24/10/2020 às 16h31min - Atualizada em 24/10/2020 às 16h22min

Toda notícia é conteúdo, mas nem todo conteúdo é notícia

Crônica: o jornalismo publicitário feito por alguns portais durante as eleições municipais é "brochante"

Junio Silva - Editado por: Gustavo H Araújo
Foto: Reprodução
Os dois primeiros anos na vida de um jornalista recém-formado são, talvez, a época em que muitos acabam perdendo o cabaço, e a vida mostra a dura realidade da profissão. O período em que os jovens cheios de ideais e sentimentos de querer mudar mundo começam a cair em si.

Entre todas essas descobertas, talvez a maior e mais importante delas seja a de que o jornalismo, diferente do que muitos acreditam ou enxergam, é um jogo. Informar ainda é o objetivo principal de jornais e veículos de comunicação; a política, o poder e os interesses, porém, são os que ditam como isso será feito.

Com uma vírgula, tudo pode mudar...

Existem alguns casos – raros – nos quais jornalistas conseguem fugir das rédeas de linhas editoriais que refletem o interesse de seus patrões. Mas a maioria, hora ou outra, acaba caindo no mesmo buraco. No fim, ninguém é livre de verdade. Talvez nem mesmo os freelancers - quem trabalha de forma independente. Seja pelo acaso ou pelo destino, até eles podem acabar se vendo presos por trabalhos sem sentido que pegam quando a coisa aperta, justamente pela sua cabeça, cheia de crenças e ideais, acabam fazendo de seu jornalismo uma militância.  

Aqueles que conseguem sobreviver a isso são loucos ou realmente amam a profissão. Provavelmente, um pouco dos dois. E continuam, por acreditar na importância do jornalismo, pelo o que acreditam ou simplesmente pelo sangue que corre em suas veias, buscando sempre dar o melhor de si. Enxergar de perto esse lado sujo da profissão pode ser desanimador. Nesse grande xadrez, jornalistas e população parecem ser meros peões no jogo entre reis, bispos, rainhas e cavalos.

Às vezes, não dá para perceber isso acontecendo em grandes jornais...

Porém, basta um simples olhar para o jornalismo local, feito por donos de portais de notícias municipais – que muitas vezes se auto-intitulam jornalistas – para ver o que rola. A relação entre jornalistas e fontes não precisa ser fria. Mas para os que acreditam que o principal objetivo do jornalismo é ser o retrato fiel da realidade, sem lados, esquentar demais essa relação parece ser um problema.

Quando certos jornalistas usam seus veículos locais para fazer campanha partidária, ainda que indiretamente, com o jeito canalha de publicar o que é conveniente para os homens de terno que conseguiram um cargo no governo para eles, ou até mesmo declarando apoio abertamente, o jornalismo deixa de ser o que é para virar publicidade.

O pior disso tudo é ver o povo sendo feito de tolo, acreditando que aquilo é realmente a verdade.
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