20/12/2021 às 21h51min - Atualizada em 20/12/2021 às 20h37min

Após 16 anos no poder, Angela Merkel deixa a posição de chanceler da Alemanha

Com a saída de Merkel, Olaf Scholz assume o comando do país

Julia dos Santos - Editado por Ynara Mattos
Olaf Scholz e Angela Merkel durante reunião em Berlim (Reprodução: Pool/Getty Images News/Getty Images)
Após 16 anos atuando como chanceler da Alemanha, Angela Merkel deixou o cargo na primeira semana de dezembro. Em cerimônia de despedida, a ex-presidente do partido de centro-direita União Democrata-Cristã (CDU) cedeu a liderança da maior economia da Europa a Olaf Scholz, que, até então, atuava como Ministro das Finanças e Vice-Chanceler do país. Classificada pela revista Forbes como a mulher mais poderosa do mundo 14 vezes, Merkel se consagrou entre os líderes políticos mais influentes do mundo sendo considerada por muitos como a “verdadeira líder da Europa” durante seu mandato.

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A era Merkel na Europa
 

Angela Merkel assumiu o comando da Alemanha em novembro de 2005 e, desde então, construiu um legado que concedeu destaque ao país nos âmbitos econômico, social e político. Representando o lado direitista da política alemã, ela foi a primeira mulher a ocupar o cargo de chanceler no continente europeu. Governando a partir de ideais de centro-direita, Merkel se tornou referência por suas estratégias de política externa.

Embora tenha sofrido críticas durante sua gestão e perdido o apoio da maioria popular durante momentos de turbulência econômica, a governante se destacou ao contrariar os demais líderes europeus promovendo a abertura das fronteiras alemãs para um milhão de refugiados durante a guerra civil na Síria e, mais recentemente, por adotar medidas estritas para controlar a propagação do vírus da Covid-19 em seu país. Além desses feitos, a chanceler recebeu apoio da mídia após ser uma das primeiras representantes políticas a mostrar preocupações com as mudanças climáticas problema que, segundo Merkel, deve continuar sendo combatido ativamente mesmo após o final de sua gestão.


O futuro da Alemanha

 
Olaf Scholz é membro do Partido Social-Democrata (SDU) e o novo chanceler da Alemanha. Eleito por votação entre parlamentares alemães, Scholz representa a esquerda política no país e deve governar com o apoio de uma coalizão política apelidada de “semáforo”, em referência às cores dos partidos que a formam: o vermelho dos sociais-democratas, o verde dos ecologistas e o amarelo do Partido dos Democratas Livres (FDP).

Em entrevista aos jornais alemães, o ex-Ministro das Finanças afirmou que seu governo pretende contribuir para a manutenção de uma Europa “forte e soberana”, e que, entre os objetivos da coalizão, a transição para uma matriz energética mais limpa deve ser uma prioridade. “Queremos ser ousados ​​no que diz respeito ao clima e à indústria”, reafirmou o chanceler.

Apesar de representarem vertentes políticas diferentes, Olaf Scholz e Angela Merkel possuem ideais centristas semelhantes que, no que lhe concerne, devem favorecer a continuação dos projetos pré-estabelecidos para o desenvolvimento da Alemanha. Com o apoio de uma coalizão inédita, o esperado é que o sucessor de Merkel invista na recuperação econômica do país após a superação da quarta onda da pandemia, garantindo com que a política alemã seja destaque entre as demais nações da Europa e do mundo.
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