08/05/2020 às 14h53min - Atualizada em 08/05/2020 às 14h53min

Parem de nos matar! Ser jornalista não é crime

Uma homenagem a todos aqueles que arriscam sua vida em prol da informação

Talyta Brito - Editado por Rafael Campos
Site Uol
No dia 02 de junho de 2002, exatamente às 17 horas e 18 minutos, o sistema interno de câmeras da Rede Globo, emissora onde o jornalista Arcanjo Antonino Lopes do Nascimento, popularmente conhecido como Tim Lopes, trabalhava registraram sua saída - para a produção da reportagem que custaria a sua vida.

O intuito era apurar a denúncia de abuso sexual e o tráfico de drogas em um baile funk realizado na Vila Cruzeiro. Mas, as coisas não ocorreram como planejado. No dia seguinte, a editoria recebeu o informe do motorista avisando que o repórter não havia aparecido no local combinado. Nada de preocupante, naquele momento os olhos do mundo estavam voltados para a estreia do Brasil no Mundial da Coreia do Sul e do Japão. Tim provavelmente decidira continuar na favela e assistir a partida por lá.

O tempo foi passando e ninguém tinha notícias do jornalista. O desaparecimento gerou uma série de passeatas nas ruas do Rio de Janeiro. Uma semana depois, a polícia confirmou a morte. Conforme relatos de testemunhas ele foi sequestrado, torturado e morto por traficantes. No dia 5 de julho, um exame de DNA comprovou que os restos mortais encontrados em um cemitério clandestino eram de fato do jornalista. Essa não foi a primeira vez que o Brasil testemunhou a morte de um profissional no exercício de suas funções.

Durante o Regime Militar, o jornalista Vladimir Herzog foi encontrado morto nas acomodações do Destacamento de Operações de Informações (DOI/Codi). A entidade declarou que Herzog, havia cometido suicídio, entretanto, essa versão foi logo contestada pela família, já que havia indícios de tortura pelo seu corpo.

A lista de jornalistas mortos ao redor do mundo continua: Stephan Villeneuve (França), Véronique Robert (Suíça) Valério Luiz de Oliveira (Brasil) são alguns deles. Conforme o Comitê Internacional de Jornalistas (CPJ) entre 2009 e 2019, 318 foram mortos em todo o mundo. Sendo que, 86% dos casos ainda continuam sem condenação dos agressores. A Somália, país localizado no continente africano, lidera o ranking pelo quinto ano consecutivo.

Christopher Allen, jornalista norte-americano, morreu com uma bala na testa em agosto de 2017, enquanto realizava a cobertura de um conflito entre tropas do governo e rebeldes no Sudão do Sul. A fotojornalista Albertina Martinez Burgos foi morta com golpes de faca em seu apartamento em Santiago, no Chile. O Ministério Público do país abriu uma investigação para apurar os fatos. Tendo em vista que, seus equipamentos de trabalho (notebook e câmera fotográfica) desapareceram. De acordo com meios de comunicação locais a jornalista registrou violência policial contra a população.

Longe de apresentar respostas para o problema, o intuito da retrospectiva é prestar uma homenagem aos colegas de profissão pelos anos de prestações de serviço, de cobrar respostas para os crimes que ainda estão sem solução e perguntar: "até quando teremos de conviver com esse dilema?" Lembrando sempre que, assegurar a integridade desses profissionais nas atribuições de suas atividades é garantir o livre acesso a informação.
 

Foto de Capa: Tim Lopes, jornalista morto em junho de 2002. 
Obs: Efeito preto e branco da foto feito pela produtores da matéria. 
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