23/10/2020 às 02h29min - Atualizada em 23/10/2020 às 01h21min

O que são os dispositivos E-readers?

Descubra os prós e os contras da tecnologia que divide espaço com os livros físicos

Fernanda Lima - Editado por: Gustavo H Araújo
Reprodução: Associated Press
A ascensão dos e-books é um exemplo dos muitos atributos que a internet nos proporcionou. Nos primórdios dela, na década de 1990, essa forma de "leitura tecnológica" já estava entre nós. Era o início do que viria a ser um dos importantíssimos objetos na vida de milhares de indivíduos. Entretanto, os e-books só ganharam verdadeiro reconhecimento a partir da criação de plataformas de acesso digital, como o famoso Wattpad.

Quando esse tipo de leitura passou a ser viável através dos downloads, tornou-se possível um crescimento considerável à classe de leitores. É necessário ressaltar que em inúmeros lugares não existem bibliotecas e livrarias, e o custo para se ter um livro físico acaba sendo alto demais para muitas pessoas. A tecnologia também incluiu pessoas com deficiência visual, visto que diversos e-books já possuem sua versão em áudio, além do fato de poderem usar programas que leem o que está na tela do celular ou do computador.

O aumento dos livros em formato e-book foi tão expressivo que foi necessário criar dispositivos próprios para este tipo de leitura, os chamados e-readers. Com diversas marcas e modelos, eles têm se tornado os "queridinhos" dos leitores que preferem armazenar mais livros no mundo digital do que no mundo físico. Com uma tecnologia específica para não cansar os olhos, que imita a cor das páginas de livros físicos, esses livros digitais são como bibliotecas inteiras guardadas no bolso.

A seguir os prós e os contras desse dispositivo:

Armazenamento

A capacidade média de armazenamento dos e-reader é de 4GB, para preencher esse espaço seriam necessários milhares de e-books. Com o dispositivo é possível ter em mãos qualquer livro previamente baixado a qualquer momento. Numa viagem, por exemplo, seria possível não mais escolher um ou dois livros físicos para colocar na mala e sim a quantidade desejada. Em uma eventual conversão da capacidade de armazenamento de um e-reader em livros físicos, o resultado da conta seria próximo de uma grande biblioteca para guardar todas as mídias físicas.
 
Recursos

Sabe aquele momento em que aparece alguma palavra ou expressão que você não sabe o significado? Muitos dispositivos e-readers tem um recurso que facilita a pesquisa pelo significado. Enquanto que, com um livro físico, é necessário pausar a leitura e pesquisar no celular para assim compreender; com o leitor digital, essa rápida pesquisa é feita com um clique sobre a palavra, fazendo com que a leitura não perca o ritmo.
 
Preços

Sem os custos de impressão e tranporte dos livros, os e-books são normalmente mais baratos se comparados aos livros físicos. Isso se comprova com um estudo do site CupoNation que, em um levantamento dos 90 títulos mais vendidos na Amazon nos anos de 2016 e 2017, constatou que os livros em formato e-book são em média 27% mais baratos que os da versão física. Porém, o faturamentos dos livros físicos continua sendo maior.
 
Perda de sensações

A leitura não é somente um exercício de intelecto e visão, pelo contrário, o tato e o olfato compõem a experiência de maneira expressiva. Para muitos leitores, o famoso “cheiro de livro” e a sensação de sentir uma capa com alto-relevo são artifícios essenciais durante uma leitura, e com um leitor digital não se tem essas sensações, ao menos, não ainda.
 
Preço de um e-reader

Embora os livros eletrônicos sejam mais baratos (alguns até gratuitos), um e-reader pode ser considerado artigo de luxo para quem o almeja. Em média, para se ter um dispositivo de marcas como Kindle, Lev da Saraiva ou Kobo da Livraria Cultura, é necessário desembolsar no mínimo R$300,00.
 
Meio ambiente

A concepção de que os e-readers são melhores, pois não fazem o uso de folhas é, no mínimo, equivocada. No Brasil, por exemplo, todo o papel usado para impressão vem de florestas cultivadas para esse fim. De acordo com artigo publicado no The Millions, os aparelhos para leitura digital, como Kindle ou iPad, possuem pegada de carbono de 200% a 250% maior que uma biblioteca. E o descarte indevido das peças desses dispositivos também podem contaminar o solo e os ecossistemas. Um dos fatores que colaboram para esse aumento da pegada de carbono nos e-readers é a pouca durabilidade desses aparelhos. Infelizmente, o comprador usa, em média, apenas por dois anos o aparelho e depois troca por um modelo de uma geração mais avançada, contendo mais recursos.
 
Por fim, é importante ressaltar que os e-books junto aos e-readers não substituíram o livro físico, são apenas formas distintas de apreciação da leitura. Nada se compara ao cheiro de livro novo, a sensação de folhear as páginas e, se gostarmos muito dele, até de abraçá-lo. Mas o verdadeiro valor são as histórias encontradas dentro dessas camadas; lamentavelmente, muitos leitores se privam de leituras incríveis pelo modesto fato de que se trata de um e-book. Se há aqueles que se consideram leitores assíduos e gostam exclusivamente de livros físicos, entendam que livros não são apenas objetos de decoração, eles podem embelezar muito mais o intelecto do que a prateleira.
 
Referências
 
RODDICK, Rodrigo. Livro físico vs e-book: confira 7 vantagens e desvantagens Cabana do Leitor. 28 de nov de 2019. Disponivel em: https://cabanadoleitor.com.br/livro-fisico-vs-e-book-confira-7-vantagens-e-desvantagens. Acesso em: 20 de out de 2020.
 
 
Redação E-Commerce Brasil. eBooks são 27% mais baratos que livros impressos. E-commerce Brasil. 27 de out de 2017. Disponível em: https://www.ecommercebrasil.com.br/noticias/ebooks-sao-27-mais-baratos-que-livros-impressos. Acesso em: 20 de out de 2020.
 
ROSA, Mayra. E-book é mais sustentável que livro impresso?. Ciclovivo. 2 de maio de 2012. Disponível em:
https://ciclovivo.com.br/inovacao/tecnologia/ebook_e_mais_sustentavel_que_livro_impresso. Acesso em: 20 de out de 2020.

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