01/12/2020 às 14h28min - Atualizada em 01/12/2020 às 14h07min

Martin Ødegaard: de eterna promessa a realidade

O garoto de apenas 21 anos, posto na prateleira de eterna promessa muito cedo, vem calando os críticos e deixando o seu nome de fora dessa lista

Caio Henrique Panini de Oliveira - editado por Wesley Bião
Ødegaard atuando de fato em sua primeira temporada pelo Real Madrid (Foto: Vincent West)
O mundo da bola se surpreendeu quando o Real Madrid anunciou, em janeiro de 2015, a contratação de Martin Ødegaard. Na época, o garoto norueguês tinha apenas 16 anos de idade e chegava para atuar no Real Castilla, o time B do Real Madrid. O clube espanhol pagou 2,80 milhões de euros. Ele chegou com altas expectativas, e é claro sendo uma grande promessa para o futuro. 

Antes de chegar à Espanha, o meio-campista atuava na equipe do Stromsgodset, clube que atua na primeira divisão do futebol norueguês. Com apenas 16 anos de idade, Martin já tinha participado em três partidas pela seleção da Noruega. Pelo Stromsgodset, Ødegaard fez 25 jogos, marcou cinco gols e deu seis assistências - nada mal para um jovem que estava em seu primeiro ano como profissional. David Nielsen era o técnico na época e foi ele quem deu as primeiras oportunidades ao jogador.

Com o belo futebol apresentado, os madrilenhos o contratou para atuar em seu time B, na época comandado por Zidane. Em sua primeira temporada na Espanha, o nórdico atuou em 38 jogos, marcou apenas um gol e deu sete assistências. O jogador atuava como meia armador e era considerado o camisa 10 daquele time. No dia 23 de maio de 2015, ele estreou no time principal do Madrid, por 32 minutos em um confronto contra o Getafe, em que os merengues ganharam por 7x3. Pelo time B ele jogou 62 jogos, anotou cinco gols e seis assistências. Jogou bastante, mas não teve muito destaque, e no ano de 2017 foi emprestado ao Heerenveen, da Holanda.

 

O garoto de apenas 16 anos sendo apresentado pelo Real Madrid. (foto: Denys Doyle)

Naquela época já havia algumas criticas da imprensa ao clube por ter contratado o jogador de uma forma precoce. O Real Madrid olhava com bons olhos esse empréstimo, já que o meia ganharia uma boa experiência atuando em uma liga mais competitiva que a terceira divisão do Campeonato Espanhol e não teria o peso de atuar em um grande clube com pouca idade. A mídia já o colocava na lista de eternas promessas, e  seria apenas mais um jovem que não vingaria. 

Chegando à Holanda, Martin já era titular da equipe - atuou 16 jogos e ficou apenas dois na reserva. Jurgen Streppel, o técnico do clube na época, escalava o meia ainda em sua posição de origem, e em alguns jogos o escalou como ponta direita, sem muito destaque, mas mostrava que ali atuando pelos lados do campo poderia dar algum fruto. Na temporada 17/18, sua posição foi mudada pelo técnico: Ødegaard atou quase todos os jogos como um ponta direita, e ali começou a ganhar destaque e também a receber elogios dos tabloides holandeses. O camisa 10 do clube saiu da sua zona de conforto, escutou as dicas que o seu técnico lhe deu e agarrou a oportunidade. Pelo Heerenveen, o jogador atuou em 43 jogos, marcou três gols e anotou cinco assistências. Os números não eram tão expressivos, mas com a sua mudança de posição e com a sua idade ainda baixa (na época com apenas 17 anos), poderia-se dizer que ele já tinha saído da prateleira de eterna promessa.

Com o fim do empréstimo ao clube Heerenveen, os espanhóis resolveu emprestá-lo novamente, agora para o Vitesse, também da Holanda. O técnico era Eduard Sturing, que estava muito contente em utilizar o jogador para a temporada 18/19. Agora Martin era oficialmente um ponta direita e fez 23 jogos nesta posição, fazendo suas melhores partidas. No Vitesse o norueguês ficou de fora apenas um jogo, por conta de uma lesão na mão. Destaque do time e do campeonato, os holofotes voltaram-se à ele, e com isso a sua volta para o Real Madrid era questão de tempo. No clube holandês, Ødegaard atou em 39 partidas, marcou 11 gols e deu 12 assistências na temporada mais produtiva de sua carreira.



Martin atuando com a camisa do Vitesse (foto: Twitter oficial do VIitesse)

Após o termino da temporada 18/19, era se esperado que o jogador finalmente atuasse com a equipe principal do Real Madrid, mas o clube espanhol resolveu empresta-lo pela terceira vez, agora ao Real Sociedad. O jogador chegou aos Txuri-urdin em agosto de 2019, e a equipe tinha montado um time muito interessante para aquela temporada: o lateral Theo Hernández, o volante Illarramendi, o meia Merino, o ponta esquerda Oyarzabal, o ponta direita Januzaj, atacante brasileiro Willian José e outro centroavante Isak eram nomes daquele elenco. O time fez uma ótima campanha na La Liga, ficando na nona colocação. O norueguês voltou a jogar como um meia armador e ficou responsável em criar as jogadas para o time. Martin ficou alguns jogos de fora por conta de lesão, mas era figura carimbada no time titular. Pelos Txuri-urdin foram ao todo 36 partidas jogadas, sete gols e nove assistências. Era de fato a sua primeira temporada em uma liga fortemente disputada por grandes clubes e conseguiu ser um dos destaques do time.


O camisa 21 atuando pela Real Sociedad (foto: Juan Manuel Serrano)

No ano de 2020, o camisa número 21 foi mantido ao elenco merengue para a disputa dos campeonatos. Neste início de temporada foram sete partidas disputadas. A diferença de Martin para os outros jogadores que ficaram na prateleira de eternas promessas é que o meia aproveitou todas as chances que foi lhe dada, não ficou acomodado em atuar apenas numa posição e sempre tentava melhorar em algo. Ødegaard virou um bom jogador e se tornou uma realidade, ao contrário que foi dito por muitos lá em 2015.

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