07/02/2022 às 00h00min - Atualizada em 07/02/2022 às 00h01min

Janeiro Verde: mês de conscientização sobre o câncer de colo de útero

Aplicação da vacina do HPV e testes precoces são fatores fundamentais para o diagnóstico antecipado e sucesso no tratamento

Clara Beatriz Ferreira - Editado por Júlio Sousa
(Fonte: Divulgação/BBC)
O vírus do Papilomavírus Humano, também conhecido como HPV, é responsável pelo desenvolvimento de diversas complicações no corpo humano. Por se tratar de uma enfermidade silenciosa, que pode levar um bom tempo para ser diagnosticada, existe a possibilidade de se transformar em um tumor maligno.

Uma indicação nítida do contágio é a presença de verrugas na região das genitálias. Os aparecimentos são comuns, principalmente, em crianças acometidas pelo vírus. O vírus também pode se instalar nas cordas vocais e provocar o aparecimento de papilomas que causam um quadro de rouquidão progressiva exigindo, às vezes, intervenção cirúrgica para a sua retirada.

Alguns dos principais indicadores que proporcionam o aumento exponencial do contágio do vírus HPV são referentes ao início precoce da atividade sexual e múltiplos parceiros, tabagismo - uma vez que a doença está diretamente relacionada à quantidade de cigarros fumados - e uso prolongado de pílulas anticoncepcionais.

Apesar de, na maioria dos casos, o próprio sistema imunológico do indivíduo conseguir se defender, em casos mais graves, quando a presença do patógeno se prolonga, acaba por gerar lesões no colo do útero que se tornam feridas e evoluem de forma maligna.

A detecção do vírus é apenas perceptível através dos exames Papanicolau e Colposcopia, testes de rotina para controle ginecológico. A realização periódica dos exames preventivos é de extrema importância, pois ajudam a identificar o vírus e iniciar o tratamento ainda no começo do contágio.
 
A infecção genital por esse vírus é muito frequente e na maioria das vezes não causa doença, entretanto, em alguns casos ocorrem alterações celulares, onde as células perdem os controles naturais sobre o processo de multiplicação, invadem os tecidos vizinhos e formam um tumor maligno, em outras palavras, se desenvolve o câncer de colo de útero.
 
O câncer do colo do útero, também chamado de câncer cervical, é causado pela infecção persistente por alguns tipos do Papilomavírus Humano, chamados de oncogênicos. É importante lembrar que dentre as mais de 100 variações do vírus, 13 delas apresentam potencial cancerígeno, que podem e devem ser monitoradas.

Esse tipo de câncer é o terceiro mais comum entre as mulheres brasileiras, segundo dados divulgados pelo Instituto Nacional do Câncer (INCA). Com cerca de 16 mil novos casos a cada ano, sendo quase a metade deles fatais, o câncer de colo do útero fez com que a Sociedade Brasileira de Cancerologia determinasse o Janeiro Verde, sob o propósito de alertar a população à respeito das formas de prevenção, monitoramento e tratamento da doença.

Em conversa com a Dra. Larissa Cassiano, ginecologista e obstetra, é ressaltada a importância da realização dos exames rotineiros e preventivos, bem como um acompanhamento médico sempre que possível.
“O ministério da saúde recomenda que o exame preventivo seja feito em pessoas de 25 a 60 anos, uma vez por ano e, após dois exames anuais consecutivos negativos, a cada três anos. Realize seu acompanhamento ginecológico anual, se ele não está em dia, tudo bem, sempre é possível reiniciar seu seguimento.”

Além dos exames anuais de rotina, deve-se prestar atenção nas alterações como sangramento vaginal sem causa, corrimento alterado, dor abdominal ou pélvica constante, sensação de pressão no abdômen, vontade frequente de urinar e perda rápida de peso. Ao surgimento desses sintomas é recomendado buscar ajuda especializada com urgência.

Recomenda-se também que, a partir dos 25 anos, as mulheres sejam submetidas à captura de híbrida, um teste molecular mais sensível do que outros métodos, capaz de detectar a presença do HPV e, em caso positivo, 13 das variantes mais comuns com as quais se enquadra no potencial oncogênico. A realização do exame pode identificar a contaminação antes do aparecimento das lesões, ampliando a possibilidade de tratamento precoce e cura.

A taxa de sucesso da captura híbrida pode ser demonstrada em escala global. Segundo Paulo Gropp, VP América Latina da QIAGEN, multinacional alemã tecnóloga em diagnóstico molecular - que oferece esse tipo de teste em suas soluções -, o teste molecular existe há mais de 20 anos e é um dos mais utilizados pelos médicos para realizar o rastreamento genético do HPV.
"Até o momento, mais de 100 milhões de mulheres foram testadas em todo o mundo. Além disso, nossos estudos clínicos, juntos, testaram mais de 1 milhão de mulheres em todo o mundo. Portanto, temos uma grande quantidade de literatura científica apontando os benefícios da captura mista. vale ressaltar que se trata de um teste robusto com múltiplos controles e calibradores, o que garante resultados confiáveis”, declarou o executivo.

Em 2014, o Ministério da Saúde implementou no calendário vacinal a vacina contra o HPV para meninas de 9 a 13 anos. E apenas no ano de 2017 estendeu a vacina para meninas de 9 a 14 anos e meninos de 11 a 14 anos. 

A vacina protege contra os tipos 6, 11, 16 e 18 do HPV, entretanto a realização de exames preventivos não deve ser descartada, pois a vacinação em conjunto com os exames periódicos se complementam como ações de prevenção desse tipo de câncer. Esse cuidado é de praxe, já que a vacina não protege contra todos os tipos oncogênicos do HPV.

O tratamento para cada caso deve ser avaliado e orientado por um médico. Entre os tratamentos para o câncer do colo de útero estão a cirurgia, a quimioterapia e a radioterapia. O tipo de tratamento dependerá do estágio de evolução da doença, tamanho do tumor e fatores pessoais, como idade da paciente e desejo de ter filhos. Se confirmada a presença de lesão precursora, ela poderá ser tratada a nível ambulatorial, por meio de uma eletrocirurgia.

O teste de HPV disponível no Brasil pode e ajuda a evitar mortes causadas pelo avanço da doença.

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