17/12/2020 às 16h10min - Atualizada em 17/12/2020 às 16h02min

A disparidade racial brasileira

Tese doutoral de Emerson Rocha sobre a desigualdade social é premiada pela Associação Brasileira de Editoras Universitárias

Talyta Brito - Editado por Gustavo Henrique Araújo
Foto/Reprodução: Oxfam/spbbancarios
O tapete vermelho, figurinha carimbada nas grandes premiações, excepcionalmente em 2020 não foi estendido por conta da pandemia do novo coronavírus. Mesmo assim, teve festa virtual. No dia 26 de novembro a Associação Brasileira de Editoras Universitárias (ABEU) realizou uma cerimônia online às 19 horas para anunciar os oito vencedores da 6° edição do Prêmio ABEU.

Na categoria "Ciências Sociais Aplicadas", a tese doutoral de Emerson Ferreira Rocha, que posteriormente se transformo em livro, garantiu a primeira colocação. A obra, intitulada “O negro no mundo dos ricos: um estudo sobre a disparidade racial”, discorre sobre discrepância de renda entre brancos e negros. A pesquisa foi embasada nos dados do Censo de 2010. 

Com a orientação de Marcelo Medeiros, professor do Departamento de Sociologia da Universidade de Brasília (UNB), Emerson Rocha analisou a desigualdade entre brancos e negros. Conforme os dados apresentados pelo autor, do grupo que detém as maiores rendas do Brasil, somente 14% são negros. Ele também comprovou que há uma maior concentração de negros em áreas que dispõem de salários menores. “Vão estar menos na Medicina do que na Pedagogia, por exemplo." Outro aspecto apresentado é a diferença de salários entre uma pessoa branca e uma pessoa negra com a mesma formação acadêmica: “O retorno financeiro sobre a qualificação profissional é maior para o branco do que para o negro”. 


                                   ( Anderson Rocha - Fonte: reprodução - site Unb) 


Djamilla Ribeiro, mestre em filosofia política pela Universidade Federal de São Paulo e colunista da Revista Elle, no livro “Pequeno manual antirracista” - obra que em 2020 ocupou a lista dos livros mais vendidos do país na categoria de “não ficção” –, conclama a sociedade a repensar os ambientes de trabalho. Para ela “é preciso romper com a estratégia do negro único: não basta ter uma pessoa negra para considerar que determinado espaço de poder foi dedetizado contra o racismo”.

Na segunda-feira (14), o Conselho Nacional da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) aprovou a paridade de gênero – sugerida pela conselheira da OAB de Goiás, Valentina Jungmann Cintra, bem como a cota de 30% dos negros para todos os cargos de comando da entidade. A medida já passa a valer nas próximas eleições, que serão em novembro de 2021. Diversas propostas sobre cotas raciais foram apresentadas, todavia, a aceita foi a do advogado André Luiz de Souza Costa, até então ele é o único negro atuante no Conselho Federal do órgão.

É notório que o racismo está entrelaçado com a história do Brasil. Por muitos anos, a população negra foi tratada como mercadoria e mesmo após as sucessivas leis de libertação, tais indivíduos não tiveram acesso aos direitos básicos, o que corroborou para o surgimento da desigualdade social.

Compreender o cenário da sociedade atual e pensar em medidas para atenuar os problemas é o primeiro passo para a transformação.
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