24/06/2021 às 19h16min - Atualizada em 24/06/2021 às 18h15min

Nos enxergam, mas não nos veem - a luta por uma existência onde a liberdade de amar seja vitoriosa sob o fracasso social

O amor, apesar de tudo fica, a revolução continua e seguimos amando. Nós existimos e vamos nos mostrar!

Vitoria Fontes - Editado por Andrieli Torres
Foto: 16° Parada do orgulho LGBT de São Paulo | Reprodução.: José Cordeiro / SPTURIS
Desde o começo, o mundo conta com a presença da comunidade LGBTQIA+ em seu cotidiano. O principal impasse de toda a comunidade era e continua sendo como o público é visto e o quanto o coletivo impacta na ideia de uma sobrevivência adversa ao direito fundamental de todo ser: a existência.

“Era um lugar seguro para nós. Quando as pessoas entravam no Stonewall, elas podiam andar de mãos dadas, se beijar e, o mais importante, era possível dançar", relatou um dos frequentadores do bar naquela época, Mark Segal 
ao The New York Times.

Entre as décadas de 1960 – 1970, cientistas acreditavam fortemente na possibilidade de “curarem” a homossexualidade fazendo o uso de terapia de choque, internações compulsórias e cirurgias psicológicas.

1969 marca o início do enfrentamento de toda e qualquer desigualdade imposta ao movimento LGBT. O palco para esse primeiro grito foi o Stonewall Inn, um bar localizado na cidade de Nova Iorque, Estados Unidos.
 

Naquela época, existiam leis federais que os excluíam de direitos específicos relacionados à manifestação de sua orientação sexual e identidade de gênero, direitos esses que eram assegurados constitucionalmente aos outros indivíduos.
  • Lei Federal proíbe agências governamentais de contratarem homossexuais;
  • Vistos como doentes mentais;
  • Era proibido reunirem-se entre si juntamente com o consumo de álcool.
Logo, a comunidade não tinha espaço, não eram vistos e quando visíveis a perspectiva era doentia e rejeitada; por conta do desemprego muitos usavam a prostituição como meio de sobrevivência, assim, vivendo em condições marginalizadas. As ruas eram riscos que lhes eram proporcionados, a qualquer momento poderiam se deparar com rondas policiais acontecendo e a única saída para tamanha abordagem violenta era a fuga.
 
28 de junho de 1969, a polícia descumpriu um acordo que tinha com a máfia que era dona no bar, os mesmos recebiam uma quantia em dinheiro para que um aviso antes da ronda acontecer, logo após o não cumprimento, os clientes e funcionários do Stonewall Inn foram pegos de surpresa em seu horário de maior movimento se depararam com policiamento, depois de um dos policiais agredir um dos diversos homossexuais que  estavam no  local, o próprio gritou para que os demais ali o apoiassem, indo contra a fuga que normalmente acontecia, todos naquele local se uniram a favor de um. A partir deste dia, nasceu o movimento LBGT nos Estados Unidos que mais tarde se espalharia em todo o mundo.



UMA BAGAGEM HISTÓRICA VIOLENTA
 
12 de outubro de 2016, na boate Pulse - conhecida por ser frequentada pelo público LGBT - acontecia em Orlando “O mais mortal tiroteio em massa da história dos Estados Unidos”.


 
Um homem armado com um fuzil e uma pistola com um único intuito: matar. Após começar uma guerra de tiros contra a polícia, ele adentra o interior da boate fazendo reféns, deixando 50 mortos e 53 feridos.
 
O autor do massacre prometeu lealdade ao grupo terrorista Estado Islâmico do Iraque e do Levante (EIIL) antes do ataque e acabou por ser morto pela própria polícia.

 o atentado, o então Presidente americano Barack Obama, afirmou: "O lugar onde foram atacados é mais que uma casa noturna – é um lugar de solidariedade e empoderamento onde pessoas se reúnem para se informar, se expressar e lutar por seus direitos civis”.
Nota-se que o mesmo ocorrido em 1969 volta a acontecer 47 anos depois, é um verdadeiro regresso social.

