25/04/2021 às 17h24min - Atualizada em 25/04/2021 às 16h14min

Permanência da Força Nacional em Roraima é prorrogada por mais seis meses

Inicialmente, foram enviados 32 militares da Força Nacional para Roraima, desde então, a permanência dos agentes foi prorrogada mais de oito vezes

Bruna Gomes - Editor: Ronerson Pinheiro
Foto: Força Nacional atua no estado desde 2018 - Reprodução: Inaê Brandão/G1/Arquivo

No último dia 19 deste mês, o Ministério da Justiça prorrogou por mais 180 dias a permanência de agentes da Força Nacional em Roraima. A portaria, que foi assinada pelo ministro Anderson Torres, garantirá a atuação dos policiais nacionais até outubro de 2021. A medida tem o intuito de reforçar a segurança do Estado.
 
O efetivo vai trabalhar em “apoio aos órgãos de segurança pública do estado de Roraima, para atuar nas atividades e nos serviços imprescindíveis à preservação da ordem pública e da incolumidade das pessoas e do patrimônio, em caráter episódico e planejado.”, diz a portaria do Ministério.
 
Em agosto de 2018, a ex-governadora de Roraima, Suely Campos, solicitou ao Ministério da Justiça que enviasse reforços para a segurança do Estado, que naquela época enfrentava um fluxo migratório sem controle no município de Pacaraima, região em que se encontra a fronteira entre Brasil e Venezuela. 
 
A medida foi uma das séries de ações que o então presidente do Brasil naquela época, Michel Temer, adotou para controlar o intenso fluxo migratório que Roraima recebia. Inicialmente, foram enviados 32 militares da Força Nacional para Roraima, desde então, a permanência dos agentes foi prorrogada mais de oito vezes. Ao longo desses quase três anos que a Força Nacional atua na segurança, o número de agentes que chegaram a Roraima triplicou. Hoje, pelo menos 160 policiais nacionais atuam na segurança pública do estado e cerca de 60 deles na capital Boa Vista. 
 
Segurança em Roraima 
 
Segundo dados divulgados pelo Atlas da Violência, em 2020, Roraima atingiu a maior taxa de homicídios entre jovens, mulheres e pessoas negras do país no ano de 2019. O Estado registrou a taxa de 142,5 mortes por 100 mil habitantes, entre pessoas de 15 e 29 anos. Em números reais, foram 207 jovens assassinados. Este foi o índice mais elevado do país, ficando atrás do Rio Grande do Norte (119,3) e Ceará (118,4).
 
O contingente de policiais militares em Roraima é de aproximadamente 1500 homens. Em 2018 com o intuito de aumentar o número de soldados foi realizado o concurso da PMRR, o certame ofereceu 400 vagas. Apesar disso, somente em março de 2021, o governo convocou os aprovados. As aulas do curso de formação iniciaram em abril e até setembro eles devem concluir os treinamentos. 
 
Para a especialista em segurança pública Carla Domingues, as autoridades devem promover expansão das forças militares em todos os pontos da capital, devido à presença de facções criminosas que atuam em Roraima. “Hoje nosso estado não possui efetivo suficiente para atuar aqui. A Força Nacional é de extrema importância porque eles ajudam no patrulhamento preventivo e extensivo.”, destacou.

Segundo a especialista, o estado não tem efetivos suficientes para controlar a criminalidade na capital que cresceu significativamente nos últimos anos. “As autoridades devem atuar de forma preventiva ao crime organizado, muito precisa ser feito na área da segurança aqui em Roraima, O estado deve trabalhar com políticas públicas para jovens e investir nas políticas de segurança pública.”, finalizou Domingues.
 
Com a prorrogação da portaria, a Força Nacional deve continuar no Estado por mais seis meses e caso necessário, uma nova prorrogação pode ser solicitada pelos governantes ou pelo próprio Ministério da Justiça.
 
Até o fechamento desta reportagem, não obtivemos respostas da Assessoria de Imprensa do governo do Estado de Roraima.


Editora-chefe: Lavínia Carvalho 


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