24/04/2021 às 01h34min - Atualizada em 24/04/2021 às 00h16min

Falta expressão entre as telas

O falso diálogo causado pelas redes sociais

Bianca Nascimento - Editado por Gustavo Henrique Araújo
Foto/Reprodução: Freepik
De repente o diálogo se tornou apenas uma conversa monótona. Observo como a tecnologia tem avançado e o distanciamento entre as pessoas também. Nesse momento não estou me referindo a pandemia do coronavírus, mas faço uma breve reflexão da comunicação entre as telas.
 
As conversas já não são cultivadas como eram antes.  Me lembro bem de tagarelar o dia inteiro quando era criança, estudante do Ensino Fundamental. Eram tantos discursos que as palavras se perdiam entre os assuntos que eram mudados em questão de segundos. Naquele período a interação era tão presente que o percurso do ônibus da escola para a estação de trem era o suficiente para colocar os temas mais comentados da semana em dia. Não era necessário muito para desenvolver uma conversa.
 
Hoje em dia, pouco se conversa ‘olho no olho’, já não existe tempo para isso. São tantas tarefas para desempenhar que ouvir o que o outro tem a dizer não é mais interessante do que acompanhar as fofocas de um reality show através das redes sociais.
 
Cadê a empatia? Envio mensagem, mas ela não me responde, onde poderei encontrá-la senão na lembrança do passado quando conversava comigo?
 
Sinto falta mesmo é de contemplar as emoções que afloram quando duas pessoas se expressam frente a frente, em tempo real e sem barreiras. O diálogo permite isso, ver e analisar os sentimentos que estão por trás do indivíduo, lá onde as telas não são capazes de capturar.
 
No ambiente tecnológico não há espaço para a capacitação de expressões e emoções. É difícil identificar o que se esconde na mera conexão. O ser humano é uma espécie de quebra-cabeça que exige tempo para ser decifrado.
 
O falso diálogo desenvolve a sensação de estar submerso a uma conversa infinita, mas a verdade é que existe uma ilusão de achar que por estar em um ambiente de conectividade digital e de troca de mensagens, todas as ferramentas importantes para desenvolver uma boa comunicação estão sendo colocadas em prática, quando na realidade é bem diferente.
 
Causa-me uma sensação estranha saber que em outro momento o valor estava na presença, mas agora encontra-se no virtual, no que existe em potência, podendo ser ou não real.
 
Será que as conversas no virtual transmitem realmente o que as pessoas querem se expressar?
 
Fico com um pé atrás, fui acostumada com o jeito tradicional de observar o comportamento e chegar à conclusão de que o corpo fala mais que o que a boca tem a dizer.
 
O meu medo é estar cercada cada vez mais da tecnologia e menos das pessoas. Permito-me acreditar nas palavras de Sherry Turkle, professora de Estudos Sociais de Ciência e Tecnologia do MIT, “a tecnologia é um meio extraordinário, mas nada é capaz, adverte Turkle, de substituir uma comunicação em pessoa e os benefícios que traz."

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