04/02/2021 às 23h54min - Atualizada em 04/02/2021 às 22h48min

A realidade por trás da insegurança

Depois de enfrentarem o ensino remoto, professores encaram novo método para as aulas presenciais

Bianca Nascimento - Editado por Gustavo Henrique Araújo
Foto: Reprodução/Freepik
De repente, o canetão e o giz foram substituídos pelo mouse e o teclado como recurso para enfrentar a situação vivenciada pelos educadores no começo da pandemia do novo coronavírus. O desafio apresentou grandes mudanças no calendário escolar, devido ao replanejamento diante de uma realidade que pegou todos de surpresa.

Enquanto isso, o medo e a insegurança permeavam a mente dos docentes, que precisaram usar a imaginação e a criatividade para produzirem conteúdo. Mesmo não sendo influenciadores digitais, mas carregando o título de influenciadores da vida, inovaram o método de ensino e conseguiram reverter a situação, como sempre fazem, prosseguindo em frente, em busca de oferecer o melhor ensino para todos os alunos.

O ambiente de sala de aula, com diferentes tons de vozes falando ao mesmo tempo, foi modificado para o virtual, que, por sua vez, alterou o rosto físico dos estudantes por fotos e as vozes por microfones desligados, transformando a interatividade em ausência.

De um lado, estavam os professores que já dominavam os recursos tecnológicos; do outro, a grande maioria, que foi desafiada a aprender, para depois ensinar. No entanto, os dois lados se juntaram, tornando-se únicos, o que contribuiu para a aprendizagem dos alunos e dos próprios docentes.

A realidade para Denise Grigorenciuc, professora do segundo ano da educação básica na EMEB Olegário José de Godoy, localizada em São Bernardo do Campo, chegou de forma repentina, mas com muita dificuldade. A entrevistada argumenta que se não fosse a ajuda da sua filha para a produção dos conteúdos e do auxílio para os meios tecnológicos, certamente não conseguiria transmitir suas ideias para o modelo remoto.

Além dos desafios e das limitações, um grande problema enfrentado foi o cansaço físico e mental dominado pelo excesso de trabalho que não permitia ao menos um descanso. O tempo passava tão depressa que a rotina dos educadores baseava-se em: planejamento, produção, atuação e preocupação.

“Todos os professoras tem reclamado de insônia e de estresse, porque é um período que trabalhamos demais. Ficamos muito tempo atendendo alunos, procurando cada um para não deixar ninguém de fora das atividades”, relata Denise.

Contudo, com a chegada das férias escolares, o momento para o lazer era propício, a não ser pelo sistema indefinido de volta às aulas, que novamente causava calafrios e fadiga só em pensar que mais uma batalha estava à frente para ser vencida, sem saber ao menos quais seriam os métodos de defesa.

 No estado de São Paulo, as escolas da rede estadual foram autorizadas a iniciar o ano letivo com atividades presenciais a partir do dia 8 de fevereiro. A notícia gerou grande desconforto e questionamento para alguns professores que não concordaram com a retomada antes de serem vacinados.

Ambientes fechados e mal ventilados, falta de segurança, aglomeração, protocolo de higienização descumprido e transmissão do vírus, esses são alguns dos motivos que dão insegurança aos docentes, revelando o novo sistema de ensino que será encarado. A única motivação é a esperança de que novamente poderão estar ao lado dos alunos, mesmo que de longe. Os abraços já não serão permitidos, mas o ensino continuará sendo transmitido; e esse, nem o vírus consegue deter. 

 

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