07/02/2020 às 23h50min - Atualizada em 07/02/2020 às 23h50min

As mídias estão a favor da literatura?

Como as obras audiovisuais tem sido usadas para aproximar as pessoas dos livros.

Thainá Souza - Editado por Rafael Campos
Felizmente ou não, a internet e as mídias ainda possui um papel de grande influencia sobre o público. Além de poder incentivar hábitos e comportamentos, também pode transformar a mentalidade da população. 

O Brasil é conhecido por ser um país que não tem o hábito de leitura, mas devido aos últimos acontecimentos, é possível que a atuação destes importantes adventos, traga esperança para que este resultado seja revertido. Como por exemplo, a telenovela 'Bom Sucesso', exibida entre julho de 2018 e janeiro de 2019.

A pouco menos de um mês, a Globo exibiu o último capítulo da telenovela, onde a personagem Paloma da Silva, interpretada por Grazi Massafera, uma costureira sonhadora e apaixonada por livros conhece Alberto (Antônio Fagundes), dono da editora Prado Monteiro, e ambos compartilham o amor pela literatura. Durante os capítulos da novela, os personagens mencionam grandes autores, citam e até encenam trechos dos clássicos (foram citados aproximadamente 50 obras no decorrer da novela). E com isso, segundo a pesquisa feita pela plataforma Zoom, à pedido do portal EXTRA, as buscas pelos títulos citados nos capítulos tiveram aumento de 15%.

Para quem não curte acompanhar novela, encontra na internet um campo ainda mais fértil sobre o mundo dos livros. Lá, existe uma comunidade imensa e com uma presença massiva nas redes sociais atráves de grupos no Facebook, blogs, canais no YouTube e perfis no Instagram.

Como por exemplo, o “booktube”. Nome dado ao nicho de canais voltados a literatura no YouTube tem uma diversidade de representantes que reúnem uma boa porção de inscritos que acompanham cada vídeo. Podemos citar TLT (canal criado por Tatiana Feltrin) com 392 mil inscritos e quase 100 mil seguidores no Instagram e Ler Antes de Morrer, de Isabella Lubrano, com 377 mil inscritos e mais de 70 mil seguidores.

Para Jacqueline Gonçalves, do canal Estante Alada, os canais sobre livros tem o poder de influenciar o público a ler mais. “Se não acreditasse nisso já teria parado de fazer vídeos. Aliás não só acredito como tenho certeza, pois recebo muitos feedbacks de pessoas que passaram a ler mais depois que começaram assistir meus vídeos”, declarou Jacqueline em entrevista para esta edição

Além dos “booktubers”, existem vários perfis no Instagram voltados para livros. Os posts geralmente são indicações e resenhas dos livros e novidades do mercado editorial. O perfil Livros da Chá, criado pela professora de história Charlene Ximenes Arcanjo, conta com mais de 14 mil seguidores. Ela conta que o perfil foi criado com a ideia de que fosse uma espécie de diário de leitura, sem nenhum interesse mercadológico por trás e sem imaginar atingir tal proporção.

Apesar de acreditar que esse tipo de conteúdo pode instigar pessoas a descobrirem o universo da leitura, o consumo raso pode não ter o poder de transformação. “No começo, contava livros lidos, publicava minhas compras. Com o tempo, percebi que ações como essas poderiam causar ansiedade em outras pessoas. Sempre quis fazer do perfil algo natural”, pontua.

Segundo a idealizadora, ela diz não ter nenhuma preocupação em produzir conteúdo regularmente “Posto quando tenho vontade, sumo quando não estou lendo tanto, não há nenhuma obrigação a ser cumprida. O @livrosdacha existe puramente como prazer e desejo de dividir meu amor pelos livros” conclui.

Muitos fatores colaboram com a não leitura do brasileiro, seja a dificuldade de acesso, más experiências na época de escola ou o simples fato de nunca ter experimentado ler algo que lhe atraia. As mídias, por ter grande participação na vida cotidiana da população podem consumir tempo que poderia ser destinado a atividades mais proveitosas porém, em especial a internet, quando bem utilizada, pode estreitar sua relação com os livros de uma vez por todas.
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