04/06/2021 às 16h38min - Atualizada em 04/06/2021 às 15h13min

Uma resenha de Percy Jackson e o ladrão de raios de Rick Riordan. Booktok, você está bem?

Quando uma série voltada para o público infantil continua sendo um sucesso entre os jovens, está na hora de investigar o motivo

Tamires Limurci - Editado por Brenda Freire
Divulgação/ Intrínseca

Minha relação com Percy Jackson é complicada. Na época que a saga virou filme, eu ainda não estava convencida que queria ler os livros de um menino e suas aventuras, mas acabei adorando a adaptação cinematográfica. Entretanto, depois de ouvir apenas pontos positivos, me rendi e decidi ler. Atualmente, é um dos meus favoritos. Para os amantes/contrários a adaptação ao cinema, é possível ler o livro e ignorar a sua existência quase como se fosse em dois mundos separados. Por mais que haja favoritismo da minha parte, com relação aos filmes, o livro é um quebra-cabeça completo, enquanto o filme apenas arranha a superfície.

"Olhe, eu não queria ser um meio-sangue. Se você está lendo isto porque acha que pode ser um, meu conselho é o seguinte: feche esse livro agora mesmo."
- Percy Jackson e os Olimpianos: O ladrão de raios


A história de Percy Jackson inicia quando, após uma série de trocas de escolas – sentindo-se deslocado em vários momentos – ele descobre que é um meio-sangue, ou seja, filho de um Deus grego com uma humana. Para o azar do protagonista e para a nossa felicidade, é prole de um dos Três Grandes: Zeus, Poseidon e Hades, mas  por um acordo firmado, não deveriam mais ter filhos semideuses. Partindo desse ponto, a narrativa adentra em um mundo onde tanto monstros, quanto Deuses, querem o matar, tornando-o  ponto central de uma profecia que o destina a salvar ou destruir o Olimpo, quando completar dezesseis anos.
 
A escrita do Rick Riordan é muito fluida e em muitos pontos me lembra Harry Potter, pela facilidade de entender a história real da Mitologia e a obra produzida pelo escritor. A narrativa engloba três personagens principais, sendo eles: Percy Jackson, Annabeth Chase e Grover Underwood. Dois deles são meio-sangues e um é um sátiro – metade humano, metade bode. A escolha dos pais imortais é um grande acerto na construção da história, visto que é legal adivinhar as características que cada um recebeu do seu preceptor e consequentemente, dos seus poderes. Sabendo que a mitologia grega possui um vasto acervo de lendas e tragédias entrelaçadas, o livro consegue explorar diversas situações que referenciam mitos e seus respectivos heróis. Isto é, não é uma simples história que utiliza da mitologia como pano de fundo, Riordan escreve de um modo que é possível acreditar que profecias, personagens e monstros existem e estão convivendo entre nós. 
 
Percy Jackson é um acerto desde sua primeira frase até o seu último livro. Criada como um conto de dormir para os filhos do escritor, a primeira parte da história lançada em 2005 se mantém tão recente quanto os livros lançados esse ano. Os maiores pontos da leitura são, com toda a certeza, a atenção aos detalhes em todas as partes, desde os personagens secundários até a construção de mundo - que mistura lugares reais, como  o Empire State Building e o Olimpo. Por mais que o trio seja os personagens principais, a composição da obra é construída de uma forma que todos os personagens têm suas características e histórias bem completas e definidas, tanto que mesmo com uma grande quantidade de pessoas, ainda é possível lembrar de todos que aparecem nos livros.

Outro ponto importante é o Acampamento Meio-Sangue e o seu desenvolvimento ao longo dos anos. Confesso que ao reler, me encontrei com a mesma sensação que sinto após uma longa viagem: sentimento de voltar para casa. Mesmo sendo um livro voltado ao público infanto-juvenil, as palavras escritas são para qualquer público, independente da idade. É também muito fácil se relacionar com os personagens, o que torna impossível ler e não se ver em algum deles. A amizade, lealdade, medos e inseguranças de crescer juntamente com os problemas fictícios, torna O Ladrão de Raios uma parte completa de uma saga de cinco partes. Assim, é simples entender o motivo que faz com que mesmo 16 anos após o seu lançamento, o livro é lido e relido várias vezes por amantes e por novos leitores.

Desse modo, Percy Jackson e o Ladrão de Raios é cinco estrelas e mais, na minha concepção. Com poucas falhas narrativas e quase nenhuma ponta solta, a história é um grande exemplo de ficção e uma aula para quem quer se aventurar na escrita. A construção de mundo e dos laços afetivos entre os personagens é algo que perdura nos seus anos e demonstra um talento no tratamento de assuntos não comuns em histórias infantis - como abandono parental e violência doméstica. O livro funciona como uma porta de entrada às ficções e à leitura. Quem não é acostumado a ler ou quer introduzir a leitura para crianças, o universo mitológico de Rick Riordan é uma boa pedida e, para aqueles como eu, que já são semideuses de coração: sejam bem-vindos novamente as colinas de morangos e ao caça-bandeiras.
 

 

 

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