04/02/2021 às 20h59min - Atualizada em 04/02/2021 às 20h50min

Massificação da literatura: mecanismo de alienação da indústria cultural ou entretenimento para leitores?

Os filósofos Theodor Adorno e Max Horkeimer defendem uma teoria de que tudo se torna objeto de consumo

Giovana Cerantola - Editado por Andrieli Torres
Foto: Reprodução/Acervo pessoal de Giovana Cerantola
É notório que, atualmente, a dominação moderna da massificação se dá por meio da indústria cultural, teoria proposta pelos filósofos da Escola de Frankfurt; Theodor Adorno e Max Horkeimer, em que tudo se torna objeto de consumo para satisfazer as necessidades de produção de uma indústria capitalista. Nesse sentido, o mundo do consumo literário não conseguiu ficar de fora e também sofreu os efeitos gerados pelo mercado consumidor.

Esse processo não aconteceu do dia para a noite. Alguns fatores foram determinantes, colocaram empecilhos e fizeram com que a literatura se tornasse alvo das técnicas de marketing da indústria e tivesse um amplo mercado para alimentá-la. Em retrato, o mecanismo de desvalorização de uma das vertentes da literatura pode ser observado nas escolas, diante da abordagem realizada pelas instituições.

Comumente, as leituras propostas em aula envolvem obras literárias clássicas que apresentam linguagem mais rebuscada, um contexto histórico distante do atual e, por vezes, pouco incentivo e interesse para que os alunos mergulhem na trama. A partir desse ponto, muitos estudantes se desinteressam pela leitura, visto que, além de tudo isso, também envolve a obrigatoriedade de leitura por causa da cobrança nos vestibulares.

Na mesma velocidade que cai o desinteresse pelos clássicos, o leitor começa a se entreter com um novo tipo de leitura. Por ter uma escrita mais fluida e dinâmica, a literatura de massa vem ganhando destaque. Essa leitura agrega algum tipo de aproveitamento para quem a lê. Best-sellers são vistos com diversas finalidades; para uns se tornou um ponto de fuga da realidade, para outros é a melhor opção nos momentos de lazer, e tem também os que utilizam dela para se conectar com o momento atual, aproximando-se de um enredo moderno.

Perspicaz nas problemáticas envolvidas, o mecanismo da indústria cultural entende que literatura de massa para determinados públicos, têm sido o subterfúgio encontrado para manter o mercado consumidor ativo.

Pode-se dizer que não existe uma única resposta certa. A literatura de massa pode ser de fato um mecanismo que a indústria cultural impõe para a alienação do público, que por meio de técnicas de marketing, alimenta o mercado de consumo e possibilita para os leitores uma fuga diante da realidade em que estão inseridos. Por outro lado, e na mesma frequência, a massificação pode ser apenas o momento de diversão e entretenimento dos leitores, que usam dela como válvula de escape de outros tipos de literatura, como das obras clássicas.

Desse modo, fica nítido que é impossível colocar grandes obras clássicas e de massa em oposição para obter a resposta qual delas é a melhor. Simplesmente, existem opiniões diferentes e públicos consumidores muito distintos.

Isso não quer dizer que literatura clássica seja intediante ou que literatura de massa seja ruim. Cada leitor apresenta a sua própria opinião sobre o assunto, o que difere as duas são as suas características, o modo como são avaliadas e criticadas e o momento em que são lidas. Não é só porque você não se encaixa em um tipo específico de literatura, que isso te faz menos leitor. Todo tipo de leitura é válida.

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