28/09/2020 às 14h42min - Atualizada em 28/09/2020 às 14h19min

Era uma vez...

Contos de Fadas e suas origens

Juliana Barbosa - Editado por Bruna Araújo

Era uma vez, em uma terra cercada por belas montanhas e jardim de flores... 
 

Não. Me desculpe. Eu não tenho a pretensão de desfazer todas as suas crenças que lhe foram apresentadas durante a infância. Contudo, preciso ser honesta e lhe contar que as histórias que você ouviu quando era criança que começavam com “Era uma vez” e terminaram com “Viveram felizes para sempre” não eram realmente o que pareciam ser. 
 

Todos já sabem que quando uma história começa com o famigerado "Era uma vez"… irá se tratar de um conto de fadas, uma história que alimenta as esperanças de que não importam quais sejam as dificuldades presentes no enredo, ele terá um final feliz. Todavia, as histórias que deram origem a esses contos nem sempre terminam com "e foram felizes para sempre”. 
 

Os contos de fadas possuem esse título por ter sua origem ligada diretamente à cultura céltico-bretã, onde as fadas são consideradas seres de fundamental importância. Mas isso não quer dizer que as fadas estarão presentes em todas as histórias. Os contos populares eram contados oralmente entre os povos e foram documentados pela primeira vez pelo escritor francês Chales Perralt ter trago os contos de fadas a luz, foi com os irmãos Jacob e Wilhelm Grimm que eles se tornaram populares. E não vamos deixar Hans Christian Anderson de fora, pois ele também foi responsável por popularizar os contos de fadas pelo mundo.  
 

Em suas origens, os contos de fadas não eram destinados às crianças e nem tinham o objetivo de transmitir ensinamentos morais. A partir de Perralt, que na minha concepção pode ser muito bem entendida como uma alusão a uma criança sendo vítima de violência sexual. Para a realidade da época, seria um grande absurdo expor as crianças de tal forma. 
 

Andersen por outro lado, apesar de ainda manter princípios éticos e morais da época, carregava um tom mais sombrio em seus contos, como na história “A Menina dos fósforos” (eu realmente me emocionei com esse conto). Apesar de nem todos os seus contos terminarem com finais felizes, ele buscava dar um final não tão infeliz assim para sua narrativa. É o que acontece no caso com a “A pequena Sereia”. Na sua versão da história, Ariel sofre uma grande decepção amorosa e tenta voltar a costa nadando, no entanto, ela morre afogada e ao invés de virar espuma, ela se torna parte do ar na esperança de ir para o céu. Mas ela morre de qualquer forma, então não deixa de ser uma versão triste. 
 

Mas o x da questão é o por que os contos de fadas como os conhecemos são diferentes das versões originais por assim dizer. 
 

Eu não queria ter que responder a essa pergunta, mas a resposta mais plausível se dá pelo conteúdo agressivo e violento que as versões originais dos contos de fadas possuem. Desta forma, as alterações que ocorreram nas versões ao longo do tempo, ocorreram para que diminuíssem os aspectos negativos das histórias. <span class="SpellingError SCXW12501713 BCX0" style="margin: 0px; padding: 0px; user-select: text; -webkit-user-drag: none; -webkit-tap-highlight-color: transparent; background-repeat: repeat-x; background-position: left bottom; background-image: url(" data:image="" gif;base64,r0lgodlhbqaeajecap="" 8aaaaaaaaaach5baeaaaialaaaaaafaaqaaaiilgaxcchrtcgaow="=&quot;);" border-bottom:="" 1px="" solid="" transparent;="" background-color:="" inherit;"="">Perralt, quando foi registrar os contos populares, buscou ser fiel as versões conhecidas e que eram contadas oralmente entre os povos antes disso. Já os Irmãos Grimm resolveram amenizar retirando conteúdos que fossem polêmicos e gerassem rebuliços entre a sociedade. Andersen, apesar do seu tom melancólico e triste, também resolver alterar os finais de seus contos para que não gerasse desconforto entre os leitores, em especial, por causa das crianças, pois os contos passaram a ser utilizados na educação delas.  


A título de exemplo, na versão que deu origem a Bela Adormecida, a história não se refere a uma maldição lançada por uma fada má e sim uma profecia. A princesa não foi acordada por um príncipe. Um rei a vê e em busca de diversão, em um ato banal, ele a estupra enquanto ela dorme. Após nove meses, nascem duas crianças mesmo ela estando dormindo. A princesa acorda após uma das crianças chupar seu dedo e retirar o linho que a fazia dormir. Assim ela se depara com a realidade onde foi estuprada enquanto dormia e agora tinha dois filhos para cuidar. 
 

Já na versão de João e Maria, existem muitos aspectos ligados a realidade da época em que esse conto foi popularizado. Devido à fome e as doenças do período, os pais costumavam abandonar as crianças nas florestas para que não tivessem que assisti-las definhando de fome. 
 

Sendo as alterações nas versões originais uma tentativa de diminuir os aspectos negativos de sua narrativa, os contos de fadas como nos foram contados, buscavam encobrir tristes realidades em que determinadas histórias se passaram. 


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