09/08/2019 às 11h42min - Atualizada em 09/08/2019 às 11h42min

Resenha: A ditadura da beleza e a revolução das mulheres - Augusto Cury

Talyta Brito - Editado por Socorro Moura
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Imagem: Divulgação.
O culto ao corpo perfeito não é um impasse atual, pelo contrário, vem desde a Grécia Antiga. As esculturas encontradas desse período da história evidenciam a importância que tal civilização dava a anatomia corporal. É bem verdade, que a ideia do belo vem se modificando ao longo dos séculos. Na idade Média por exemplo, devido a decorrentes crises econômicas, a magreza era tida como doença e sinônimo de pobreza. Dentro desta ótica, faz-se necessário salientar que, a ditadura da beleza, ou seja, a criação de um padrão que classifica o que é considerado bonito ou não, tem feito ao longo do tempo um número incontável de vítimas e dizimado a autoestima de tantas outras, principalmente entre o público feminino. O geógrafo José Carlos Costa declara que: “o pior tipo de ditadura é a ditadura velada oculta”.  

Alicerçado nessa problemática, o psicólogo Augusto Cury nos apresenta a história de Sarah, uma garota de 16 anos. Aparentemente a modelo tem a vida perfeita e um futuro promissor pela frente. Entretanto, a realidade vivenciada por ela passa longe disso. Apesar de se encaixar perfeitamente no padrão imposto pela sociedade vigente, Sarah sempre encontra imperfeições no seu corpo e recorre às cirurgias plásticas. A narrativa se inicia com uma tentativa de suicídio da jovem. Após esse episódio sua mãe percebe que é hora de procurar ajuda. A modelo é um tanto relutante para com o tratamento, mas aos poucos o Drº Marco Polo, psiquiatra indicado por uma amiga, ganha a confiança da moça e a auxilia numa jornada de autoconhecimento e aceitação.
 

Elisabeth, mãe de Sarah, é gerente editorial da Revista Mulher Moderna, um dos veículos mais importantes para o segmento feminino de Nova York. Logo, a jornalista percebe que seu trabalho influencia diretamente no descontentamento das mulheres para com o próprio corpo. A Escola de Frankfurt – grupo de pensadores que viveu na primeira metade do século XX - já afirmava que os meios de comunicação, também conhecidos como indústria cultural, exercem grande influência sobre a vida em sociedade, tornando a população passiva ao que é apresentado sem esboçar qualquer tipo de questionamento. Sendo assim, a exacerbada exposição de mulheres altas, magras, e com silhueta perfeita em anúncios publicitários, capas de revistas e outdoors tem feito a indústria da beleza e estética crescer, mas por outro lado, tem provocado uma busca incessante por um padrão ilusório, mero fruto de programas de edição.
 


O padrão de beleza é incutido desde a mais tenra idade através de brinquedos e desenhos animados. De acordo com um infográfico divulgado pelo site Rehabs’s.com, seria impossível uma mulher real está viva tendo as mesmas medidas da Barbie -  sendo que o seu abdômen só teria espaço para metade de um rim e alguns centímetros de intestino. A demasiada necessidade de se encaixar no padrão tem feito com que muitas mulheres recorreram a dietas mirabolantes e cirurgias plásticas - muita das vezes clandestinas. Segundo a Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP), o Brasil lidera o ranking de cirurgias plásticas entre adolescentes.  

Algumas marcas já estão desmistificando essa ideia de padrão perfeito e elaborando catálogos com diversos biotipos, mas ainda há um longo caminho a ser percorrido. Em suma, a obra é uma excelente ferramenta de denúncia, além de propiciar ao leitor reflexões sobre autoestima e superação. 

 
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