13/06/2022 às 22h54min - Atualizada em 10/06/2022 às 10h08min

As batalha de poesias: das ruas ás telas

Conhecidas como Poetry Slam, as batalhas de poesias estão ganhando cada vez mais espaço nas ruas do país.

Laura Amirati - Revisado por Vanessa Kelly
Plateia e jurados do Slam. (Foto: Reprodução/ Folha Uol).

Quando pronunciado, o nome costuma gerar estranheza em quem não conhece o movimento. Por isso, é preciso explicar de onde vem esse nome inusitado. Não existe um significado direto para a palavra “SLAM”. É uma expressão da língua inglesa, usada para falar de batidas (tanto batidas de músicas quanto o barulho que uma porta faz ao fechar). Poetry Slam seria facilmente traduzido como “Batida de poesia”, o que resume bem o que são as batalhas.

 

A primeira batalha de poesia, no formato que é hoje, aconteceu em 1984 em Chicago. Apenas quase três décadas depois desembarcou no Brasil em 2008, pela curadoria do Núcleo Bartolomeu de Depoimento e Memória do Hip-Hop (@nucleobartolomeu), tendo como principal precursora a atriz e poeta Roberta Estrela D’Alva (@estreladalva). Foi durante essa época que surgiu a Zona Autônoma da Palavra- ZAP, o primeiro slam do Brasil.

 

A primeira noite de batalha de poesia inspirou outros poetas a organizarem Slam’s nas regiões onde moram. Com isso, após um tempo, estaduais e nacionais já estavam sendo disputados dentro do país. Como toda competição, existe um caminho para trilhar dentro das batalhas.

 

E o Slammaster (organizadores do Slam) e o Mc Wesley Doeste (@doestera) explicou como a disputa acontece no estado de São Paulo: “Cada cidade tem uma equipe principal dos slams. No início do ano, divulgam como vai ser o Slam SP e como fazer para participar, cada slam tem um número mínimo de edições mensais para ser aceito. Dessas edições sai um campeão e, em outubro ou novembro tem a final de cada slam. Os campeões de cada slam inscrito vão para o Slam SP e quem ganha o Slam SP, compete o Slam BR”.

 

Doeste explicou também algumas regras das batalhas, como não poder usar acessórios ou acompanhamento musical durante as apresentações. É definido um tempo máximo para cada artista recitar e, caso esse tempo seja ultrapassado, o artista perde ponto na contagem final. O vencedor do Slam BR ganha uma vaga para competir com vencedores dos Slam’s de outros países. Em 2011, a poeta, já citada, Estrela D’Alva foi finalista da Copa dos Slam’s, que aconteceu na França. Porém, desde 2021, o evento ocorre na Bélgica e é chamado de Abya Yala.

Roberta Estrela D’Alva apresentando o Slam Br 2018.

Roberta Estrela D’Alva apresentando o Slam Br 2018.

(Foto: Reprodução/ Catraca Livre).

O que é o Slam para quem participa das batalhas?

 

Internacionalmente conhecido, competido e comentado, o Slam pode parecer, mas não é um movimento pequeno e simples. Existe uma estrutura por trás para que cada poeta que recita em uma noite de garoa no centro das cidades, possa ter uma oportunidade de viver da sua arte. Para alguns desses poetas, tornou-se um estilo de vida, um gênero textual, a melhor maneira para se expressar. 

 

Wesley Doeste hoje é organizador do Slam do Prego (@slamdoprego), batalha que acontece no centro da cidade de Guarulhos, e conta que se encantou com o movimento desde o primeiro momento: “A primeira edição que eu fui, foi em janeiro de 2017, que também foi a primeira edição do Slam do Prego. Era uma noite de muita chuva, tinha muito artista e complicou um pouco o andamento da edição. Mas foi marcante! Era como se aquela chuva de janeiro estivesse lavando poeticamente a cidade com a chegada de um movimento tão importante quanto o Slam do Prego(...) competi em todas as edições de 2017, eu esperava ansiosamente as segundas segundas-feiras do mês, que era quando acontecia o slam”.

 

Hoje, com 26 anos, o jovem diz ter se encontrado como profissional, pessoa e artista através do slam. 

 

A história de Doeste conversa com a história de outros jovens, como a de João Vitor Nogueira, conhecido apenas como Jow Nogueira (@jownogueira). Jow também esteve nas primeiras edições do Slam do Prego, em 2017, na época com 15 anos. Em entrevista, comentou: “Lembro que cheguei um pouco acanhado, reconhecendo o espaço e sentia que já fazia parte daquilo (...) a primeira vez que recitei, foi como se tivesse virado uma chave na minha cabeça, como se o horizonte tivesse se expandido, parecia que era pra isso que eu tinha nascido”.

 

Durante o ensino médio, Jow participou também do Slam Interescolar, idealizado pelo escritor e slammaster Emerson Alcalde (@emersonalcalde) - criador também do Slam da Guilhermina (@slamdaguilhermina). O jovem foi vice-campeão do Slam interescolar SP em 2018 e do nacional em 2019, além de ter um dos seus poemas no livro Slam Interescolar–SP: Das Ruas Para As Escolas, Das Escolas Para As Ruas. Jow termina a entrevista dizendo: “ganhei super-poderes, o poder da expressão, comunicação, autoconhecimento, amor, empatia… o Slam me ensinou a ser eu mesmo, as batalhas me mostraram o poder do aprimoramento, a arte deixou claro que eu sou a única pessoa que eu poderia ser”.

Wesley Doeste apresentando o Slam do Prego.

Wesley Doeste apresentando o Slam do Prego.

(Foto: Reprodução / Instagram @doestera).

O Slam durante a pandemia
 

As batalhas também sofreram as consequências do isolamento durante o ápice da pandemia. Os encontros foram interrompidos durante alguns meses e, quando voltaram a acontecer, foi em um novo formato: o digital. Alguns organizadores adotaram o formato de chamada de vídeo, com plataformas como o Zoom. Outros montaram esquemas de vídeos postados nas redes sociais em que os seguidores votavam pelos ganhadores. Esse formato foi capaz de romper barreiras de distância, aproximando poetas de diversos lugares. Entretanto, no momento em que foi possível, os organizadores dos slam voltaram com o modelo tradicional.
 

Confira abaixo quando e onde acontecem alguns dos Slam de São Paulo:

(Fonte/Reprodução: Slam Resistência/ Slam Tiquatira/ Slam da Guilhermina/ Slam Função. - Montagem: Laura Amirati)

(Fonte/Reprodução: Slam Resistência/ Slam Tiquatira/ Slam da Guilhermina/ Slam Função. - Montagem: Laura Amirati)


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