12/09/2020 às 17h01min - Atualizada em 12/09/2020 às 16h56min

​Censura velada: Justiça do Rio proíbe rede Globo de exibir documentos sobre o caso Flávio Bolsonaro

Preservação de imagem ou censura velada? As opiniões por trás da decisão da justiça do Rio de Janeiro

Fernanda Silva - Editado por Camilla Soares
Caroline Gonçalves, jornalista
foto: reprodução/internet
A justiça do Rio de Janeiro, com decisão da juíza de primeira instância, Cristina Feijó, proibiu, dia 4 de Setembro a Rede Globo de exibir, em suas reportagens, documentos de investigação sobre Flávio Bolsonaro (Republicanos) a fim de preservar a imagem do então senador filho do presidente, Jair Bolsonaro (sem partido).

Flavio é suspeito de liderar um esquema de “rachadinha”, prática caracterizada pela transferência de salário de assessores para o parlamentar ou secretário a partir de um acordo pré estabelecido ou como uma exigência para a função, em seu gabinete no Rio quando foi deputado até 2018.

O atual Senador pelo estado do Rio de Janeiro, comemorou a decisão da justiça nas redes sociais: “acabo de ganhar liminar impedindo a #globolixo de publicar qualquer documento de meu procedimento sigiloso. Não tenho nada a esconder e expliquei tudo nos autos, mas as narrativas que parte da imprensa inventa para desgastar minha imagem e a do Presidente Jair Bolsonaro são criminosas” escreveu ele. Em matéria publicada no portal G1, a Globo disse respeitar as ordens judiciais, mas que lamenta esse cerceamento da liberdade de informação, e ainda que recorrera na decisão assim que for notificada.

A decisão dividiu opiniões, apoiadores do senador apoiaram a decisão da juíza ao mesmo passo em que diversas entidades repudiaram a mesma, visto que se trata de assunto de interesse público, e que o papel da imprensa é divulgar o que acontece, principalmente acerca de cargos políticos uma vez que envolve dinheiro público, este que o povo quer e tem o direito de saber sobre. E quando acontece uma censura que impede a imprensa de realizar o pleno ofício de informar é uma grande perda para a sociedade.
 
Para a Associação Brasileira de imprensa (ABI), é urgente que o Supremo Tribunal Federal (STF) reestabeleça o império da lei, a ainda afirmou que a censura parece estar se tornando praxe no país, tal como existia no tempo da ditadura militar e do AI-5 e que se trata de mais um atropelo de expressão. A Associação Nacional de jornais (ANJ), afirmou em nota que qualquer tipo de censura é terminantemente vedado pela constituição: “além de atentar contra a liberdade de imprensa, cerceia o direito da sociedade de ser livremente informada” publicou.

Segundo a jornalista e editora chefe de Eedação da editoria Mundo no Lab Dicas Jornalismo, Caroline Gonçalves é uma censura com pretexto de preservar a imagem do filho do presidente Jair Bolsonaro. “Censura essa que visa preservar a imagem do senador, que já conta com foro privilegiado, perante a população”.Caroline ainda ressalta que não é a primeira vez que a justiça censura à imprensa no Brasil. “Na maioria das vezes, são políticos e poderosos do alto escalão usando a máquina pública para coagir ou impedir a veiculação de coisas que eles consideram imoral e/ou atos que eles fizeram, mas não querem a divulgação ou holofotes apontados para eles.”

Ficando assim mais evidente a importância da imprensa livre para o direito a informação que por sua vez é essencial para a democracia. “ Só a partir da pluralidade e da liberdade de imprensa que o cidadão forma sua opinião a cerca de cada fato” finaliza Caroline.

O GAECC (Grupo de Atuação Especializada no Combate à Corrupção) do Ministério Público do Rio de Janeiro, concluiu as investigações também sigilosas, sobre o atual senador encaminhou o caso para o procurador-geral de justiça do Rio, Eduardo Gussem.
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