15/01/2021 às 12h20min - Atualizada em 15/01/2021 às 12h07min

Crônica: pensando sobre as máscaras

Brasil alcança a marca de 200 mil mortes. As máscaras persistem

Aila Beatriz da Silva Inete - Editado por Gustavo Henrique Araújo
Foto/Reprodução: Photo by visuals on Unsplash
Hoje, quando falam a palavra "máscara", imediatamente lembro das minhas penduradas no cabideiro atrás da porta, essas que uso todos os dias para me proteger da covid-19. Mas antes, a palavra máscara me fazia lembrar das máscaras usadas sob os olhos, aquelas bem trabalhadas, brilhosas e até engraçadas; aquelas que me remetiam à alegria, aos carnavais e aos bailes à fantasia, os quais tanto participei na escola e na vizinhança.

Eu sempre achava curioso como os japoneses e chineses usavam máscaras no dia a dia, máscaras que eu via em hospitais e clínicas, nunca nas ruas - até o coronavírus aparecer. Quando eu descobri que eles usavam para se protegerem da poluição do ar, entre outras coisas, fiquei pensando que todos deveriam usar, já que o nosso ar é poluído também, mas a ideia nunca foi para a frente. Eu nunca tinha pensado tanto sobre elas, mas hoje, quando estou lavando as minhas, penso: “como um tecido, de certa forma fino, pode nos proteger de pegar tantas doenças virais? “E está salvando nossas vidas?” É meio louco, mas protege. Protege, e muito.

Recentemente, descobri que, por volta de 1910, contra todos e tudo, o médico Wu Lien Teh começou a dizer para todos os médicos, enfermeiros e funcionários de hospitais e até de cemitérios que usassem máscaras, para que as pessoas se protegessem da praga da Manchúria que atingiu a China no início do século XX e que deixou mais de 60 mil mortos. O médico foi ridicularizado no início, algumas pessoas zombaram e se recusaram a usá-la - atual né? -, mas logo viram que o pequeno e leve tecido era poderoso.

Assim, em 1918, com a gripe espanhola, as máscaras foram popularizadas e se tornaram muito, muito importantes. E elas ainda são. Não é à toa que uma das maiores recomendações contra a covid-19, além do distanciamento social, é o uso das máscaras. Existem pesquisas que comprovam a eficácia delas. Não consigo pensar em sair de casa sem máscara agora. É a minha companhia indispensável. Além de me proteger todo santo dia, evita que as pessoas vejam eu falando sozinha (humor). Elas nos protegem e salvam vidas. Elas são simples, macias, pequenas e fáceis de usar. Mas mesmo assim, uma prática tão simples e tão importante ainda é ignorada e ridicularizada.

 
- O que fazer?
- Pedir consciência?
- Mas que consciência? Nem bons exemplos temos.
- Difícil.

Infelizmente, o Brasil ultrapassou a marca de 200 mil mortes causadas pela covid. Famílias que perderam pessoas queridas, famílias que choram ao abrir as redes sociais e verem festas e aglomerações rolando solta. Espero que essas famílias sejam confortadas, que a vacina chegue logo e a gente vire esse capítulo. Praticar distanciamento social e andar de mãos dadas com a consciência salva. Existem vários tipos e estilos de máscaras, mas hoje, ou sempre, aquelas que cobrem boca e nariz são mais importantes. Então, não usar por quê?

Referências:
DURN, Sarah. Uma breve história das máscaras faciais médicas. GIZMODO. 22, junho, 2020. Acesso em: 10, janeiro, 2021. Disponível em: https://gizmodo.uol.com.br/uma-breve-historia-das-mascaras-faciais-medicas/. 

Bittencourt, Clara. Covid-19: estudo compara eficácia de 14 tipos de máscaras.Portal PEBMED. 13, agosto,2020. Coronavirus. Acesso em 13, janeiro, 2021. Disponivel em: https://pebmed.com.br/covid-19-estudo-compara-eficacia-de-14-tipos-de-mascaras/.
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