23/05/2022 às 10h56min - Atualizada em 20/05/2022 às 17h54min

Luxo e exclusividade: metaverso pode ser o futuro da moda?

Guiado pela inovação o mercado da moda está de olho nesse novo ambiente digital

Mateus Macêdo - Editado por Larissa Barros
Foto: Divulgação

O metaverso se tornou o tema do momento quando se fala em tecnologia. Fomos bombardeados por novos termos e conceitos, que antes poderiam parecer invenções e cenas de filmes futuristas de ficção científica. Mas hoje, bem sabemos que, por mais abstrato que seja, o mundo virtual e o real vem se interligando a um bom tempo. 

 

Em síntese, o metaverso é um ambiente digital onde podemos interagir, trabalhar, socializar, namorar, jogar e conhecer novas pessoas, tudo isso sem sair de casa. Ele foi inspirado no livro Snow Crash, de Neal Stephenson, em que humanos interagem entre si por meio de avatares em um espaço virtual.

 

Dentro desse ambiente, outro elemento que ganha destaque são os NFTs (sigla para non-fungible token), ou tokens não-fungíveis. De maneira geral, eles funcionam como um certificado de autenticidade digital, de forma que qualquer outra pessoa pode criar um elemento (seja uma obra de arte, uma foto, um vídeo ou um design) que será vendido exclusivamente neste espaço digital, garantindo assim a originalidade e a autenticidade deste material digital.
 

É inegável o enorme potencial de alcance que o metaverso possui. Basta ver a velocidade com que o termo se popularizou nos diversos âmbitos, e tudo isso com pouco tempo de surgimento. Consequentemente, nos últimos anos, as marcas internacionais começaram a explorar este novo ambiente. A Balenciaga já fez uma ação com o game Fortnite, a Louis Vuitton criou uma coleção para o game League of Legends,a Gucci já tem um tênis digital, e a Balmain lançou um vestido virtual NFT.  

 

Esse novo espaço tem influenciado também as semanas de moda tradicionais, que estão adicionando elementos imersivos ou de rea­lidade aumentada à experiência da passarela. Na London Fashion Week deste ano, a  Auroboros, estreou uma linha de prêt-à-porter puramente digital. Além da realização da primeira edição da Metaverse Fashion Week, que aconteceu em março, reunindo virtualmente cerca de 108 mil pessoas que participaram do evento por meio da Decentraland, plataforma pioneira entre os usuários do metaverso com interação em blockchain (ferramenta essencial para garantir a autenticidade no meio digital).

Segundo um relatório feito pelo Morgan Stanley, empresa global de serviços financeiros, a demanda por marcas de luxo no metaverso chegará a valer 50 milhões de dólares até 2030, e  o valor de mercado das NFTs de luxo devem chegar a 56 bilhões até o mesmo ano. Isso significa que o investimento em médio prazo da moda no ambiente digital será altamente notável e lucrativo. Isso se dá porque, além de serem colecionáveis e exclusivos, os jogos e NFTs permitem que as marcas monetizem sua vasta propriedade intelectual. Os contratos inteligentes desse ambiente também permitem que o criador do token não-fungível fique com uma porcentagem cada vez que o produto é vendido, ou seja, o cripto mercado se mostra extremamente atraente. 

 

O metaverso é um grande avanço em termos tecnológicos para a sociedade, pois tem grande potencial facilitador, além de ser mais um amplo meio de sociabilização. No entanto, ele esbarra em questões que já vem sendo discutidas a muito tempo no universo fashion.

 

Primeiramente, é interessante pontuar que a exclusão digital ainda é uma realidade, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), quase 40 milhões de brasileiros não têm acesso à internet, cerca de 20% da população do país. Isso significa que o acesso ao metaverso ainda é fora da realidade de grande parte da população, e não só os excluídos digitais, como os valores são muito altos nesse ambiente, atualmente,  pessoas mais pobres também terão dificuldades em adquirir produtos, equipamentos e serviços, garantindo acesso só para quem possa pagar.

 

Além disso, é importante ressaltar que o aumento da busca pela imersão ao universo digital também gera lixo, principalmente, o de origem eletrônica. Os quais vão desde óculos de realidade aumentada, headsets e até peças de computadores que a cada temporada são substituídos por equipamentos novos e melhorados, assim, dificultando ideais de sustentabilidade no mundo da moda.

 

As possibilidades são diversas, e a moda tem tudo para abusar da criatividade nesse universo futurístico e tecnológico. Para as marcas de luxo e para as pessoas que tem um grande poder aquisitivo, esse ambiente hoje representa um investimento. Embora seja o luxo de uma forma muito mais exclusiva, mas ele não pode representar o futuro da moda, pois vai de encontro com questões que já são discutidas no mercado fashion há bastante tempo, segregando pessoas e impactando diretamente o meio ambiente.

 

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