29/08/2020 às 16h08min - Atualizada em 29/08/2020 às 15h52min

Como funcionam as eleições nos EUA? Quem é Biden e quem é Trump?

Lays Bento - Editado por Camilla Soares
CNN

As eleições norte-americanas, tão diferente das eleições brasileiras, reverberam impactos mundiais. Neste artigo, você confere quem são os candidatos na disputa,  como funciona e quais são as últimas notícias sobre o processo eleitoral norte-americano. 

 

Para início de conversa, desde 1985, há dois principais partidos nos Estados Unidos: os Democratas e os Republicanos. O primeiro, mais à esquerda e, o segundo, mais à direita.

Diferente do Brasil, as eleições estadunidenses para presidente têm um peso muito grande por estados. Sobretudo, na proporção populacional de tal estado. Isso pois, no começo do ano, os cidadãos dos 50 estados elegem delegados conforme regras individuais. E eis que se forma o Colégio Eleitoral.

 

 A ressalva antes da próxima etapa é que, por conta da característica mencionada previamente,  alguns estados podem ser decisivos no rumo da eleição. Ao todo, são 538 delegados. Mas, enquanto a populosa Califórnia ocupa 55 assentos no Colégio Eleitoral, Washington D.C, por exemplo, só é representado por 3 delegados. Para vencer, é preciso que um candidato à presidência obtenha pelo menos 270 votos do total de delegados. 

 

 Após as convenções nacionais, com os nomes dos pré-candidatos que concorrerão à Casa Branca confirmados (como no caso de Joe Biden e Donald Trump em 2020), é necessário encarar a tendência democrata e republicana em cada uma das áreas. O nordeste e costa-oeste do país tendem a uma abordagem democrata, já no interior os republicanos predominam. 

 

E então entra o polêmico “the winner takes all”, que tornou os resultados de 2000 e 2016 tão surpreendentes. Um candidato pode ser eleito sem ter a maioria dos votos populares! E, mesmo que em um estado 51% aprove um candidato e 49% não o aprove, o número total de delegados estaduais contam a favor no resultado.  

 

Na última eleição Trump teve quase 3 milhões de votos diretos a menos do que Hillary Clinton, mas somou 304 delegados, enquanto ela, apenas 227. E mesmo assim o republicano venceu. 


Joe Biden, 77 anos

Nascido na Pensilvânia e prestes a completar seus 78 anos em novembro, Joseph Robinette Biden Junior, do partido Democrata, tem duas graduações no currículo: História e Ciências Políticas pela Universidade de Delaware e Direito na Universidade de Syracuse. Biden também tem vasta experiência política. Foram 36 anos como senador no estado de sua primeira graduação e um mandato como vice-presidente ao lado de Obama de 2009 a 2017.   

 

Donald Trump, 74 anos

O nova iorquino e republicano Donald John Trump é um dos cinco filhos de um casal imigrante. Seu pai Fred Trump, falecido em 1999, fez sucesso no segmento da construção civil. E Donald Trump, posteriormente formado em Economia pela Wharton School of Finance, na Pensilvânia, assumiu os negócios da família em 1971 e os expandiu. Com fortuna bilionária, Donald já foi apresentador de TV na NBC, já escreveu best-sellers e desde 2016 é o atual presidente do Estados Unidos.

 

A corrida presidencial e o atual estágio 

Na atual circunstâncias, os candidatos à presidência seguem buscando apoio pelos estados do país. Os discursos tocam em temas pertinentes, como as manifestações antiracistas, a Covid-19 e as relações entre China e EUA.

 

Anote na agenda: no dia 3 de novembro, com o novo presidente eleito, um novo percalço – até mesmo mundial –  deve ser tomado. A posse ocorre em 20 de janeiro.

 

O que esperar

Em 2016, no dia que Trump se tornou o atual presidente da terra do tio Sam, o efeito claramente não foi isolado. Bolsas de valores de nações caíram – a Ibovespa iniciou as atividades em queda de 3% e 1,25% ao final do dia.

A análise econômica se torna ainda mais interessante do ponto de vista econômico atual. Diante de uma das maiores pandemias da História, a Covid-19, países entram em recessão e níveis históricos de recuo, como a queda trimestral de 27,8% no PIB japonês – terceira maior economia do mundo.

 

Em solo nacional, de acordo com dados do Banco Central, a retração do Produto Interno Bruto brasileiro ao final do ano será de 6,4%, o que desencadeia reflexões sobre os investimentos e níveis de desemprego nacionais, por exemplo.

 

Para Carlos Eduardo Lins, jornalista, doutor em Comunicação pela USP, escritor com vasta experiência nas Relações Internacionais e que já foi por anos correspondente nos EUA, a vitória de cada um dos candidatos, do ponto de vista político, deverá ter efeitos diretos no Brasil. 

 

“Sobre o Brasil, se o presidente Trump for reeleito, as coisas não mudarão muito em relação a como estão agora. O presidente Bolsonaro costuma se alinhar com quase todas as políticas da atual administração americana e deverá continuar assim”, pontua ele. 

 

Contudo, Carlos alerta que o cenário será outro caso o oponente seja eleito. “Se Biden vencer, é possível que o novo governo dos EUA seja mais duro em cobranças do Brasil em áreas como meio ambiente e direitos humanos. Os dois países deixarão de ter o alinhamento automático que existe agora”, finaliza.

 

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