23/03/2020 às 18h12min - Atualizada em 23/03/2020 às 18h12min

Entrevista: Mulheres na Literatura - Mariana Dal Chico

"​Sou otimista e acredito que o mercado literário feminino vai continuar em crescimento por um bom tempo"

Talyta Brito - Editado por Rafael Campos
Mary Shelley, autora da obra Frankenstein, seria a escritora que Mariana Dal Chico, cofundadora da Increasy, empresa de consultoria literária tomaria um café e conversaria sobre literatura. Segundo Mariana, a escritora britânica aborda os conflitos da natureza humana em sua obra de forma fascinante.  ​Em seu perfil do instagram, que conta com mais de 11 mil seguidores, Mariana compartilha resenhas e dicas de leitura. Conversamos  com ela sobre o seu dia a dia na empresa e suas perspectivas para mercado editorial.

Como é seu dia a dia como cofundadora da Increasy? Qual o propósito de vocês?
A Increasy é uma empresa de consultoria literária formada por profissionais experientes e dedicadas à qualidade, com foco na prestação de serviços para autores e grupos editoriais. Nossa missão é trabalhar próximo de nossos clientes a fim de acompanhar suas necessidades e identificar oportunidades e melhorias. No dia a dia eu trabalho junto aos meus autores agenciados, com editoras parceiras e prospecção para agenciamento.

Há quanto tempo decidiu empreender? Qual a reação das pessoas a sua volta?
Nossa empresa foi fundada em 2014, meus amigos ficaram um pouco surpresos por eu estar mudando de área — me formei na área da saúde e hoje trabalho com o mercado editorial —, minha família me apoiou desde o início e esse suporte foi fundamental.

Quais dicas você daria para quem sonha em empreendedor (a)?
Pesquise bastante a área em que você quer empreender, busque um diferencial e esteja financeiramente preparado porque o retorno do investimento inicial pode demorar um pouco para acontecer.

Como você lida com os pré-conceitos do trabalho home office?
Eu me adaptei muito bem ao trabalho em home office, no começo eu exagerava nas horas trabalhadas e quase não tinha momentos de descanso/lazer, mas logo inseri uma rotina com horários para início e final do meu expediente diário e encontrei um equilíbrio saudável entre horas trabalhadas e de descanso.

Qual livro você consideraria obrigatório para todas as mulheres? Por quê?

Não sou muito fã de “leituras obrigatórias” porque acredito que para cada livro existe um leitor e que uma leitura não agrada a todos. No entanto, indico o livro "O Mito da Beleza" de Naomi Wolf, para quem gosta de não-ficção e quer ajuda para se livrar da ditadura da beleza padrão e entender alguns mecanismos que sufocam a mulher no mercado de trabalho. De ficção, o livro “Fique Comigo” de Ayòbámi Adébáyò, trata com sensibilidade temas como pressões sociais e maternidade.

Como surgiu a ideia do Projeto "Leia Mulheres"?

 Para 2014, a escritora Joanna Walsh propôs o projeto #readwomen2014 (#leiamulheres2014) que consistia basicamente em ler mais escritoras. O mercado editorial ainda é muito restrito e as mulheres não possuem tanta visibilidade, por isso a importância desse projeto. Em 2015, Juliana Gomes convidou as amigas Juliana Leuenroth e Michelle Henriques para transformarem a ideia de Joanna Walsh em algo presencial em livrarias e espaços culturais. Um convite a leitura de obras escritas por mulheres, de clássicas a contemporâneas. Hoje o projeto está presente em várias cidades do país e em 2018 eu e a Mell Ferraz trouxemos o projeto para a nossa cidade, Jundiaí - SP. Para mais informações sobre o Leia Mulheres: https://leiamulheres.com.br 

Como você considera o mercado literário feminino. Estagnado? Em crescimento?

As mulheres ainda não possuem tanta visibilidade, mas nos últimos anos o cenário está mudando lentamente com a ajuda dos projetos e campanhas nas redes sociais. Ainda há muito espaço a ser conquistado, mas sou otimista e acredito que o mercado literário feminino vai continuar em crescimento por um bom tempo.

 
 Entrevista realizada no dia 17/03/2020
 
 
 
 
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