18/09/2020 às 18h01min - Atualizada em 18/09/2020 às 16h12min

As consequências negativas da política monetária do Federal Reserve

As decisões tomadas pelo FED vêm causando discussões dentro do mercado financeiro. Para alguns especialistas a politica expansionista adotada por ele pode gerar uma crise no futuro.

Leonardo Leão - labdicasjornalismo.com
Créditos: AP Photo/File
 O Federal Reserve (FED), o Banco Central dos Estados Unidos, com um placar favorável de oito votos à dois, decidiu manter os juros próximos à zero. Em uma reunião do Federal Open Market Committee (Fomc), no dia 16 de setembro, foi definido que a taxa básica de juros permanecerá entre 0% e 0,25% ao ano. Também foi decidido a permanência dos valores da taxa de juros sobre excesso de reservas em 0,10% e da taxa de desconto em 0,25%.

 Essa política monetária deve se manter até 2023. O projeto do Fomc é alcançar uma expectativa de inflação próxima à 2%, o que só deve ocorrer daqui a três anos, segundo as estimativas do comitê. A intenção da Reserva Federal é ajudar na recuperação económica do país. Outro objetivo é a reabilitação do mercado de trabalho e a volta do pleno emprego, o FED está disposto a fazer o que for preciso para cumprir com este objetivo.

Economia Internacional e a expansão monetária
 O FED não é o único a adotar essas medidas, na verdade, os juros baixos estão se tornando cada vez mais comuns no cenário econômico mundial. O Japão foi o primeiro país a por em prática essa política conhecida como Teoria Monetária Moderna (MMT, sigla em inglês). Após a crise de 2008, mais países vêm aderindo a esta prática. A ideia é simples, os juros mais baixos, a curto prazo, facilitam na tomada de empréstimos e no investimento das empresas, além de incentivar o consumo das pessoas e os gastos do governo.

 Os críticos dessa política apontam para as consequências a longo prazo, que podem ser desastrosas. A taxa de juros baixa permite que países e empresas possam se manter através de empréstimos, aumentando ainda mais sua dívida. Isso gera o processo chamado de “zumbificação” da economia. Para a economista chefe do KPMG no Reino Unido Yael Selfin, as empresas zumbis são aquelas que não conseguem pagar suas dívidas com os lucros obtidos por um longo período ou que recebem créditos subsidiados.

 Segundo o planejador financeiro Guilherme Neves, essa politica monetária estimula o consumo, no curto prazo, através de auxílios financeiros e desestimula a poupança. A causa desse processo é a inflação dos preços, caso a oferta de produtos não supra a demanda das pessoas.

Expansão monetária no mercado financeiro
 O mercado financeiro é um dos mais atingidos pelas consequências da expansão monetária. Para alguns especialistas, a política de juros baixos e a criação de dinheiro adotadas pelo Baco Central. Esse dinheiro é criado através de um sistema chamado Quantitative Easing, o QE ocorre quando o Banco Central compra os títulos de longo prazo de seus bancos membros em troca de créditos.

 Os primeiros a receber esse dinheiro são incentivados a investir em ativos de alto risco na bolsa de valores. Isso prejudica a rentabilidade de uma renda fixa, que nos EUA está próximo de 1% a.a. Outra consequência é que o valor de uma empresa passa a ser mais importante que o lucro, gerando uma inflação dos ativos financeiros.

 A desvalorização das moedas fiduciárias, como o dólar, frente aos metais preciosos, como o ouro e a prata, também é resultado dessa expansão da base monetária. Para Guilherme Neves, isso é causado pelo fato da oferta monetária superar a quantidade de insumos e bens produzidos, gerando um numero maior do que o necessário de dinheiro em circulação.

 Alguns especialistas apontam que tanto o ouro quanto o dinheiro estão perdendo valor, com o dinheiro se desvalorizando mais rápido, devido a sua expansão. Por tanto, no cenário atual, quem tiver a menor queda será considerado uma reserva de valor. O Bitcoin é apontado como uma reserva segura para se proteger dessa desvalorização, mas ele não é uma unanimidade dentro do mercado financeiro.

Os resultados da expansão monetária
 Por tanto, políticas como está são prejudiciais para a economia. Guilherme destaca alguns efeitos gerados pela expansão monetária, como o aumento da desigualdade social, a deterioração das contas públicas, a desvalorização do papel-moeda, dentre outros. Para ele a economia deveria caminhar de forma orgânica, assim como na pouco conhecida crise de 1920. Os críticos do Banco Central também destacam a desvalorização do dólar a partir de 1913, ano de fundação do FED, com uma queda de 97% de poder de compra.

 Para os críticos, se essa política seguir sendo praticada, o futuro da economia americana e mundial será parecido com a do Japão atualmente. A economia japonesa está estagnada, seu índice NIKKEI está 40% menor que no ano de 1989, sua moeda vem perdendo valor e sua divida bruta chegou a cerca de 230% do PIB no final de 2019.



 Já Guilherme acredita que a economia americana irá se recuperar frente às demais, devido a sua dinâmica e o fato de ser baseada em tecnologia. Outro importante motivo para essa confiança está relacionado ao dólar e sua capacidade de amenizar os efeitos das práticas nocivas praticadas pelo Federal Reserve.

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