09/02/2021 às 18h56min - Atualizada em 09/02/2021 às 18h34min

Startups Unicórnios: Uma tendência para o futuro

Algumas startups já ultrapassaram a casa dos bilhões de dólares em valor de mercado. Vamos descobrir como elas alcançaram estes números e quais são as perspectivas para o futuro

Leonardo Leão - Editado por Camilla Soares
 As políticas adotadas por bancos centrais em diversos países, dentre outros fatores no mercado, estimulou o crescimento de inúmeras startups pelo planeta. Algumas delas se destacaram a ponto de ultrapassar US$ 1 bilhão em valor de mercado, elas são chamadas de unicórnios devido à sua raridade. Esses unicórnios vem dividindo opiniões no mercado, alguns especialistas defendem que essas startups alcançaram esses valores pelo potencial que elas apresentam, já outros veem nelas um exemplo de uma bolha econômica.

 Startups são "jovens empresas" que trazem novos modelos de negócios e novas tecnologias para um determinado setor. Segundo o Ranking feito pela StartupBlink, os Estados Unidos, Reino Unido e Israel são os países com o melhor ecossistema de startups do mundo. Nesse mesmo ranking, o Brasil aparece em 20°, é a melhor colocação de um país latino-americano. O relatório também analisou o ecossistema de 1000 cidades pelo planeta, dentre as dez melhores, quatro são americanas, com a cidade de São Francisco, Califórnia na liderança. São Paulo é a melhor do Brasil no ranking em 18° lugar.

 Esse é um modelo que vem crescendo nos últimos anos mas ainda sob muita desconfiança. A velocidade em que algumas dessas startups vem crescendo, está deixando alguns investidores com o pé atrás. O consultor Celso Tatsch explica que esse ceticismo é baseado na dúvida em relação a capacidade dessas empresas em gerar retorno aos acionistas.

 Celso afirma quem os resultados nos múltiplos dessas empresas não significa que o mercado age de forma irracional, o que ocorre é uma valorização da capacidade de inovação e dominação de setores e serviços. Ele cita o exemplo da Uber que passou quase 1 ano e meio na NYSE (New York Stock Exchange) com suas ações sendo negociadas abaixo do valor de IPO, mas a partir do final de 2020 tiveram um salto e permanece crescendo. O consultor também menciona o caso do Nubank que era visto com ceticismo por muitos analistas, mas atualmente é a quarta maior instituição financeira da América Latina com 34 milhões de correntistas.

 Partindo da ideia de que o objetivo de uma startup é inovar o ambiente de negócios, os valores relacionados à essas empresas devem ser analisados de uma forma diferente. “O valor dessas empresas baseia-se numa expectativa de forte crescimento e posterior retorno do que poderá ser gerado com seu tamanho” afirma Celso Tatsch. Ele relembra a aquisição do aplicativo WhatsApp feita pelo Facebook em fevereiro de 2014, no valor de 16 bilhões de dólares. Pode parecer caro demais por um aplicativo gratuito, mas se levar em consideração que os seus usuários equivale de 6% a 8% da população mundial naquele ano, a forma correta de avaliar essa compra é, quanto vale o aplicativo de comunicação com tamanha base de usuários?

 Para Celso é difícil definir se uma startup é ou não promissora devido a algumas variáveis como a aceitação do usuário, momento do lançamento do produto, disposição dos investidores em apostarem na ideia e a barreiras de entrada para novos competidores. Mas algumas dessas startups, como o Facebook e Amazon, crescem até se tornarem grandes empresas referencias em seus setores de atuação.

 O analista cita alguns exemplos de startups que se comprovaram promissoras como a Uber e a AirBnb que são praticamente monopólios em seus setores, ambas trouxeram inovações e possuem uma penetração global, conquistaram uma aceitação repentina do público. Outra empresa lembrada por ele foi o Snapchat que mesmo depois de sofrer com imitações por parte de seus concorrentes, como Facebook e Instagram, os valores de suas ações sairão da estagnação e começaram a subir. Um dos motivos para esse crescimento é o anúncio da expansão de produtos e serviços oferecidos pela empresa.

 Ele também destacou os exemplos menos promissores como a WeWork, que é uma startup de aluguel de espaços de escritórios que sofreu com uma série de escândalos até se transformar em um case de insucesso. Outro caso citado foi o da Beyond Meat Inc é uma FoodTech que imita proteína animal tendo por base insumos vegetais. A ideia é deixar de lado o modelo tradicional, a pecuária. Porém ela vem sofrendo com a aceitação dos usuários.

 Estados Unidos e China são duas grandes potências no ramo das startups. Os dois países são os que possuem a maior quantidade de unicórnios no planeta. Mas o Brasil também se destaca, principalmente em sua região, é o país latino-americano com mais unicórnios, 15 no total. Com um ecossistema em desenvolvimento e com empreendedores experientes, o Brasil vem chamando a atenção de investidores e fundos internacionais. Como é o caso da SoftBank que é responsável por grande parte dos unicórnios no país. Celso acredita que as startups unicórnios serão uma tendência, “conforme a riqueza do mundo aumenta, o número de unicórnios cresce junto”.

 


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