01/06/2021 às 17h43min - Atualizada em 01/06/2021 às 17h38min

90 anos do mestre do Jornalismo: Zuenir Ventura

Em junho de 2021, o jornalista mineiro celebrou os seus 90 anos de idade

Isabel Dourado - Editado por Talyta Brito
Reprodução/ Jornal O Globo

“Eu vivi os anos dourados, eu vivi os anos rebeldes, os anos de chumbo. Agora, se eu tivesse que dar nome aos tempos de agora eu ia dizer que é os ‘anos descarados’,do cinismo e do deboche, né?” Foi dessa forma que o jornalista Zuenir Ventura descreveu os anos de 2020 e 2021 a rádio CBN. Segundo ele, um dos períodos mais difíceis da sua vida.

Nascido em Além Paraíba, Minas Gerais, no dia 1 de junho de 1931, o jornalista completou em 2021, 90 anos de idade. Mudou-se para o Rio de Janeiro com a família quando tinha 11 anos. Formado pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), ele passou por diversos veículos e ao longo da carreira fez importantes coberturas jornalísticas.

 
Com mais de 60 anos de profissão, Zuenir Ventura escreveu diversas obras premiadas, como “Cidade Partida'', 1994. “Minhas histórias dos outros”, “Inveja: mal secreto”, “1968: o ano que não terminou”, “Sagrada família'', “Conversa sobre o tempo” escrito com Luís Fernando Veríssimo, dentre tantas outras obras. 
 

Quando escreveu o livro “1968: o ano que não terminou”, o jornalista estava em Paris. De volta ao Brasil ele foi preso quando o AI-5, ato mais repressivo da ditadura militar, foi implantado. Ficou encarcerado por três meses. As 48 edições do livro já superaram mais de 400 mil exemplares vendidos. Em Cidade Partida, Zuenir reúne histórias sobre a violência no Rio de Janeiro. Durante dez meses ele frequentou a favela de Vigário Geral no mesmo tempo que acompanhava a mobilização da sociedade civil. Ele faz um relato da guerra, no qual  a violência passou a fazer parte do cotidiano.
 

 Zuenir Ventura vivenciou períodos marcantes do Brasil com a longa carreira de  jornalista e escritor. Conhecido pelo seu bom-humor e ar piadista, jamais perde o otimismo. Fez a cobertura do assassinato do ambientalista Chico Mendes, no final da década de 1980. O jornalista que vivenciou uma situação em que os manuais de redação recomendam que jamais deve acontecer: a interferência na história. O jornalista levou um jovem de 13 anos para a sua casa no Rio de Janeiro, pois o garoto foi a única testemunha do assassinato do ambientalista.


Em entrevista ao jornal O Globo, o jornalista considera que mesmo tendo completado 90 anos com saúde e já vacinado com as duas doses contra a covid-19 ele diz que os tempos atuais que o Brasil são os piores da história. Em comemoração aos 90 anos de idade ele relança o livro: Minhas histórias dos outros, pela Companhia das Letras. O livro foi lançado em 2005. Na obra ele relembra momentos emblemáticos da carreira como jornalista, e traz episódios marcantes, cita na obra até nomes como Nelson Rodrigues. Além de contar as recordações pessoais e coletivas.
 






 
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