29/03/2021 às 12h54min - Atualizada em 29/03/2021 às 11h37min

Recrutas do crime organizado

Segundo dados da Polícia Federal, mais de 200 mil imigrantes venezuelanos entraram no Brasil desde 2017

Bruna Gomes - Editor: Ronerson Pinheiro
Foto: Penitenciária Agrícola já foi palco de chacina durante briga entre membros de facções - Reprodução: Nilzete Franco/FolhaBV
Em fevereiro deste ano, o Ministério Público de Roraima (MP-RR) apresentou denúncias sobre o envolvimento de venezuelanos no crime organizado no estado. Segundo o manifesto, mais de 700 imigrantes integram a facção. A articulação teria ocorrido entre o Primeiro Comando da Capital (PCC) e Trem de Aragua, grupo criminoso atuante na Venezuela.

A Polícia Federal também tem investigado o aliciamento desses imigrantes para o PCC, e constatou que cada vez mais venezuelanos ocupam cargos de chefia no estado. Na cadeia os imigrantes são seduzidos pelo crime organizado com promessas de proteção, riqueza e vida mais confortável. Para entrar no grupo, o venezuelano tem que ser indicado por um padrinho brasileiro para ser, depois, batizado.

Com a crise política, econômica e social na Venezuela, o fluxo migratório de venezuelanos para outros países da América do Sul cresceu nos últimos anos. Segundo dados da Polícia Federal, mais de 200 mil imigrantes entraram no Brasil desde 2017. Dados divulgados pela Secretaria de Segurança Pública do Estado de Roraima (SSP/RR), mostram que pelo menos 350 venezuelanos estão presos no sistema prisional do estado. Esse número simboliza cerca de 12% dos 3 mil detentos que cumprem pena. Entre os dias 9 e 10 de fevereiro foram registrados quatro homicídios de venezuelanos na capital. Os assassinatos aconteceram em plena luz do dia, o que chamou atenção da população. A Polícia Civil de Roraima investiga os casos e acredita que a sequência tenha relação com tráfico de drogas.

Crise no Sistema Penitenciário Roraimense

A presença de membros de facções internacionais nos presídios de Roraima foi constatada pela primeira vez em 2013, segundo investigações do Ministério Público. No fim de 2016 e início de 2017, a Penitenciária Agrícola de Monte Cristo (PAMC), foi palco de chacinas resultantes da briga entre detentos do Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho. As mortes chocaram o país e foram noticiadas em jornais internacionais. 

No final de 2018, a procuradora-geral da República, Raquel Dodge, protocolou um pedido de intervenção federal nos presídios do estado. Desde então, a Força Nacional trabalha em conjunto com agentes penais da Secretaria de Justiça e Cidadania (Sejuc), na segurança da cadeia pública, localizada na capital Boa Vista e na Penitenciária Agrícola de Monte Cristo (PAMC).

O que dizem especialistas?

Segundo a especialista em Segurança Pública, Carla Domingues, muitos dos imigrantes que entram no Brasil não precisam apresentar documentos de antecedentes criminais e isso facilita a vinda de criminosos para o estado. “Muitos desses imigrantes entram para o crime aqui em Roraima. Eles já integram grupos criminosos na Venezuela, seja no tráfico de drogas ou em outras áreas.”, explica. Carla Domingues ressaltou que o estado deve agir de maneira preventiva e realizar ações que combatam o crime em Roraima. “As autoridades devem trabalhar de forma intensa na fronteira e realizar uma maior fiscalização para combater o tráfico de drogas e de armas aqui no estado.”, finaliza.


Editora-chefe: Lavínia Carvalho. 

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