17/02/2020 às 15h23min - Atualizada em 21/02/2020 às 15h23min

O Impeachment de Donald Trump e os impactos na sua carreira política

O que o processo de Impeachment do presidente norte-americano representou para o cenário eleitoral - com Pedro Fassoni

Letícia Pereira Santana - Editado por Caroline Gonçalves
Foto: Watching América
Nos últimos dias o processo de Impeachment do Presidente Donald Trump movimentou o cenário norte-americano. Apesar das graves acusações, seguidas de julgamento no Congresso, o republicano foi absolvido na Quarta-Feira (5), seguindo a sua campanha para as eleições que ocorrerão ainda esse ano. Trump foi o primeiro presidente que passou pelo Impeachment em ano de reeleição, mas diferente do Brasil, enquanto o magistrado atravessa o inquérito, ele não é afastado do seu cargo. 
 
Após receber aprovação na Casa dos Representantes, o processo tramitou para o Senado, onde foi rejeitado – o artigo de Abuso de Poder obteve 48 votos favoráveis e 53 contrários, enquanto que o crime de Obstrução do Congresso contabilizou 47 votos a favor e 53 contra. Em suma, Trump saiu vitorioso, com apenas um voto republicano contra a sua figura, procedido do Senador Mitt Roney.

"Após a abertura do processo, os comentários já previam que seria praticamente impossível a remoção do Presidente da República, isso por uma razão muito simples: quem indicia o presidente numa situação como essa é a Câmara dos Representantes, entretanto, quem julga é o Senado, que conta com a maioria republicana”, relata Pedro Fassoni, cientista político e professor na PUC-SP. Nas palavras do professor, no Senado é preciso uma maioria qualificada, não apenas simples, o que se refere a dois terços dos votos, ou seja, 67 de 100 senadores deveriam votar a favor do Impeachment.

No dia 31 de janeiro, os Senadores estavam responsáveis pela votação que mudaria os rumos do caso, ao decidir se convocariam testemunhas ou não, o que foi descartado por eles. Uma das possíveis declarações viriam de John Bolton, ex-conselheiro de segurança nacional. Bolton alegou em seu novo livro, que Trump tinha o propósito de impedir que as forças militares dos EUA apoiassem o governo da Ucrânia, até o país europeu ceder às investigações contra Biden. Segundo Jeremy Shapiro, diretor de pesquisa do Conselho Europeu de Relações Exteriores, Bolton seria um forte elemento contra Trump.

“Embora seja muito malvisto na comunidade internacional, por comprar brigas com líderes de outros partidos e países - como na França, por exemplo – e ter uma política muito nacionalista de controle de imigração”, diz Pedro Fassoni. Um dos fatores que corroborou para manter o presidente no cargo, é justamente a sua avaliação positiva. Ainda para Passoni, a pesquisa mais recente de opinião dos Estados Unidos aponta que há mais pessoas que aprovam a administração Trump, do que reprovam, na qual 49% o avaliam positivamente e cerca de 43/44% desaprovam o governo.

“Trump vem contando com uma avaliação que tem crescido desde o começo do ano passado até agora, o que se explica também pelo bom desempenho da economia – relativamente bom, se levarmos em consideração o padrão das crises capitalistas. Então, a economia vem crescendo, a taxa de desemprego está baixa e o poder aquisitivo vem aumentando, o que acaba favorecendo a avaliação do presidente, afinal a economia é um preditor importante na hora dos eleitores escolherem seus candidatos” – explica Pedro.

Mesmo sendo majoritariamente bem avaliado, o governo de Donald Trump também contou com a oposição, que defendia a saída do presidente. Conforme ilustra o cientista político, entre os grupos contrários a Trump estão a comunidade negra, os imigrantes, a comunidade hispano-americana, mulheres e etc. Para Fassoni, a divisão nos Estados Unidos é muito evidente, e isso também reflete no momento do voto: “Trump tem o apoio, sobretudo, no setor da classe média tradicional, entre a elite de homens brancos”.

Voltando um pouco nas últimas eleições, em 2016, Pedro explica: ‘’Trump obteve menos votos populares do que a candidata adversária, Hillary Clinton, mas acabou vencendo a disputa no Colégio Eleitoral, devido as regras – que em muitos casos acabam sendo injustas e antidemocráticas, porque a vontade da maioria não é respeitada’’. Segundo ele, a figura de Trump consegue mobilizar alguns setores da sociedade por meio de suas propostas conservadoras, no campo da moral e dos costumes, e também da economia, fomentando atritos no panorama internacional - referindo-se a China (questão comercial), Venezuela, Coreia do Norte e Irã (a política beligerante) -, canalizando o ressentimento aos estrangeiros.

Veja o infográgico abaixo:

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