18/02/2021 às 16h50min - Atualizada em 18/02/2021 às 16h48min

Após declarações machistas, presidente do Comitê dos jogos Olímpicos de Tóquio renuncia ao cargo

Ex-atleta olímpica assume a presidência

Gustavo Osorio - editado por Thamyres Pontes
Yoshiro Mori em discurso de renúncia do cargo de presidente do Comitê dos Jogos de Tóquio / Foto: Yoshikazu Tsuno
 
Durante uma reunião do Comitê Organizador das Olimpíadas do Japão aberta para a imprensa, na quarta-feira, dia três de fevereiro, o presidente Yoshiro Mori fez declarações machistas. Após sofrer pressão de manifestantes, renunciou ao cargo faltando cerca de seis meses para o início dos jogos olímpicos.
 
Yoshiro Mori, 83 anos, já atuou como primeiro-ministro japonês durante um ano, no começo dos anos 2000 até 2001, e desde então chamava atenção com seus discursos.  Desde a criação do Comitê da Organização dos Jogos, em 2014, se tornou o presidente e administrava a capital do Japão para ter a infraestrutura capaz de sustentar as Olimpíadas e Paraolimpíadas. 
 
Contudo, nesses anos como presidente, apresentou algumas declarações que não agradavam a população. Como por exemplo, um dia antes, Yoshiro Mori falou que as Olimpíadas, já adiada uma vez, irá acontecer “independente da evolução da pandemia”. Tendo em vista que a maioria dos japoneses defendem que os jogos sejam cancelados ou transferidos mais uma vez.  
 
Em seu último discurso, o ex-presidente falou a respeito da participação das mulheres nas reuniões do comitê organizacional das Olimpíadas e Paraolimpíadas. Na declaração, Yoshiro Mori disse que trabalhar com mulheres podia ser irritante porque elas falam demais .“Os conselhos de administração com muitas mulheres levam muito tempo. Se você aumenta o número de membros executivos femininos, e se seu tempo de palavra não estiver limitado em certa medida, terão dificuldades para terminar, o que é irritante”,  disse Yoshiro Mori. 
 
Depois dessa fala, ocorreram muitas críticas, de atletas como Naomi Osaka, principal tenista do Japão. Além disso, na política japonesa, houve manifestação na Câmara dos Representantes, com roupas branca e rosa. Após muitas críticas, Mori, pediu desculpas em entrevista coletiva, em Tóquio. “As declarações vão contra o espírito dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos, e, portanto, são inapropriadas” e ainda “ Gostaria de retirar tudo que disse”.
 
Diante de tantas manifestações, Yoshiro Mori renunciou à presidência no dia 12 de fevereiro. Por outro lado, havia dúvida sobre quem tomaria posse. Segundo Toshiro Muto, o presidente-executivo do comitê declarou que a decisão seria tomada por um grupo composto por homens e mulheres. 
 
Com isso, na manhã desta quinta-feira (18), faltando apenas cinco meses para o início das olimpíadas, Seiko Hashimoto assumiu a presidência do Comitê Organizador dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos. A ex-atleta olímpico participou dos jogos de verão e inverno nos anos de 1980 e 1990, quando ganhou medalha de bronze na patinação, com velocidade de 1.500 metros, nas Olimpíadas de Inverno de 1992
 
Além disso, a atual presidente estava desde 1995 na política japonesa, atuando na Câmara Alta do Parlamento do Japão. No entanto, teve que deixar os cargos de ministra do gabinete japonês e igualdade de gênero, para tomar posse do novo cargo. 
 
Em suma, Seiko Hashimoto declarou que não medirá esforços para o sucesso dos Jogos de Tóquio. Por fim, as olimpíadas terão início no dia 23 de julho com sua abertura, visto que foi adiada devido a pandemia do novo coronavírus, e terá seu fim em 8 de agosto.


























 


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