05/03/2021 às 05h46min - Atualizada em 05/03/2021 às 05h34min

O negro também pode

O legado de três juízas negras brasileiras inspira reflexão sobre a luta contra o racismo no país

Sheyla Ferraz - Editado por Gustavo Henrique Araújo
Foto/Reprodução: Escotilha
Na noite do dia 23 de fevereiro de 2021, o Brasil se despediu da primeira juíza do país, Mary Aguiar, que encerrou sua missão aos 95 anos. Formou-se pela Universidade Federal da Bahia (UFBA) em 1952; dois anos mais tarde, ela se tornou promotora e, em 1962, iniciou sua carreira como juíza. A causa de sua morte ainda não foi divulgada.

Além de Mary, no Brasil temos mais duas grandes representantes negras que alcançaram o poder, são elas: Alexandrina Almeida Santos e Luislinda Valois. Unindo a trajetória dessas três grandes mulheres, podemos suscitar diversas reflexões e debates a respeito da representatividade negra na história do país.

A trajetória dos negros é marcada por inúmeros desafios diários. Ao longo dos anos, em combate real contra o racismo, temos nos deparado com ações sutis de preconceito racial, no embrulho de falas e expressões cotidianas. Sem contar a discriminação direta por meio da exclusão pela cor da pele em vários âmbitos sociais.

São dias de luta e dias de glória seguidos de muito suor no rosto, sinal de uma luta incansável contra o preconceito. Possuir a medalha de honra ao mérito sempre foi uma conquista difícil para os negros, mas não se pode perder a determinação, é preciso usá-la como impulso para continuar fazendo história, ainda que no universo do racismo a cor da pele seja fator determinante, capaz de medir cruelmente a capacidade de um ser humano pela melanina.

O negro é tão livre quanto o branco. É tão capaz quanto. Ser negro não impõe condenação. A cor da pele negra não pode ser estereótipo para “identificar” bandido... Suas histórias de vida não podem ser interrompidas, há um grito de protesto que continua ecoando: “vidas negras importam”.

A esperança está na educação. Quando abraçada de verdade, ela respalda o indivíduo a se inserir onde ele quiser. Essa foi também uma fala de desfecho de um relato de vida pessoal que a juíza Luislinda Valois deu em um programa da rede Globo, em que a desembargadora diz: “Quem quiser saber como é ser negro no Brasil, fique negro apenas 24h... O único instrumento de transformação para nós virarmos esta situação toda que está aí, posta não somente no Brasil, mas no mundo, é a educação. Educação de qualidade e continuada."

A exemplo dos legados deixados por essas juízas, observamos que a biografia de vida que elas carregam imprime uma nova realidade sobre os negros, mostrando por meio de seus próprios passos que, independente da raça, o triunfo é para quem luta e merece chegar até ele.

Que as gerações futuras desfrutem de um Brasil que aprendeu a respeitar, a não ver de maneira desigual e a não julgar o outro por causa da cor da sua pele. Toda luta do presente valerá pelas grandes conquistas que teremos no futuro.

 

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