15/07/2021 às 20h23min - Atualizada em 15/07/2021 às 18h49min

Mercado Imobiliário em alta

O mercado imobiliário está aquecido e dividindo opiniões. Alguns especialistas apontam para os riscos de uma nova bolha imobiliária, enquanto outros afirmam que isso é algo natural durante uma crise

Leonardo Leão - Editado por Ynara Mattos
Rodrigo Luft

 Em muitos países o mercado imobiliário e a construção civil já estão mais aquecidos do que durante a bolha que causou a crise de 2008. Os estímulos à economia criados pelos governos geraram uma forte recuperação após a crise do coronavírus, mas também contribuiu para a elevação nos preços dos imóveis.

 A companhia financeira Bloomberg, chegou a analisar a situação em um de seus relatórios. Nele a economista Niraj Shah concluiu que esses estímulos estão alimentando o risco de uma nova bolha imobiliária. O estudo classificou os países segundo os níveis de riscos. Dentre eles, três se destacaram: Nova Zelândia, Canadá e Suécia, que estão na zona vermelha em quase todos os indicadores.

 Para Marcus Barboza, criador do blog Mercado Imobiliário Online, essa alta no mercado é compreensível, afinal o gasto com moradia não é algo supérfluo e sim uma necessidade básica. Na pandemia setores como de turismo, restaurantes, shoppings, dentre outros, sofreram fortes quedas e as pessoas passaram a economizar e adiantar alguns planos de logo prazo, como o da casa própria. Tudo isso diminuiu a movimentação na economia, gerando uma oportunidade para os bancos baixarem os juros, facilitando os empréstimos de longo prazo.


 No Brasil a construção civil cresceu 10,7% no ano passado, segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Com as construções e pequenas reformas durante a quarentena, as vendas de materiais de construção aumentou 38% no primeiro trimestre deste ano em relação a 2020, segundo um levantamento realizado pela Visa Consulting & Analytics. Já nos Estados Unidos e Canadá o preço da madeira serrada, matéria-prima para construção civil, vem aumentando consideravelmente devido à escassez do produto no mercado.

 Dentre as 10 cidades brasileiras com as maiores altas de preços nos últimos 12 meses no Índice FipeZap, seis são do estado de Santa Catarina, a maioria delas no litoral, incluindo Itapema que lidera o ranking com um aumento de 18%. A lista também conta com a cidade catarinense de Balneário Camboriú, que possuí alguns dos maiores edifícios do país, como o Yachthouse by Pininfarina, com duas torres de 81 andares, em construção, quando estiverem prontas elas serão as mais altas do país.

 Com o mercado aquecido, muitos investidores estão migrando para o interior. A queda na taxa de juros, abaixo da inflação e tornou os fundos imobiliários mais seguros e rentáveis para os investidores. Isso fez com que os investimentos no setor aumentassem, fazendo com que os fundos deixassem as principais cidades para apostar em projetos no interior do Brasil.

 

O futuro do setor imobiliário


 Marcus Barboza demonstra-se descrente quanto a um risco de uma bolha imobiliária. Ele explica que mesmo com a diminuição dos juros e o aumento dos empréstimos, o acesso ao crédito não está fácil. Marcus conclui que com os bancos emprestando para quem pode pagar suas dívidas, o avanço da vacinação e um possível retorno em médio prazo, da renda e do consumo, nós estamos mais próximos de um ajuste no mercado, do que de uma bolha econômica gerada por crédito fácil.

 O presidente do Federal Reserve (FED), o banco central norte-americano, Jerome Powell, também descartou a existência de uma bolha no mercado imobiliário. Para ele, se trata de uma série de fatores temporários que estão influenciando o aumento de preços dos imóveis. Powell reconhece que as baixas taxas de juros ajudaram a impulsionar a demanda por imóveis nos EUA, porém não são as únicas responsáveis pelo aumento de preços. O FED vem comprando mensalmente, desde março de 2020, US$ 40 bilhões em títulos hipotecários.


 Para Marcus o mercado imobiliário se fortaleceu durante a pandemia, pois teve que se reinventar e se ajustar à realidade. Ele lembra quando um lançamento de empreendimento custava 5% do Valor Geral de Vendas, com campanhas de marketing, na TV, nos jornais, outdoors e rádios. Marcus ressalta que o mercado já conhecia o marketing digital, mas foi na pandemia aprendeu a vender através da consultoria inteligente, com foco na geração de leads e acompanhamento da jornada de compra do cliente através de CRM de vendas. O foco hoje não está mais em lugares movimentados como os shoppings, mas sim em fotos, filmagens e nas redes sociais.

 O mercado imobiliário online vem crescendo no país. Hoje temos muitas fintechs nesse mercado. Essas startups vêm inovando o mercado e facilitando as transações. Elas se especializaram em diversas áreas como crédito imobiliário, visitas virtuais, serviços burocráticos, manutenção e decoração, dentre outras. Os contratos virtuais deram mais agilidade nos trâmites burocráticos. Tudo isso eleva os níveis de eficiência do setor e esses avanços devem seguir cada vez mais fortes.

 Marcus Barboza conclui que quando a economia e o consumo voltar, a jornada de compra retornará ao padrão anterior à pandemia. Ele afirma que o mercado se ajustara à nova realidade das pessoas, seja ela qual for.


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