11/06/2021 às 13h16min - Atualizada em 11/06/2021 às 13h06min

Como o romance na literatura infantil influencia na maneira de enxergar o amor

Karina Santos - Editado por Talyta Brito
Reprodução: internet
Um beijo capaz de acabar com um feitiço. Um sapatinho de cristal que permite casar com o amor da vida. Um sapo que vira príncipe e por aí vai. Desde crianças, um modelo de amor foi estabelecido, onde as mulheres devem achar seus príncipes e os homens, as suas princesas, á fim de viverem felizes para sempre. Mas a realidade é assim? Será que um dia você acorda e olha o príncipe encantando em um cavalo branco dizendo que quer ser feliz para sempre?



Os amores atuais
Ultimamente, é comum vermos casais que não se dão bem e terminam em poucos meses. Falta de conexão? Bom, pode-se levar em consideração que sim. Os casais atuais não se dão tempo de conhecimento e por isso, cada vez mais cresce o número de términos. Podemos analisar esse aspecto com o contexto da pandemia de coronavirus. Segundo o Colégio Notorial do Brasil (CNB), divórcios aumentaram 54% entre Maio e Julho de 2020. Pare para analisar, quantos ex-casais você conhece que mergulharam no relacionamento e hoje são completos estranhos?

 

“É muito comum, hoje em dia, ver casais namorando muito e casando pouco, namoros muito longos e casamentos muito curtos. Isso se deve à quebra de expectativa, em achar que o casamento vai ser melhor que o namoro, de que vai ser esse mar de rosas. A expectativa colocada em um local inexistente, é uma frustração." Diz a psicóloga, Gabriella Telles, à cerca do assunto.


A psicóloga explica o que acaba com esses relacionamentos:

“O que precisa ser feito em um relacionamento é a ação dia após dia para mantê-lo dentro do combinado com a pessoa. O dia à dia é um combinado de cada casal. A linguagem do amor, como gosta de ser tratado... O que deteriora uma relação é uma comunicação ruim. O que é nítido para mim não é para o outro.” Conclui.


A ilusão dos contos de fadas na vida de uma mulher

Há uma grande taxa de mulheres que estão em relacionamentos frustrados, pois os contos de fadas e a literatura em si criaram uma expectativa tão grande que esqueceram da realidade. Do acordo um com o outro; dos momentos felizes, tristes e com raiva; do amadurecimento e até mesmo do restante da vida. Todos querem viver o “felizes para sempre” , mas até chegarem lá, há um grande percurso para trilhar. Á cerca desse aspecto á psicóloga, especialista em casais, Thays Teixeira, explica:

“ A arte faz a gente esquecer as dores da realidade, então é muito mais fácil você colocar um casal que se conhece e se odeiam, até que de repente estão se amando e eles terminam bem, no final. Porque a gente joga isso para uma dimensão de que ‘poxa, se a arte imita a vida, então significa que em algum momento isso vai acontecer comigo então vou me direcionar para isso’, mas acontece que as mulheres são mais incentivadas a fazerem isso porque às vezes é a leitura vem para gente assim, a gente não começa a gostar de história, de ler, com física quântica . Tem aquele romance água com açúcar...aquela Saga Crepuscúlo... "


De certo modo e há muitos anos, mulheres sempre foram vistas como seres mais românticos que homens. O tabu de que homens não podem sentir e nem expressar, é a realidade de muitos hoje em dia. Do outro lado, mulheres sempre aprenderam á serem mais delicadas, românticas. A especialista conta sobre isso:

“Isso de que a mulher é romântica, foi criada na Grécia. Mas essa característica é de todo mundo, expressar amor, expressar a forma que a gente gosta, mas para a mulher é sempre muito diferente, a gente é completamente educada para serem cobradas expressões, expressar demais e os livros deixam isso bastante á mostra, mas ao mesmo tempo que eu acho isso problemático, eu também não acho isso ruim porque o livro não chega até uma adolescente uma criança sem ser pela mão de um adulto, então se isso não passa pelo crivo do adulto que é o responsável por aquele indivíduo no momento, ele não consegue dizer para aquela pessoa que não precisa ser assim.” Finaliza.


A problemática na vida pessoal

Há um perigo de levar essa narração das histórias contadas para a vida pessoal, muitas vezes é um reflexo de traumas que não foram trabalhados antigamente. Na história, tem uma construção: um vilão que não gosta do casal, o casal que se gosta mutualmente e um pivô que deixa a mocinha confusa. A terapeuta Thays, diz em relação ao assunto:

“ A maioria das mulheres levam isso para a vida real. É uma característica de uma pessoa que sofre tem algum transtorno e ela precisa prestar atenção para que isso não seja o norte na vida dela. Porque a vida não é só ter um romance. A vida é você conseguir vivê-la plenamente com saúde; com qualidade de vida; tendo amigos; tendo um bom relacionamento com a sua família e se você não tiver como ter um bom relacionamento com a família, mantém a distância segura; trabalhando você e sendo útil para o lugar onde você está. Não tem a ver só com o relacionamento que você está.”


O casal perfeito?

Alguns casais sentem necessidade disso principalmente no começo de namoro. Na mente de muitos que estão de fora, deve ser algo perfeito, sem defeitos, brigas ou discussões, onde tudo fluí perfeitamente e genuinamente. De certa forma, isso gera uma pressão em quem está envolvido, principalmente em quem tem influência dentro de um espaço. Aline e Raoni, um casal formado por um pastor e uma digital influencer, passaram por essa situação:

“Rola uma pressão da gente mostrar, ou tentar mostrar que a gente é perfeito, mas na verdade, somos seres humanos da mesma forma. Um médico, por exemplo não é porque ele é médico que deve ser perfeito, que ele não vai errar.” Diz Aline.


De fato, o casal perfeito não existe. O problema é quando querem que os contos de fadas sejam a realidade. Mas, embora tudo isso, nada proíbe de ser um casal perfeito. Quando duas pessoas aceitam ser o amor da outra, estão cientes de defeitos, qualidades, gestos e manias. Isso não é um casal perfeito? Embora a literatura infantil traga essa romantização e , de fato, ela venha trazer essa influência, ainda se tem a chance de viver um amor verdadeiro
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