24/10/2020 às 21h04min - Atualizada em 24/10/2020 às 20h55min

57% das áreas do Rio são dominadas pela milícia, diz estudo.

A atuação dos milicianos hoje é na ocupação de serviços essenciais que causam um rombo na economia do Estado

Ariel Vidal - Editado por: Lavínia Carvalho
Foto: reprodução

Rio - A operação contra milícia resulta na morte de 18 milicianos, chefiados por Wellington da Silva Braga, o 'Ecko’ na última semana. No entanto o estudo da USP e UFF revela que o domínio da milícia tem ocupado 57% do território da capital fluminense, e cerca de 2,2 milhões de pessoas vivem em áreas controladas por milícias. Enquanto isso, as três facções do tráfico têm, somadas, o domínio de 15%. 

 

Os dados são da pesquisa do Mapa dos Grupos Armados do Rio de Janeiro, feito em parceria entre o Grupo de Estudos dos Novos Ilegalismos da UFF, o Núcleo de Estudos da Violência da USP, o Disque-Denúncia e as plataformas Fogo Cruzado e Pista News. A partir dos anos 2000, a milícia vem ocupando espaços em áreas da Zona Oeste e Oeste metropolitana - formados, na maior parte, por ex policiais. A atuação dos milicianos hoje é na ocupação de serviços essenciais que causam um rombo na economia do Estado. 

 

A restrição de direitos e serviços impactam moradores de favelas dominadas pela milícia, que através da obtenção do lucro possuem ainda mais poder. Quando oferecem esses serviços impedem a ação da livre concorrência, e os preços são definidos sem apoio da lei. Afinal são usados para lavagem de dinheiro, como a gatonet, luz, gás, TV a cabo, e até transporte. A prática dos milicianos ocorre onde não é oferecido um serviço adequado da segurança pública e os milicianos assumem a segurança da comunidade, com isso a violência se instala.

 

Eleições e a milícia

 

Nas próximas eleições a Polícia Civil criou uma força-tarefa com foco principal em impedir a atuação da milícia e dar o direito de voto aos moradores. A criação da força-tarefa se deu após a morte de dois candidatos a vereador em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense. As mortes ocorreram no intervalo de 11 dias, Marco Miranda da Rocha e Domingos Barbosa Cabral, o Domingão. 

 

Segundo a Polícia, a atuação da Força-Tarefa não se limitará a investigação desses crimes, mas prevê o combate das milícias, pois a linha de investigação é de que os atiradores sejam envolvidos com a Milícia.

 

Em entrevista a Polícia Militar foi reportado que muitos candidatos políticos também tem origem na milícia ou que atendam aos interesses dos atuantes da comunidade, portanto somente esses candidatos conseguem fazer campanha, e alcançar ou manipular os moradores daquele local para ter votos da maioria. “Ainda enfrentamos muitas dificuldades no combate à milícia, porque ainda tem muita influência na Segurança Pública do Estado, como informação privilegiada sobre operações, até que hoje já foi bastante combatido dentro dos batalhões, mas ainda existe,” finaliza o porta-voz da Polícia Militar, que preferiu não se identificar. 

 

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