09/04/2021 às 00h00min - Atualizada em 09/04/2021 às 00h01min

Recorde no número de desempregados em 2020 pode ser ultrapassado em 2021

Especialistas preveem aumento na taxa de desemprego até o final do ano

Giovanna Toledo - Editado por Júlio Sousa
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De acordo com dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE), o desemprego atingiu 14,6% da população no terceiro semestre de 2020, encerrado em setembro. Foi o pior resultado, neste mesmo período, desde que a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), foi iniciada em 2012 pelo IBGE. 

 

Segundo Matheus Albergaria, professor de economia na Universidade de São Paulo (USP), é difícil falar sobre magnitudes precisas sobre o desemprego, porém, "deve aumentar, a curto e médio prazo". Nesse sentido, uma pesquisa feita pelo Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV IBRE), indica que o índice de desemprego ficará em 15,6%,  na média anual de 2021. 

 

Para o professor, a influência da pandemia em variáveis macroeconômicas, como a taxa de desemprego, 'é clara'. Isso porque, os custos das empresas foram comprometidos e, consequentemente, a produção agregada da economia, medida a partir do Produto Interno Bruto (PIB) ou da produção industrial, foi afetada. Ele também diz que as medidas dos governos para tentar minimizar os efeitos do coronavírus, principalmente no início, "faz com que esse efeito seja exacerbado, e por isso, o desemprego tende a aumentar ainda mais".

 

Conforme dados do IBGE, foram fechadas 883 mil vagas de emprego no terceiro trimestre de 2020. "Em termos técnicos, os economistas dizem que a pandemia aumentou a capacidade ociosa da economia", explica Matheus Albergaria. Dessa forma, ao mesmo tempo em que o número de empregos diminuiu, com a flexibilização das medidas restritivas, mais pessoas foram em busca de trabalho. E nesse sentido, "hoje no Brasil, existe o desemprego involuntário, que acontece quando os trabalhadores estão dispostos a trabalhar mas não conseguem encontrar vagas de emprego", complementa.

 

As consequências de uma alta taxa de desemprego no país não são boas, principalmente, para a economia. Matheus cita o aumento da pobreza de uma parcela da sociedade, o aumento da desigualdade social e a probabilidade das taxas de criminalidade aumentarem como alguns dos efeitos adversos. Além disso, “faz com que alguns trabalhadores sofram aquilo que os economistas chamam de desalento, ou seja, os trabalhadores param de buscar emprego” complementa.

 

Segundo uma pesquisa feita pelo IBGE, no ano de 2020, o número de pessoas desalentadas chegou a mais de 5,9 milhões. Os considerados desalentados são pessoas que estavam sem trabalho e não estavam  procurando nos 30 dias anteriores à pesquisa, entre eles, jovens sem classificação, idosos com baixa escolaridade e outros. Quem não está procurando emprego, não entra nas estatísticas, logo, não pressiona o mercado de trabalho.

Existem algumas formas para reduzir o número de desempregados, uma delas é a partir das chamadas políticas econômicas do governo. “Por exemplo, a política fiscal, que faz uso de impostos e gastos governamentais, ou a política monetária efetuada basicamente pelo banco central”, explica o professor. Já os programas de assistência governamental, como por exemplo, o auxílio emergencial, no qual o governo dá dinheiro para pessoas que precisam, são muito bem vindos agora mas, de acordo com Matheus, "não são a solução total do problema”.

Segundo ele, para que tenha menos desperdício na economia e mais políticas bem pensadas, seria necessário um maior grau de coordenação entre as distintas esferas do governo, sejam municipais, estaduais e principalmente, o federal.

Referências

Fabiana Futema. Desemprego deve subir em 2021 e a culpa não é só do fim do auxílio – entenda. 6 minutos. 21/12/2020. Disponível em: https://6minutos.uol.com.br/economia/desemprego-deve-subir-em-2021-e-a-culpa-nao-e-so-do-fim-do-auxilio-entenda/?amp . Acesso em 09/04/2021.

Estadão Conteúdo. Para economistas, desemprego no Brasil pode ir a 17% em 2021. Infomoney. 28/11/2020. Disponível em: https://www.infomoney.com.br/economia/para-economistas-desemprego-no-brasil-pode-ir-a-17-em-2021/ . Acesso em 09/04/2021.

Gabriel Vasconcelos. Número de desalentados bate recorde e chega a 5,9 milhões, mostra IBGE. 27/11/2020. Valor Econômico. https://www.google.com/amp/s/valor.globo.com/google/amp/brasil/noticia/2020/11/27/numero-de-desalentados-bate-recorde-e-chega-a-59-milhoes-mostra-ibge.ghtml. Acesso em 09/04/2021.

 

 

 

 

 

 

 




 

 


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