05/11/2019 às 10h40min - Atualizada em 05/11/2019 às 10h40min

Slow Fashion e Brechó: os pilares que movimentam a economia e a organicidade da moda consciente

Moda consciente e a cultura do brechó, movimentam a sustentabilidade e economia do ramo da moda.

Ana Julia Oliveira - Editado por Larissa Barros
Foto: Tree Hugger

Designado para representar a moda consciente como um todo, o termo "slow fashion" foi criado em meados de 2008 por Kate Fletcher, consultora e professora de design sustentável do britânico Centre for Sustainable Fashion. Curiosamente inspirado no conceito de “slow food”, o movimento tem, desde então, vencido barreiras e adaptado algumas definições do ramo da moda.

Em contraposição ao que, atualmente, tem-se por conhecido como fast fashion ― a vertente da moda mais popular ― a prática do slow fashion preza pela diversidade, promove conscientização socioambiental, prioriza e valoriza trabalhadores e materiais locais, a técnica de produção é de baixa escala, e aplica custos sociais e ecológicos, que sejam de fácil acesso. 

Atualmente, quando o assunto é a aplicabilidade dessa alternativa socioambiental, o cenário mais propenso é o do brechó. As constantes mudanças no ramo da moda e o resgate à tendências têm tornado o solo mais fértil para a disseminação desses estabelecimentos e, como consequência, da moda consciente. 

Conquistando cada vez mais espaço no Brasil, os brechós atraem um público diversificado, envolvendo todas as classes sociais e interesses, sejam estes por roupas mais sofisticadas ou pelas peças mais baratas e antigas. Em pesquisa realizada pelo Sebrae, o número das micro e pequenas empresas que comercializam produtos usados cresceu 210% entre 2007 e 2012, sendo estes os dados mais recentes. 

No que diz respeito ao meio-ambiente, os impactos dos brechós somados à moda consciente são estrondosos. Partindo do princípio de que os brechós trabalham com peças semi-novas, o primeiro resgate a ser feito é o do “reutilizar”, que acompanha os três Rs da sustentabilidade. A iniciativa de reutilizar peças usadas auxilia a diminuir a perturbação da indústria têxtil no meio ambiente. De acordo com um  levantamento feito pela revista Exame, são produzidos mais de 175 mil toneladas de resíduos têxteis no Brasil. 

 

Os dados expostos mostram a pequena parcela de resíduos têxteis reciclados no país.

 

Ainda no âmbito da sustentabilidade, os brechós, e suas peças voltadas ao movimento Slow Fashion, priorizam produtos e trabalhadores locais, indo de encontro à marcas e sistemas de produção que, muitas vezes, são de larga escala e utilizam da perversa lógica de trabalho análogo à escravidão. Dados levantados pelo aplicativo Moda Livre revelam que após a revelação de que migrantes bolivianos recebiam em média R$5, trabalhando mais de 12 horas por dia na costura de peças para a marca Animale e A. Brand, o número de grifes de roupas responsáveis pela exploração de trabalho escravo subiu para 37. 

No que diz respeito à economia, os brechós são considerados uma saída econômica, uma vez que driblar os preços altos tem se tornado rotina na vida do brasileiro. Essas microempresas de produtos usados têm se tornado uma alternativa para aqueles que buscam uma renda extra, como é o caso de Yala Souza, estudante de Ciências Sociais e dona do brechó online Lacry. 

 

“O brechó surgiu inicialmente com a ideia de apenas me desfazer das roupas que estavam se acumulando no meu guarda-roupa, mas ao mesmo tempo ele serviu de grande ajuda para me manter em casa”, Yala Souza relata. 
 

O cenário de crise econômica do qual o Brasil tem feito parte, é o principal precursor para a alta da montagem dessas pequenas empresas de produtos usados, abrangendo não só roupas, mas também livros, calçados e eletrodomésticos.

 
 
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