PELA CRIMINALIZAÇÃO DA HOMOFOBIA

A palavra deriva do grego e significa “medo ou terror dos iguais”, o ato consiste em discriminar, marginalizar e cometer os demais tipos de violência contra pessoas por causa de sua orientação sexual e identidade de gênero. A homofobia nos leva a circunstâncias jamais imagináveis, verdadeiro pesadelo onde em muitos casos seus desfechos são repletos de indignação e muito pesar.

A comunidade LGBTQI+ é um dos centros da vulnerabilidade dos direitos humanos; o Brasil é um dos países mais perigosos dentro desse cenário e carrega o triunfo de ser aquele que mais mata a população transexual no mundo.

Segundo dados expostos pela GGB (Grupo Gay da Bahia) uma pessoa LGBT é morta a cada 27 horas E 1,6 mil pessoas foram mortas em ataques homofóbicos entre 2011 e 2015, mais da metade dos registros referentes à homicídios contra transexuais do mundo ocorrem no nosso país.

A homofobia pode ser comparada ao ato de terroristas muçulmanos quererem matar ocidentais e com o preconceito de brancos contra os negros no período do Apartheid.

67 mil casais homoafetivos foram identificados pelo IBGE no ano de 2011; a Parada Gay de São Paulo é a maior do mundo e a cada ano que passa conta com a representatividade de inúmeras empresas, onde buscam pessoas da própria comunidade para ilustrarem suas propagandas como foi o caso da Boticário no dia das mães; desde o ano de 2013 o casamento entre pessoas do mesmo sexo passou a ser validado, logo, os cartórios de todo o país não pode de maneira nenhuma se negarem a celebrar casamentos civis.




A lei nº 7.716 decreta que serão punidos “os crimes resultantes de discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional”. Movimentos sociais buscam incluir na Constituição outros tipos de crimes de ódio e que atentam contra a dignidade humana. Em 2006, a Câmara dos Deputados aprovou um projeto da deputada Iara Bernardi que criminaliza a homofobia, porém, em 2015 a PLC-122 foi arquivada ao chegar ao Senado.

Apesar dos recentes avanços nos direitos LGBTQI+, a prática da homofobia não é vista como crime no Brasil.

UMA LUTA DE ANOS BASEADA NA RESISTÊNCIA EM EXISTIR

Um dia me disseram que o amor é o sentimento mais incrível existente e que amar seria o ato mais lindo que poderia fazer por mim.
Quando amei, foi revolucionário!
 
Abriram suas bocas e declararam que era errado, inadequado.
 
Até hoje usam suas falas para reafirmarem uma sentença, querem a todo custo uma cura – existente somente em suas cabeças – tal cura deveria ser direcionada à intolerância; intolerância essa que MATA!
Nós existimos e para além disso, resistimos.
 
O seu fanatismo, discriminação, preconceito, opressão e agressão são responsáveis por ferir a existência de toda uma comunidade que está apenas fazendo aquilo que dá sentido à vida: amando.

Comunidade essa que sempre existiu, mas persistiu em se esconder, afinal, a escolha era uma só: se mostre e morra.

Durante anos, décadas, milhares de pessoas optaram por amar no silêncio e aos poucos foram criando em si a coragem e vontade de revolucionar e gritar. Não é que hoje seja moda, longe disse, é que hoje a nossa maior vontade é fazer valer a pena cada amanhecer, cada respirar é cada batimento cardíaco que nos leva a amar.




Hoje, o risco é o mesmo que o de 52 anos atrás, a morte ainda é um desfecho muito realista, mas, a nossa vontade em arder e revolucionar é maior.

No dia 28 de junho de 2021, estamos aqui celebrando em nome de todos os que vieram antes de nós, estamos resistindo em nome de todos àqueles que virão depois de nós, afinal, o amor, apesar de tudo fica, a revolução continua e seguimos amando. Nós existimos e vamos nos mostrar!

 
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