22/10/2020 às 15h17min - Atualizada em 22/10/2020 às 15h11min

Euclides da Cunha: aproximação e reflexão

A figura do jornalista e escritor no mundo moderno

Alyson Franklin do Nascimento Brandão - Editado por: Gustavo H Araújo
Reprodução: Terra - Euclides da Cunha
A literatura carrega a intimidade com as palavras e todo esse bojo remete a quem versa sobre ele. Imagine seu Manoel e dona Eudóxica, como eram privilegiados de terem um filho que tinha o dom de contar fatos de forma melódica e com a aproximação do real.

Euclides da Cunha adotou um modo historiográfico ousado ao dar um arranjo poético para o conflito, criando uma obra híbrida entre a narrativa e o ensaio, entre a literatura e a história.

O legado do jornalista e escritor é vivo e pertinente. Suas obras e aventuras retransmitem o místico jeito de fazer acontecer. Por vezes, a imagem construída daquele homem audacioso e cheio de manias não retrata o papel dele para a sociedade.

A reflexão, no tocante a opressão, era clara. A denúncia de uma população que vivia fora dos “eixos” carrega um revés que até agora não houve resolução.

Outro fator relevante à narração é o quanto Cunha detinha marcas de discriminação racial. Por muitas das vezes, perguntei-me o que levava um homem tão inteligente, determinado e politizado a agregar princípios “sórdidos” a sua conduta. Acaso isso ainda é real e existente?

Não bastasse toda uma vida conturbada, sua morte foi cruel. Quisera o destino que ele descobrisse a traição da sua esposa com um amigo mais jovem, e fosse assassinado com um tiro no pulmão. Ah! quantas tragédias atualmente somos obrigados a vivenciar...

É inevitável pensar no jornalismo sem imaginar a figura de Euclides da Cunha. Não somente pela sua contribuição em grandes coberturas, como a Guerra de Canudos e os relatos de momentos inimagináveis, mas também por seu histórico sangrento de “pontos” que guarnecem e perecem 
à margem de um mundo tão caudaloso.

Assim como a representatividade presente, usemos a figura pública do jornalista para contar, denunciar e, com nossa experiência, subscrever nosso papel pujante na sociedade atual.

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