21/01/2020 às 10h30min - Atualizada em 21/01/2020 às 15h00min

Brasil registra cerca de 30 milhões de animais abandonados

Páginas na internet têm divulgado animais abandonados nas ruas do país e estimula adoção

João Marques - Edição: Giovane Mangueira
Imagem: Pixabay
O abandono de animais nas cidades é uma realidade que tem causado comoção e a internet tem sido canal de comunicação para tentar encontrar os donos. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), estima que só no Brasil existam mais de 30 milhões de animais abandonados (10 milhões de gatos e 20 milhões de cães).

Jhonata Sampaio, publicitário, morador da capital fluminense, conta que desde a infância sempre foi muito sensível em relação a causas animais. Sua família costumava adotá-los para cuidar quando criança. Foi com esse sentimento que vem desde pequeno que ele acabou adotando através da ONG, Sem Raça Definida, os gatos Luna e Sebastião. Sobre o abandono que vem ocorrendo nas ruas a opinião dele é sobre insensibilidade e revolta: “São monstros insensíveis, pra mim uma pessoa que faz mal a qualquer criatura indefesa e inocente não é digna de pena, me deixa realmente muito revoltado!”, desabafa.

 Imagem: Jhonata Sampaio / Arquivo Pessoal

Em Curitiba, no Paraná, o advogado Lucas Mano recolheu das ruas, a cachorra Lessy após ser atropelada próximo ao seu local de trabalho. Mas a família cresceu ainda mais: Pipoca chegou para trazer alegria ao lar após ser abandonado na rua e deixarem dentro do seu quintal. Mas não foram só cachorros que o curitibano adotou. Sua demonstração de amor com os pequenos e indefesos veio também com a adoção da gata Ágatha. Ela foi adotada de uma ONG e passou um período de adaptação onde Lucas teve durante o processo de adoção, preencher e cumprir uma lista de exigências como telar toda a casa e não permitir o contato dela com a rua. Mas a fase de adaptação foi tranquila e Ágatha se adaptou rapidamente. “Abandonar animais na rua é de uma irresponsabilidade sem tamanho, além de uma atitude desumana. Coloca os animais e outras pessoas em risco”, opina.

Mas o crescente número de animais pelas ruas, onde desconhecidos tentam encontrar seus donos, cresce nos grupos e publicações na internet. Alguns conseguem ser encontrados pelos seus donos após terem sido perdidos por algum motivo. Outros ficam abandonados, como confirmação do abandono daqueles que deviam protegê-los.

Em São Gonçalo, no Grande Rio, Helilucio Pinheiro, recolheu Amora, Preta e Nala de um lixão, e acabou adotando os cachorros. A opinião do gerente de lojas é que as pessoas que abandonam animais devem ser punidas através de formas mais rigorosas.





                                                           
                                                               Imagem: Helilucio Pinheiro / Arquivo Pessoal


Para Ludmila Costa da ONG Indefesos, é perceptível a cultura e procura por cães de raça. “Porém apesar disso, a nossa maior dificuldade é que muitas pessoas procuram as ONGs para adotar cães de porte pequeno ou porte micro, que infelizmente é muito difícil de encontrar em animais vira-latas, visto que geralmente os cães ficam porte médio”, explica.

Ela conta também que muitos animais recolhidos das ruas já estão na fase adulta e existe uma resistência de se adotar um animal já nessa fase. “Apesar dos inúmeros benefícios de adotar um cãozinho adulto, muitos procuram filhotes, muitas vezes sem nem ter noção dos custos, trabalho e dedicação que se requer em ter um animal filhote”, conta.

Cuidados na adoção
 
Caroline Mouco Moretti é médica veterinária e não acredita que a compra de animais seja um fator determinante para o abandono de animais. Mas esclarece que a comercialização de filhotes de raça pode ser mais atrativo devido o conhecimento das características de determinada raça, a fim de uma adaptação mais rápida no novo lar. “Entretanto, vale ressaltar que a adoção é sempre a melhor opção, existem inúmeros cães hoje em dia em instituições esperando por um tutor”.
 
A veterinária ainda explica sobre os cuidados que os novos donos devem ter com os bichos na hora que retiram os animais das ruas. “Quando você adota um animal em situação de rua e o coloca para dentro de casa é importante que você leve-o para avaliação com o médico veterinário de sua confiança, através dessa consulta o profissional conseguirá te auxiliar e orientar como proceder nesses primeiros cuidados”.
 
Em casos de lares com outros bichos, Caroline lembra a necessidade de estar com a carteira de vacinação dos demais animais em dia e levar o recém-adotado ao veterinário antes dele dar as "boas vindas" ao novo companheiro. “Deixe  sempre em ordem as vacinas, vermifugação, anti-pulgas, carrapaticida e as visitas periódicas ao médico veterinário. A primeira consulta é primordial para descartarmos qualquer doença congênita ou adquirida. Os novos tutores, na realidade os novos pais tem que estar ciente da situação de saúde do seu novo filho”, explica.
 
Alerta
 
A advogada criminalista Ana Bernal, conta que o motivo do abandono de animais ser crime. “Abandonar, em qualquer espaço público ou privado, animal doméstico, domesticado,  do qual detém a guarda, vigilância é considerado crime. Assim, como as práticas de bater, negar água ou alimento também são consideradas crime. Infelizmente o abandono de animais está cada dia mais presente em noticiários, em especial na época de férias. Existem relatos de pessoas que deixam seus animais em veterinários e Hotéis e, nunca mais voltam para buscá-los, mesmo com tantas campanhas contra a prática, muitas pessoas ainda cometem este crime.”

A pena prevista pelo Art. 32 da Lei de Crime Ambientais é de detenção de 3 meses a 1 ano e multa e, podendo ser majorada de um sexto a um terço, se ocorrer a morte do animal.
 
Ainda segundo a advogada, a população deve denunciar e registrar em delegacia os casos de agressão a animais. Ela esclarece que a denúncia é legitima e todos devem ter consciência de que os animais têm proteção legal e devem tê-la de fato exercida. “A Delegacia não pode deixar de registrar o Boletim de Ocorrência, sob pena de serem responsabilizados por tal fato, faça valer seus direitos e daqueles que não podem falar e sofrem em silêncio!”. E ainda ressalta que é de extrema importância que as pessoas tenham a consciência de que ao adquirir um animal de estimação, é, ou deveria ser, assumir uma “guarda responsável”, consistindo em planejar a vinda desse animal, tomando alguns cuidados necessários e obrigatórios para manter o animal saudável e feliz.
 
O que fazer ao encontrar um animal abandonado?
 
A advogada Ana Bernal, explica o que se deve fazer ao encontrar um animal na rua:
 
Primeiramente ao encontrar um animal abandonado, tire-o da situação de risco e, já verifique se o mesmo possui alguma identificação, pois muitas vezes o cachorro na rua sozinho, pode ter se perdido e estar sendo procurado pela família.” Ela ainda lembra que hoje em dia as redes sociais auxiliam muito para a localização de seus donos. Depois de esgotadas as tentativas sem encontrar a família precisam decidir se ficará com ele, ou o entrega para adoção, contatando Instituições, ONGs que acolhem animais abandonados.
 
Caso a família do animal seja encontrada e queira a devolução, isso deve ser feito, como a lei diz. “Por expressa determinação legal, no Código Civil, podendo haver uma recompensa pelas despesas, conforme estabelece o artigo 1.234 do mesmo diploma legal. O que não podemos esquecer é que o animal é um senciente, precisando ser respeitado, portanto deverá ser visado sempre o melhor para o animal que já sofreu demais com o trauma de ter sido perdido”, revela.
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