13/02/2021 às 15h26min - Atualizada em 13/02/2021 às 15h26min

Violência policial cresce nas áreas periféricas contra negros e mais pobres

De acordo com pesquisas, a desigualdade social e racial é responsável pelo o grande crescimento de assassinatos nas favelas

Julia Saraiva - Editor: Ronerson Pinheiro
Infográfico traz os dados da violência - Foto: Julia Saraiva/Reprodução
Um vídeo publicado nas redes sociais em maio de 2020, choca o mundo e gera manifestações. Nas imagens, George Floyd, 40 anos, reclama repetidamente que não consegue respirar, após o policial Derek Chauvin se ajoelhar em seu pescoço. Pouco tempo depois, George parece não se mexer e é levado de ambulância até um hospital local. A morte de George causou comoção nos Estados Unidos e no mundo inteiro, levantando uma pauta importante para a sociedade: “a violência policial na periferia contra os negros.”
 
No Brasil, as manifestações do movimento “Vidas Negras Importam” começaram no Rio de Janeiro, em frente ao Palácio Guanabara, sede do governo do Estado e se espalharam pelo o resto do país.

De acordo com o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), negros são as maiores vítimas de agressão por parte de policiais. A Pesquisa Nacional de Vitimização (PNV) aponta que 6,5% das pessoas que sofreram agressão policial ou de segurança privada, são pretas, contra 3,7% dos brancos.
 
No Brasil, ainda no começo do isolamento social, artistas se posicionaram sobre a violência policial contra negros divulgando a campanha antirascista: #vidasnegrasimportam. Péricles desabafou em seu instagram: “Pele preta não é crime. Racismo é! Racismo não será tolerado!!! Não iremos ficar calados. O mundo não irá", diz a publicação do cantor.

A morte tem cor? Relembre casos de violência policial 

Caso João Pedro

Na madrugada de 18 de maio de 2020, na área periférica de São Gonçalo, Rio de Janeiro, João Pedro Matos, de 14 anos, morreu após ser baleado durante uma operação policial que ocorria na área.
João e mais outros cinco jovens foram alvo de mais de 70 disparos.
 
Familíares de João afirmam que os jovens brincavam no quintal da casa de um tio, quando os policiais invadiram o imóvel e o atingiram na barriga. A Polícia Civil alega que o adolescente foi atingido durante uma troca de tiros entre bandidos e policiais.
 
A família também aponta negligência por parte dos policiais, que não deram notícias de onde o menino tinha sido levado. Sem noticias do adolescente, familiares procuraram em diversos hospitais e delegacias no estado do Rio. A família encontrou o corpo de João Pedro no Instituto Médico Legal (IML) após 17 horas do menino ter sido baleado.
 
O caso ganhou repercussão nacional e internacional, fotos da casa onde João Pedro estava foram divulgadas nas redes sociais. O caso foi denunciado à Organizações das Nações Unidas (ONU) pela a deputada estadual Renata Souza (PSOL-RJ).

Ágatha Félix 

Ágatha Félix, de oito anos de idade, foi alvejada por um tiro de fuzil, enquanto voltava para casa com a mãe no banco de trás de uma kombi, no Complexo do Alemão, No Rio de Janeiro, dia 21 de setembro de 2019.
 
De acordo com testemunhas que estavam no local quando aconteceu o crime, a equipe policial abriu fogo contra uma moto, e não houve confronto. Além disso, moradores afirmaram que o disparo que atingiu Ágatha partiu da polícia.
 
Segundo dados publicado na Folha de São Paulo, e divulgado pela a ONG Rio de Paz, Ágatha é 57ª criança a morrer baleada no Rio de Janeiro desde 2007.

Emily e Rebecca:

Emily (4 anos) e Rebecca (7 anos) foram assassinadas no dia 4 de dezembro de 2020 por um tiro de fuzil, enquanto brincavam na calçada de casa, na comunidade do Barro Vermelho, em Duque de Caxias, Rio de Janeiro. Emily, foi atingida na cabeça e Rebeca na região do tórax.
 
Familiares das meninas afirmam que não havia confronto policial ou tiroteio na comunidade quando as meninas foram atingidas, e relatam terem visto um carro da polícia passando próximo ao local que Emily e Rebeca brincavam.
 
De acordo com a PM, era realizado um patrulhamento na área, quando disparos de arma foram ouvidos. A corporação afirma que os os agentes não dispararam e a equipe saiu em deslocamento.
 
De acordo com o levantamento do site EXTRA, somente em 2020, 12 crianças morreram vítimas de armas de fogo.


Editora-chefe: Lavínia Carvalho


 
 

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 




 
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