020. Disponível em: https://secure.avaaz.org/campaign/po/brasil_infodemia_coronavirus/. Acesso em: 16 out. 2020.
Reuters Institute. Reuters Institute Digital News Report 2020. 2020. Disponível em: https://reutersinstitute.politics.ox.ac.uk/sites/default/files/2020-06/DNR_2020_FINAL.pdf. Acesso em: 16 out. 2020.

Secretaria de Comunicação Social. Relatório Final Pesquisa Brasileira de Mídia - PBM 2016. 2016. Disponível em: http://www.secom.gov.br/atuacao/pesquisa/lista-de-pesquisas-quantitativas-e-qualitativas-de-contratos-atuais/pesquisa-brasileira-de-midia-pbm-2016.pdf/view. Acesso em: 16 out. 2020.
 

 

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