18/06/2021 às 16h00min - Atualizada em 18/06/2021 às 15h06min

Morte da jovem Kathlen Romeu e o extermínio da juventude negra no Brasil

De acordo com levantamento do G1, 78% das mortes negras no país são cometidas por policiais

Adélia Lima Sá - Brenda Freire
Reprodução Redes sociais | Instagram

Até parecia ser mais um dia de uma jovem negra na comunidade do Lins, no Rio de Janeiro para Kathlen Romeu. Ela esperava ansiosamente por seu primogênito, quando foi assassinada na última terça-feira, dia 8/06. Hoje, a jovem faz parte de um triste índice do nosso país: o da população negra vítima de homicídio pela polícia.

De acordo com o levantamento feito pelo G1, em 2020, o intitulado Monitor de Violência, 78% das pessoas assassinadas pela polícia são negras. Os casos e números são reflexos de uma sociedade cada vez mais racista e com ausência de políticas públicas de qualidade. A cada ano, após a morte de um jovem negro por policiais no país, o discurso permanece o mesmo, onde o “jovem foi morto por bala perdida”, em que os alvos possuem nomes diferentes, mas possuem a mesma cor.



Por mais que os números assustem, a comoção por parte da população brasileira ainda é mínima, ou como aponta Djamila Ribeiro, filósofa e escritora em seu livro ‘Quem tem medo do feminismo negro?’, é uma comoção seletiva. Ela se pergunta em um de seus capítulos, o porquê do corpo negro morto no chão não comover toda uma população.

As mortes de negros já estão tão naturalizadas que as pessoas agem como se fossem normal, o que acaba sendo mesmo num Estado racista. Página 102, capítulo: ‘Vidas negras importam ou a comoção é seletiva?’
 

A morte de corpos negros no Brasil não é atual, é uma realidade que já ficou naturalizada pela falta de inserção de políticas públicas necessárias para o fim da violência e morte da comunidade negra. Para Elanny Pereira, acadêmica de Ciências Sociais da Universidade Federal do Piauí, todo esse cenário está totalmente ligado a uma política de morte, a necropolítica, que é o uso do poder social e político que decreta como algumas pessoas podem viver e como outras devem morrer. 

"Não se trata de uma obra do acaso, da bala perdida, como muitos comentam nas redes sociais, nos telejornais. Se trata de um projeto que visa quem pode sonhar, quem pode viver, quem pode constituir uma família. E até mesmo que vidas podem ou não vir ao mundo.", afirma. 


Além disso, Elanny pontua que um dos caminhos para vislumbrar outros cenários é na mudança de como essas mortes são noticiadas em nossos meios de comunicação. Kathlen, infelizmente, é mais uma das milhares de jovens negras, carregada de sonhos e com fruto de uma nova geração que foi interrompida pela violência policial no Brasil. O irmão da jovem aponta em sua conta do Twitter que a jovem sempre teve o sonho de ser reconhecida pelo seu trabalho por todo o país, mas infelizmente isso não aconteceu da melhor maneira, da maneira que ela desejava.


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