04/06/2021 às 12h21min - Atualizada em 04/06/2021 às 12h20min

A pirataria de livros nacionais e o acesso a cultura e conhecimento no nosso sistema

Ana Beatriz Diogo Rodrigues - Editado por Talyta Brito
jcomp

O hábito de leitura, ou a falta dele, é um problema enfrentado pelos brasileiros. A falta de incentivo e, principalmente, a desigualdade social são fatores que influenciam negativamente essa questão. A democratização ao acesso à cultura ainda é uma utopia para a nossa sociedade e isso revela uma grande falha no nosso sistema. Desse modo, muitas pessoas utilizam formas ilegais para conseguirem ler a pirataria.

A pesquisa “Retratos da leitura no Brasil”, realizada entre outubro de 2019 e janeiro de 2020, revela que apenas 52% dos brasileiros possuem o hábito da leitura. E há vários motivos para que isso ocorra, como a desigualdade social citada anteriormente. Além disso, o preço das obras afeta também. O custo do livro é composto por diversas despesas, como os direitos autorais, custos industriais e até uma margem de lucro para as livrarias.

            Nos últimos anos, o mercado de livros digitais aumentou no Brasil, pela facilidade. Porém, ainda há aqueles que preferem ter o livro em mãos para ler. O número um em vendas de livros digitais é a Amazon, que também conquistou os amantes de livros físicos por menores preços e frete grátis. Muitas pessoas publicam seus livros nessas plataformas e assim conseguem tornar isso seu trabalho.

            No entanto, esses escritores sofrem com a distribuição ilegal de seus livros. Ultimamente, encontrar o arquivo de um livro na internet não é uma tarefa muito difícil.  A pirataria vem sendo recorrente e sempre há relatos no Twitter de autores que passaram por tal situação. Italo Anatércio, escritor dos livros O Inventor de Estações, Além da Floresta e ABAKABETH vivenciou tudo isso. No final de 2020, descobriu que seu livro vinha sendo pirateado. 



O escritor também relata que não achava provável sua obra ter passado por isso, por não ser um autor famoso no ramo de livros indie. “Mas, infelizmente meu livro estava lá como tantos outros”, afirma Italo. As obras intelectuais, no Brasil, são protegidas pela Lei 9.610/98 e a violação do direito autoral está no artigo 184 do Código Penal. É considerado violação quando há reprodução total ou parcial da obra, com lucro direto ou indireto. Para esse crime, há a possibilidade de ser punido com detenção, reclusão ou multa.

 

    Mesmo com essas punições, essa prática ilegal ainda é muito presente. Além de que há pessoas que não podem arcar com os preços de processos. Um exemplo de história assim é a escritora Morgana Tavares, criadora de várias histórias como  Desafio ou Desafio, Falso Paquera, Fofocas.com. Ela afirma que se sentiu impotente quando passou por isso. Hoje, mesmo sabendo que ainda há chances de passar por isso, carrega a missão de conversar sobre  esse assunto. “Mas o que posso fazer é me juntar com outros escritores e denunciar, tentar mostrar como isso nos afeta e nos prejudica”, disse Morgana. 

    

 

ALTERNATIVAS

 

  

Infelizmente, não há a possibilidade de extinguir com a pirataria do dia para a noite. É uma questão complexa e com a internet, fica ainda mais difícil de parar. Assim, a solução, hoje, é apresentar alternativas para que essa prática fique cada vez menos comum e a conscientização. Na própria Amazon, há vários livros grátis por dia e é possível ler pelo aplicativo Kindle, também de forma gratuita. Ler livros do domínio público também é uma boa opção. Para divulgar a literatura nacional e esses livros gratuitos, Iris Teles criou o projeto Divulga Nacional, que possui perfil no Instagram, Twitter e TikTok. Todos os dias, o projeto posta sobre as obras nacionais que estão grátis na Amazon. Iris afirma que “queria que o projeto fosse um portal, onde você achasse indicações de uma maneira fácil e para todos os gostos”.  O contexto de leitura no Brasil não é fácil, para leitores e nem para autores. A democratização do acesso ao lazer e ao conhecimento no país não é ideal e o sistema falha muito nesse quesito. Nossa missão é defender esse hábito e os criadores das obras também. 

 

Link
Notícias Relacionadas »
Comentários »