12/03/2020 às 15h55min - Atualizada em 12/03/2020 às 15h55min

Crítica: Orgulho e Preconceito é o melhor romance de todos os tempos

Fiamma Lira - Editado por Rafael Campos
Reprodução/Internet
A narrativa começa com uma constatação bem comum para os padrões daquela época: dizendo que um homem solteiro e rico precisa de uma esposa. O casamento era visto não apenas como uma condição desejada, mas também obrigatória.

Jane Austen era uma pessoa destemida, impulsiva, de temperamento forte, personalidade firme e extremamente decidida. Muitas dessas características estão presentes na personalidade e no comportamento das mulheres na história, principalmente da protagonista Elizabeth Bennet.

Apesar de viver numa sociedade dominada pelo conceito machista, patriarcal e bastante conservadora, Elizabeth sabia o que desejava e casar não estava nos seus planos. Ela ansiava em viver grandes aventuras, experiências, descobrir coisas novas e dar vazão às suas ideias.

Mesmo diante daquele cenário, a jovem possui a mente aberta e tem opiniões bem distintas das atitudes tradicionais. Um exemplo disso é o seu sonho em viver de seus próprios recursos, sem depender das riquezas de um rapaz, além de sua resistência em se casar.

Nos dialógos do enredo, é comum observar a moça argumentando com os outros personagens a fim de defender o seu ponto de vista sobre os mais variados assuntos.

Em um período em que não se falava sobre direitos iguais, ela apoia e defende o acesso das mulheres as mesmas condições que são colocadas aos homens. Numa época em que o feminismo não era amplamente difundido como hoje, podemos considerá-la feminista, assim como sua autora.

Orgulho e Preconceito foi o romance de maior sucesso de Jane Austen. A obra foi publicada pela primeira vez em 1813, mas ele foi finalizado em 1797, antes dela completar 21 anos de idade. Tendo adaptações de todos os tipos e em diferentes plataformas como televisão cinema e teatro, em que filmes, séries e até uma novela foram inspiradas em seu enredo. Um exemplo mais recente disso foi a novela que a Rede Globo exibiu em 2018, titulada “Orgulho e Paixão”.

Outro ponto interessante no romance é a maneira como foram construídas as relações amorosas da trama. Em vez de clichês e estereótipos do amor perfeito presente nos contos  de fada, a escritora resolveu fazer algo diferente do que era feito no meio literário de sua época. Jane escolheu retratar os relacionamentos afetivos sob a ótica da realidade. Conflitos, desentendimentos, dramas e mágoas são revelados de forma honesta. Claro que a alegria e felicidade de viver um amor verdadeiro são mostrados, porém, não há fantasias nem ilusões, mas imenso realismo. Elizabeth e Darcy atestam a veracidade do fato.  


Fonte: Reprodução da Internet

Um detalhe que chama a atenção: o filme não exibe sequer um beijo na boca entre os casais, incluindo os protagonistas. O motivo desse acontecimento estão em duas coisas principais: a primeira é que o livro não relata cenas de beijo com nenhum personagem e o segundo é a falta de aceitação dos britânicos em incluir esse gesto, pois seria infiel a trama.

Vale ressaltar que muitos enredos reforçam a crença no amor à primeira vista. Orgulho e Preconceito se difere desses escritos. Elizabeth e Darcy não se gostam nas primeiras vezes em que se encontram. Pelo contrário, os dois personagens trocam farpas e até ofensas. Somente quando passam a ter um diálogo sincero é que começam a se entender e a partir daí, passam a nutrir sentimentos um ao outro.

A narrativa é um belo exemplo de empatia, humildade e perdão. Os protagonistas, possuem suas crenças e opiniões, muitas delas equivocadas e preconceituosas, porém, com o passar do tempo, eles reconhecem os seus erros, pedem desculpas, se corrigem e melhoram no seu comportamento. Não existem amores perfeitos nem seres perfeitos. O que há são pessoas imperfeitas que buscam o melhor de si e do outro, apesar das suas imperfeições. Algo lindo e real. Essa é a grande lição.
  
 
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