07/06/2019 às 22h45min - Atualizada em 07/06/2019 às 22h45min

Assédio sexual e as características de um agressor

53% das mulheres entre 14 e 21 anos, convivem com o medo diário de serem possíveis vitimas de assédio

Jéssica Teixeira Reis e Andressa Calassi - Editor: Ronerson Pinheiro
Foto/Reprodução: JN Tag - Jornal de Notícias

Identificar um agressor não é tarefa fácil. Praticado no trabalho, na rua, no transporte público ou em qualquer outro meio e que vá contra a vontade da vítima, na maioria das vezes, mulher, é considerado assédio sexual. Uma pesquisa realizada pela Organização Internacional de Combate a Pobreza (ActOnaid) mostra que 53% das mulheres entre 14 e 21 anos, convivem com o medo diário de serem possíveis vitimas de assédio. O estudo revela ainda que o Brasil aparece como o país em que mais se registra casos de abusos sexuais dos mais variados tipos. A pesquisa na íntegra você confere no final da matéria.

Para o psicólogo e especialista em psicologia comportamental e criminal, Paulo Veras, através de algumas ações é possível observar e traçar o perfil de um suposto agressor. “Na psicologia fala que não é uma atividade muito simples, porque nós teremos homens que demonstram de imediato que são agressivos, mas temos homens que demoram mais. Então é complicado dizer que é esse ou aquele ponto, haja vista que nem todos os agressores terão o mesmo perfil”, explica.

Ele traz três pontos que devem ser observados pelas vítimas de abusos. “No primeiro temos o de pensamento dicotômico ou divido. Para o agressor só existe o bem ou o mal, certo ou errado, preto ou branco. Não há meio termo e bom senso porque ele tem dificuldade de negociar e ouvir. Quando ele ama, automaticamente ele vai odiar o outro lado”, completa o psicólogo. “No segundo ponto temos a intolerância. Os homens agressores são mais intolerantes e isso acompanha o perfil do primeiro pensamento. Ele não aceita a diferença e o único ponto de vista é o dele. Assim, nasce o sentimento de possessão. Ele é movido pelo que pensa, acha e pelo que é verdade, explica. No terceiro e último ponto, Paulo aborda a questão da hipersensibilidade. “São homens que não conseguem controlar suas emoções. Elas estão sempre muito afloradas. Como eles reagem à perda do triunfo, com o não ou quando os desejos não são atendidos? Com a sensibilidade a flor da pele, basta uma ação ou um pensamento de frustação para que eles possam ir e causar algum dano para a vítima”, completa, Paulo.  

Violência e os seus tipos

Para o especialista a violência se apresenta em dois grupos distintos. “A primeira chamamos de violência verbal, na qual o agressor causa um constrangimento à vítima com palavras de baixo calão, limitando a contuda além de trazer a público problema de ordem psicológica, física e moral”, explica. O outro grupo está ligado à violência física. “Beliscões, tapa, puxões de cabelo evoluindo para uma lesão mais forte. Uma pancada maior com uso de instrumentos ou até a força bruta pode causar sequelas mais graves e até fatal, levando a morte”, completa.

O psicólogo cita ainda, fatores que podem contribuir para que o indivíduo venha a cometer as agressões. Não existe um fator único. Nós podemos citar a família como o ponto primordial onde o indivíduo/agressor passa boa parte de sua vida vivenciando agressões e relações abusivas. Um segundo ponto é a questão cultural. Presente na mídia, o sujeito vivencia ações e situações violentas. O terceiro e último ponto chamamos de fatores temperamentais na qual o sentido de revidar uma agressão esta presente”, explica.

Paulo cita ainda que os três elementos não justificam uma atitude agressiva. “Eles não podem ser definidores da minha personalidade. Eles podem até ter influência, mas para isso eu preciso me controlar e conhecer meus instintos e limitadores, para que eu não seja dominado esses fatores que vão dar campo a violência”, acrescenta.


A seguir, você confere na íntegra a pesquisa realizada pela Organização Internacional de Combate a Pobreza (ActOnaid), que mostram os tipos de importunação sexual sofridas pelas mulheres.

  • Assédio verbal (41%)
  • Assovios (39%)
  • Comentários negativos sobre aparência em público (22%)
  • Comentários negativos sobre aparência nas redes sociais (15%)
  • Mensagens de texto com teor sexual (15%)
  • Piadas que as envolviam sexualmente em público (12%)
  • Piadas que as envolviam sexualmente nas redes sociais (8%)
  • Beijos forçados (8%)
  • Apalpadas (5%)
  • Fotos tiradas por baixo da saia (4%)
  • Fotos íntimas vazadas nas redes sociais (2%)

Fonte: Organização Internacional de Combate a Pobreza (ActOnaid), publicada em 30 de janeiro de 2019.

Editora-chefe: Lavínia Carvalho. 
 


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