26/04/2019 às 11h32min - Atualizada em 26/04/2019 às 11h32min

A linha tênue entre desapego e desamor

Tudo que aprendi com "Não se apega, não".

Amanda Ketlyn - Editado por: Millena Brito
Foto: Amanda Ketlyn.

“Desapegar: remover da sua vida tudo que torne o seu coração mais pesado. Louco são os que mantêm relacionamentos ruins por medo da solidão. Qual o problema de ficar sozinha? Que me desculpe o criador da frase 'você deve encontrar a metade da sua laranja'. Calma lá, amigo. Eu nem gosto de laranja. O amor vem pros distraídos.” (Isabela Freitas)

Quantas vezes deixamos de falar pra alguém que sentimos saudade por medo do que ela possa pensar? Mas também, quem pelo menos uma vez na vida não falou “eu também te amo” só para não magoar os sentimentos do outro? Saímos do tempo em que tudo girava em torno do romantismo e entramos na época em que tudo gira em torno do desamor, tempo no qual relações vivem em dois extremos: ou são efêmeras e baseadas em insegurança ou são mantidas por medo da solidão. E nenhuma das duas é saudável.


São tempos difíceis para o amor e hoje temos outras prioridades. Tem aquele livro que deveria ter sido lido há um ano, aquele filme que prometi que ia assistir, o trabalho para ser entregue daqui a cinco dias que ainda nem comecei… E tudo bem ter outras preferências e querer ficar só. O que não está bem é você ter desistido do amor porque a sua vizinha foi traída depois de vinte anos casada, e agora grita aos quatro cantos da cidade que “amor não existe” ou você falar que não acredita mais em ninguém porque já se magoou outras vezes e até mesmo pra tentar se encaixar em um padrão, já que a moda do momento é “pega e não se apega”.

Todos temos experiências ruins quando resolvemos deixar alguém entrar na nossa vida. Mas se não o fizéssemos não teria a sensação de conhecer a pessoa de outras vidas e em uma hora de conversa contar a vida inteira sem ter medo de apenas ser você, não teria a sensação de frio na barriga ou o coração acelerado, não teria a quem recorrer em um dia de estresse quando tudo que você quer é que alguém lhe ouça sem muitas perguntas, sem nenhum julgamento, apenas escute.
E se a gente aplicar a definição da Isabela Freitas sobre desapego na vida e em todas as nossas relações, vamos parar de viver amores meia boca que não rendem nada além de boas risadas em uma mesa cercada de amigos. Mas não confundam desapego com desamor. “O desapego é saber se desprender de tudo aquilo que te retém, faz mal e sufoca”. (Isabela Freitas)

Aliás, por que tanto medo da decepção? Às vezes você vai ter inspiração pra compor uma música, escrever um texto ou até mesmo um livro e cá entre nós, as melhores músicas são as que falam de amor (principalmente o não correspondido). Por que tanto medo de ter experiências? Por que tanto medo de por apenas uma noite esquecer o que deu errado e pensar no que pode dar certo? Por que só por hoje você não deixa a razão um pouquinho de lado e deixa a emoção te guiar? Talvez tudo dê errado e você acabe chorando escorada na porta do banheiro, mas também, tudo pode dar tão certo ao ponto de você esquecer o motivo de nunca ter se permitido, então, permita-se.


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