18/02/2021 às 22h14min - Atualizada em 18/02/2021 às 22h08min

Denunciar a violência doméstica: um ato de coragem

Mulher de 28 anos relata agressões em bilhete da escola de seu filho

Brenda Freire - Editado por Gustavo Henrique Araújo
Revista IstoÉ
Foto: Reprodução/UnB Notícias
“Por favor, me ajude. Estou sendo espancada. Não posso falar. Estou com hematomas na perna e meu filho foi seriamente sofrido (sic) por psicológico. Ele me bateu com o facão. Me ajude, ele não me deixa falar, me ameaça toda hora. Não consigo mais ficar calada, eu me cansei. Não me ignore."

Essas foram as palavras escritas por uma jovem mulher de 28 anos em um bilhete que estava escondido na documentação de matrícula do seu filho. Foi assim, através de uma súplica entregue à escola, em meio a outros papéis, que essa mãe conseguiu pedir ajuda.

Em casos como esse, sempre escutamos o quão importante é reforçar a denúncia e o pedido de socorro a alguém. O falar e a tentativa de sair de tal situação tornam-se cada vez mais necessários. Mas será que são assertivos? Será que realmente encorajam algumas vítimas dessas agressões?

Todas as mulheres que não se calam, são corajosas. Em um ato de desespero, vulnerabilidade e medo, elas conseguem enfrentar quem mais temem: o abusador. E foi dessa maneira, ao lado do filho, que essa jovem sinalizou de maneira sutil a violência que sofria.

Eles entraram na Escola Estadual Laura Dantas, no bairro do Farol, em Maceió. O agressor estava do lado de fora. Assim que a direção do colégio captou a mensagem, acionou a Polícia Militar. Ele foi preso em flagrante. A partir de um ato de coragem.

Depois de tantas dores, agressões físicas e mentais, essa mulher encontrou forças e reagiu. É o olhar que devemos ter não apenas com ela, mas com todas as mulheres que são, sim, vítimas, mas acima de tudo são fortes.

São pessoas que merecem ser reconhecidas por sua audácia e não só pela violência que sofreram. E assim, o foco passa a ser encorajar mais delas. Porque o que vale é continuar mantendo o ciclo de empatia e força, para que mais agressores possam ser detidos, mais filhos não tenham que presenciar o mau exemplo de pai e mais mulheres tenham liberdade e segurança.

Denuncie. Fale com alguém. Ligue 180.
 

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